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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Antes de dormir - S. J. Watson

       "A memória nos define. Como seria, então, se você a perdesse toda vez que dormisse? Seu nome, sua identidade, seu passado, até mesmo as pessoas que você ama... tudo seria esquecido da noite para o dia. E a única pessoa em que você confia talvez esteja contando apenas parte da história. Bem vindo à vida de Christine."


Eis a premissa do romance de estreia de S. J. Watson, "Antes de dormir". O livro começa no estilo do clássico filme "Como se fosse a primeira vez", de Adam Sandler: uma mulher traída pela própria memória, que acorda toda manhã esperando estar anos atrás do dia que realmente se encontra. Uma mulher que tenta resgatar partes dessa memória a cada momento do dia, mesmo sabendo que tudo desaparecerá quando pegar no sono. 


O diferencial é que nesse caso não trata-se de uma história de amor, mas sim de puro suspense. "Perturbador" seria uma boa forma de descrevê-lo, ainda que em alguns pontos tenha sido bem previsível. 

É difícil falar muito mais sem dar spoiler, visto que em alguns momentos o livro é repetitivo e enrolado: Christine acorda ao lado de um homem que não lembra conhecer, pensando ser décadas mais jovem. Ela vai até o banheiro, assusta-se com o próprio reflexo, o qual é repleto de marcas do tempo. Ainda no banheiro, ela encontra fotos dela com o homem que está em sua cama, provas de um relacionamento feliz e duradouro. É seu marido, descobre ela.

Logo que ele sai, Christine recebe ligação de um médico com o qual está tentando um novo tratamento, que pode recuperar os danos em sua memória. O médico lhe orienta a registrar todos os progressos e informações importantes em um diário, e ambos (tratamento e registros) são feitos em sigilo absoluto, dia após dia, tentando organizar o caos interior de Christine.

Essa rotina acontece sempre e é por isso que em alguns momentos a leitura se torna repetitiva: você quer desesperadamente que ela lembre de algo, ou que vá mais a fundo sobre algum fato ocorrido ou alguma lembrança... E então Christine dorme, e começa tudo de novo. Angustiante.

Sobretudo, Watson nos proporciona uma história muito bem escrita, de linguagem simples e com uma trama bem construída. Ainda que a surpresa venha apenas em alguns poucos pontos, a leitura continua sendo prazerosa e você se vê torcendo pela personagem, querendo que ela consiga reter alguma memória e pôr ordem em sua mente e em sua vida. Típico livro onde a autora aposta no "mais do mesmo" e dá certo. 

Gostaria apenas que a história tivesse se estendido para pelo menos uma semana depois dos últimos fatos, pois o desfecho pareceu rápido demais quando comparado ao ritmo que fluía todo o restante do livro. 

Enfim, "Antes de dormir" está longe de ser o tipo de história transformadora, do tipo que você fica pensado por semanas e querendo reler tudo imediatamente, só pra prolongar a sensação. Entretanto, trata-se de uma leitura agradável para os amantes do suspense, ou para um final de tarde descompromissado. Seria uma excelente adaptação cinematográfica, se o fizessem.

domingo, 11 de dezembro de 2016

A garota no trem - Paula Hawkins

Quando vi a comparação de "A garota no trem" com "Garota exemplar", logo comecei a procurar resenhas sobre ele na internet. Sou apaixonada pela escrita de Gillian Flynn, então ver que vários leitores confirmaram a semelhança entre ambos me deixou ansiosíssima para iniciar a leitura. 

A primeira semelhança entre os dois é que tanto os livros de Flynn quanto o de Paula Hawkins despertam uma vontade de ler compulsivamente até desvendar o mistério por trás da história. Os dois possuem várias reviravoltas, personagens completamente perturbados e um final surpreendente. Ou seja, é um livro com todos os elementos desejados para se tornar inesquecível. 

"A garota no trem" conta a história de Rachel, uma mulher carente, desestabilizada emocionalmente e com graves problemas de alcoolismo. Ela era casada com Tom, mas foi traída e abandonada por ele, o que tirou toda sua vontade de viver e se manter sóbria. A partir disso, foram ocorrendo uma sucessão de fracassos: ela perdeu o emprego, não consegue superar o vício e passou a morar de favor após Tom levar a nova esposa e a filha para a casa que um dia foi deles. Em depressão profunda, Rachel dedica seus dias à observar estranhos que moram perto da casa de Tom, passando diariamente por eles em seus passeios de trem.

Há apenas algumas casas de onde morou com Tom, reside um casal que chama a atenção de Rachel de forma especial. Ela passou a observá-los quando evitava olhar para a sua antiga casa, para não ver o ex com sua nova família. Observou tanto, que acabou se cativando pelos dois, por todo o carinho que pareciam demonstrar um pelo outro quando sentavam na varanda. Batizou-lhes então de Jéss e Jason.

Observá-los passou a ser o momento mais empolgante do seu dia, a única distração na vida vazia e triste que leva. Através das poucas cenas que via ao passar de trem diariamente, Rachel já julgava conhecê-los muito bem. Até o dia que viu um fato que mudou completamente seu ponto de vista. 
Dias depois dessa cena, Rachel acorda machucada e recebe uma mensagem furiosa de Tom, mas não consegue se lembrar de nada, pois estava completamente bêbada na noite anterior. Ao ligar a tv, descobre que Jess (que na verdade se chamava Megan) desapareceu e que Jason (que se chamava Scott) é o principal suspeito. 

A partir disso, Hawkins desenvolve uma história repleta de reviravoltas, surpresas, personagens completamente perturbados (e muito bem construídos, assim como os de Flynn). Notamos então que, assim como prometido na capa, "A garota no trem" faz com que mudemos para sempre nossa forma de observar as pessoas ao nosso redor e até mesmo aquelas que fazem parte do nosso convívio diário, pois nem todo mundo é como parece.

Dizer que a história é "fantástica", ainda será pouco perto do que realmente é. Ela realmente tem muita semelhança com "Garota exemplar" em alguns aspectos, mas há mais personagens, mais suspeitos e um pouco mais de drama. É incrível!

No início desse ano saiu a adaptação cinematográfica do livro, a qual infelizmente ainda não tive a oportunidade de assistir. Entretanto, o ponto que mais me atraiu no livro foi a explanação da personalidade de cada personagem, o que fica um pouco difícil de transmitir em filme. Independentemente disso, "A garota no trem" funcionou perfeitamente como livro, é um thriller arrebatador e, como poucos, conseguiu atingir o mesmo patamar de Gillian Flynn, que para mim é a melhor escritora do gênero. 

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Adulto - Gillian Flynn

Antes de começar a falar do que se  trata "O Adulto", é válido mencionar que o mesmo foi vencedor do Edgar Award , eleito o melhor conto de 2015. Some isso ao fato de que foi escrito por Gillian Flynn à pedido do ilustre George R. R. Martin e que a própria Gillian já figurou nas listas de mais vendidos do Brasil graças à seu best seller "Garota exemplar". Então, quando soube de sua publicação, as expectativas à respeito não podiam ser melhores. E nem preciso mencionar que, mais uma vez, Gillian me surpreendeu positivamente. 

"O Adulto" conta a história de uma jovem charlatã que ganha a vida praticando trabalhos sujos. Inicialmente, exercia a função de masturbadora em um bordel, mas logo começou a desempenhar também o papel de falsa vidente, afirmando sempre fazer uma boa leitura da aura das pessoas. Quem conhece Gillian sabe que seus personagens sempre têm condutas duvidosas e comportamentos perturbadores e com essa não seria diferente.

Intuitiva e demasiadamente observadora, ela atende especialmente donas de casa ricas e tristes que buscam uma solução para suas vidas entediantes. E é exatamente isso que ela pensa de Suzan Burkes quando a mesma aparece afirmando ter algo errado com sua casa. Entretanto, as coisas se mostram bem diferentes quando fatos perturbadores começam realmente a acontecer.

Susan se mudou para a cidade há pouco tempo com marido, filho e o enteado adolescente e desde então vem notando inúmeras coisas erradas acontecendo. A jovem vidente vai até o local e se depara com um grande mal que parece estar presente em cada canto, intrigando-a cada vez mais.

A partir de então, cada vez mais a história vai sobrepondo um desfecho ao outro, de modo que Gillian confunde seus leitores e mantém, no decorrer de cada uma das sessenta e quatro páginas, o clima macabro de suspense e terror proposto no início. 

Temos uma espécie de brincadeira de gato e rato onde a protagonista vê todas suas certezas e convicções testadas e o mais fantástico desse conto é que cada vez que pensamos estar cientes do que está acontecendo, tudo é desconstruído .

A única coisa que eu mudaria na história seria o fato de ser apenas um conto. Foi tudo tão bem escrito e a proposta é tão interessante, que "o Adulto" merecia um livro inteiro, especialmente pela conclusão magnífica que teve.

Com essa leitura, concluo todos os livros da Gillian Flynn já publicados no Brasil e novamente se torna difícil escolher qual dos quatro é melhor. A autora é a melhor do gênero, sem sobra de dúvidas. Todas suas histórias são repletas de muito suspense, personagens perturbadores e finais surpreendentes. Com "O Adulto" não foi diferente. Agora, aguardo ansiosamente para que ela publique mais uma história fantástica, mas por enquanto a única novidade à respeito é que a autora está produzindo uma série de "Objetos Cortantes", que ainda não tem data prevista para lançamento. 

Sobretudo, vale reafirmar que "O Adulto" é um conto fantástico, super bem escrito e com um final surpreendentemente perturbador, reafirmando o estilo inconfundível da autora e se tornando merecedor do prêmio conquistado. 

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Menina má - William March

Publicado originalmente como "Semente do mal", no ano de 1954,  "Menina má" voltou com tudo através de uma linda e adorável edição, pela DarkSide Books.

O livro nos conta a história de Rhoda Penmark, uma criança de oito anos, com rosto angelical e comportamento aparentemente exemplar. Rhoda é educada, nunca se suja, tem uma inteligência e esperteza avançadas para sua idade  e está sempre impecável em todos os sentidos. Porém, todas essas qualidades vem acompanhadas de um comportamento frio e calculista, muito incomum para uma criança. 

A história começa quando há um concurso de caligrafia na escola, para o qual Rhoda se preparou muito tempo e aperfeiçoou sua caligrafia, de modo que jurava não ter competidores à altura, mas a medalha é dada ao seu colega Claude, deixando a menina irada. Dias depois, em um piquenique da escola, o menino é encontrado morto e sem a medalha.

Todos acreditam que a criança se afogou acidentalmente, mas também afirmam ter visto Rhoda próxima ao local onde o corpo foi encontrado. E, para o desespero de Christine, a medalha aparece nas coisas da filha. Porém, quando questionada à respeito, Rhoda abusa de seu charme angelical, sua adorável covinha e seu comportamento perfeito: "Quem poderia duvidar de uma criança tão linda e exemplar?!" 

Entretanto, o que mais impressiona é a frieza da menina. No dia do acidente, Christine se prepara para acalmar a filha, achando que Rhoda chegaria em casa traumatizada e assustada pela perda do coleguinha e a menina chega feliz como sempre. Quando indagada sobre o assunto, ela afirma que não teria porque se abalar, pois quem se morreu foi o colega, não ela.

Ao longo do livro, narrado em terceira pessoa pela perspectiva de Christine, vamos observando diversos traços da personalide de Rhoda, dos estranhos acidentes que sempre pareciam acontecer quando apenas ela estava por perto da vítima. De forma sutil e muito inteligente, o livro mostra um retrato perfeito da psicopatia que se manifesta desde a infância.

Ainda que tente se enganar, Christine vai cada vez mais se dando conta que Rhoda é como uma semente do mal: desde a raiz estava fadada à causar mal à todos aqueles os quais a morte pudesse lhe beneficiar em alguma coisa. E quanto mais descobre sobre Rhoda, mais Christine descobre sobre si mesma e sobre seu passado, dando à história o fechamento perfeito.

O que mais gostei no livro é a verossimilhança: diferentemente dos filmes que já assisti do gênero (apesar de haver bem poucos títulos sobre psicopatia infantil), Rhoda não parece ter super poderes: ela mantêm uma certa inocência de criança e, em alguns momentos, um comportamento infantil e todos os seus crimes são coisas totalmente possíveis de acontecer, nada parece fantasioso. 

A única coisa que não consigo decidir se gostei mesmo, foi o final. Eu esperava que o plano de Christine fosse bem sucedido, mas ao mesmo tempo, o final me remeteu àqueles filmes de terror da década de 90, por tudo que deixa no ar.

O que posso afirmar é que racionalmente falando, minha decisão seria a mesma de Christine mas que, quando estamos envolvidos emocionalmente, sabemos que a questão é muito mais complicada e esse paradigma que deixou bastante confusa à respeito do que uma pessoa na situação de Christine deveria fazer. 

A leitura é super fácil e, antes da história começar, ainda temos um bônus: uma mini biografia do autor, que nos ajuda a entender um pouco mais de sua trajetória e da importância de "menina má" quando lançada.

Sendo da DarkSide Books, eu até poderia dispensar comentários quanto à diagramação, pois é a editora mais perfeita do Brasil e não há como não se encantar com cada detalhezinho do livro: as primeiras páginas em Poá, o desenho da sombra de Rhoda, a capa com a bonequinha simbolizando a inocência infantil, o fato de NÃO ter o título na frente (o que eu adoro!), as tesourinhas em cada troca de capítulo... Enfim, tudo é maravilhoso e eu não esperava menos da DarkSide. Esse foi o meu primeiro livro da editora, mas aguardo ansiosa pelos próximos. 

A história também ganhou uma adaptação cinematográfica, chamada "semente do mal", mas encontrei apenas um vídeo do trailer, em inglês e em preto e branco, então não há como saber se foi uma boa adaptação. O que posso afirmar, é que Rhoda foi inspirada em casos reais de psicopatia infantil, como da menina Elizabeth Thomas, com a diferença que no caso de Beth, a psicopatia também derivava dos inúmeros traumas que a menina sofreu devido aos abusos de seu pai e a infância conturbada. Ainda assim, o relato de Elizabeth mostra os mesmos traços de Rhoda: a frieza e crueldade, os planos de assassinato. 

sábado, 20 de agosto de 2016

Uma crença silenciosa em anjos - R.J. Ellory

“Não sei como alguém pode suportar perder tanta gente e ainda acreditar na bondade fundamental do ser humano.”  Assim é Joseph Calvin Vaughan, e é a história dele que tive o prazer de conhecer lendo "Uma crença silenciosa em anjos", de R. J. Ellory.


O livro começa com Joseph ainda criança, contando sobre o dia em que uma pena branca trazida pelo vento pousou perto dele e desde esse momento, por superstição, ele soube que tratava-se de um aviso da visita iminente da morte. Pouco depois, seu pai vem a falecer, deixando Joseph sozinho com sua mãe e com a crença de que ele havia morrido para se tornar um anjo. 

Desde muito cedo, percebemos que Joseph é uma criança diferente das outras. Ele tem um jeito profundo de pensar e sentir e um grande senso de justiça, acompanhados pela sensação de que é seu dever corrigir as coisas erradas do mundo e proteger todos aqueles que julga necessitados. Joseph tem um coração grande e é muito maduro desde jovem. Tem o dom da escrita e de ver o mundo com uma carga sentimental tão grande, que as vezes chega a tornar o livro pesado, mas posso garantir que vale a pena seguir lendo. 

A história começa a se desenrolar quando uma menina do condado onde Joseph vive é estuprada e brutalmente assassinada, chocando à todos os moradores do pequeno local. Logo, todos começam a tentar entender quem pode ter tido coragem de tamanha crueldade. A menina estudava na mesma classe que Joseph e, apesar de não terem muito contato, ele fica terrivelmente abalado com o crime, sentindo-se até mesmo culpado por não ter evitado que ocorresse.

"Lembro-me da gargalhada dela. Mãe, eu me lembro do cheiro dela... de morango, morango amargo, uma coisa assim. Foi nisso que pensei quando a vi lá em cima... toda despedaçada e jogada ali como uma coisa sem valor nenhum, nenhum. Foi isso que vi, e acho que quando se vê uma barbaridade dessas, não há nada que se possa fazer para apagar as imagens da cabeça da gente, e elas vão ficar gravadas na minha mente até eu ser pasto para as minhocas. Isso muda minha visão das coisas. Me faz pensar que não se pode fazer nada com a vida a não ser vivê-la da melhor forma possível, e se a gente erra, erra pelo menos tentando fazer algo bom, ou tentando fazer algo melhor, ou pelo menos tirando um pouco de conforto e amor de onde pode tirar." 

Porém, esse é o primeiro de uma série de assassinatos que ocorrem ao longo dos anos. Meninas sempre menores de doze anos, todas abusadas sexualmente e assassinadas, esquartejadas e tendo seus membros separados por diversos locais. A cada crime, uma parte de Joseph mudava e uma ferida era aberta em seu peito: ele sentia que precisava fazer algo, precisava impedir que mais meninas fossem machucadas, que mais crianças morressem e famílias sofressem com suas perdas.

Chega então a criar um grupo chamado "os Guardiões", formado por alguns colegas também crianças, se dividindo para vigiar e proteger cada menina que pudesse ser alvo do assassino. Mas logo o grupo fracassa, mais mortes acontecem, e a tristeza e culpa que sente é tão grande, que preferem não se reunir mais.

Acompanhamos todo o crescimento de Joseph. A paixão pela professora, com a qual chega a relacionar-se após adulto (o que no início me perturbou, pois ela dava aula para ele desde criança, mas depois os achei perfeito juntos), as inúmeras perdas e tragédias que sofreu e, principalmente o impacto que cada uma dessas coisas teve no caráter de Joseph. Acompanhamos ele tornar-se um escritor de sucesso, ele ver sua mãe enlouquecer aos poucos devido à um trauma e ele perder uma a uma, cada pessoa que amou e quis proteger. É triste, é pesado, é uma dor poética.

"O amor, mais tarde eu chegaria à conclusão, era tudo para todo mundo. O amor era o que fazia sofrer e parar de sofrer. O amor era mal interpretado, o amor era fé, o amor era a promessa do agora que se tornava esperança para o futuro. O amor era um ritmo, uma ressonância, um reverberação. O amor era estranho e tolo, era agressivo e simples, e com tantas qualidades indefiníveis que nunca poderiam ser transmitidas em palavras. o amor era ser."

O livro tem uma narrativa muito pesada, do tipo que você lê dez páginas e tem a sensação de ter lido cem, não pela quantidade de acontecimentos (os fatos ocorrem muuuuuito lentamente), mas pela profunda carga emocional que cada parágrafo trás. Por esse motivo, várias vezes pensei em abandonar a leitura, mas Joseph me cativou tanto e me vi torcendo tanto por ele, que me forcei a continuar. 

Apesar de intitulado como thriller, vi muito mais drama do que suspense no livro. Os assassinatos seguem por toda a vida de Joseph, inúmeros crimes sem solução que lhe perturbam e impactam em todos os outros aspectos de sua vida adulta e ficamos angustiados para saber quem é o cruel assassino, mas, ainda assim, temos um foco muito maior nas perdas de Joseph, em suas tragédias e na forma como todas essas fatalidades impactaram sua vida pessoal.

O final não chega a ser tão surpreendente (eu, pelo menos, tinha duas suspeitas de possíveis assassinos e uma delas estava correta!) mas no decorrer da história aconteceram pelo menos quatro coisas que me deixaram de queixo caído e coração partido e mais de uma vez me vi como Joseph: querendo ter o poder de corrigir as injustiças e tristezas do mundo.

Se você procura um livro leve e divertido, para se divertir e se descontrair, esse NÃO é recomendado, de forma alguma. Entretanto, se procura uma história profunda, com uma grande carga emocional e profundidade na narrativa, nos personagens, nos sentimentos; esse com certeza será o livro perfeito! 




segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Cuco - Julia Crouch

"Polly é a mais antiga amiga de Rose. Então quando ela liga para dar a notícia que seu marido morreu, Rose não pensa duas vezes ao convidá-la para ficar em sua casa. Ela faria qualquer coisa pela amiga; sempre foi assim. Polly sempre foi singular — uma das qualidades que Rose mais admirava nela — e desde o momento em que ela e seus dois filhos chegaram na porta de Rose, fica óbvio que ela não é uma típica viúva. Mas quanto mais Polly fica na casa, mais Rose pensa o quanto a conhece. Ela não consegue parar de pensar, também, se sua presença tem algo a ver com o fato de Rose estar perdendo o controle de sua família e sua casa. Enquanto o mundo de Rose é meticulosamente destruído, uma coisa fica clara: tirar Polly da casa está cada vez mais difícil."

Parece um suspense intrigante, tenso e fabulosamente bem escrito, não é mesmo? Eu também pensava isso, mas infelizmente me enganei; Cuco é tudo, menos um bom livro.

Desde a primeira semana em que trabalhei na livraria, vi esse livro na estante e ele me chamou atenção. Li a sinopse, fiquei intrigada e contei os dias para comprá-lo e começar à ler compulsivamente. E li muitas páginas... E mais uns capítulos... E mais uns parágrafos... E nada de extraordinário aconteceu.

 A história conta sobre a amizade de Rose e Polly e tenta à todo custo nos mostrar o quanto Polly é desestabilizada, cruel e insensível, além de ser a responsável pela destruição gradativa da vida de Rose. Mas as coisas não são bem assim.

Rose abriga a amiga recentemente viúva e seus dois filhos em sua casa, tornando-lhes parte de sua já numerosa família (ela, marido e duas filhas). O livro tenta num primeiro momento passar a ideia de que a família era perfeitamente estruturada e feliz e que a chegada de Polly foi acabando com tudo isso, dia após dia. Entretanto, eu vejo a própria Rose muito mais culpada que Polly nesse processo de destruição.

A verdade é que não tive empatia por nenhum dos personagens, nem mesmo pelas crianças. Todos pareceram frios, fúteis e superficiais e a submissão  e idolatração de Rose com Polly é deprimente. Junte isso ao fato de que a coisa mais grave que Polly faz é, pouco a pouco, revelar todos os podres de Rose. que nunca mereceu a família certinha e feliz que tentava manter.

Mas, veja bem. Se o livro tivesse surpreendido tirando o papel de vilã de Polly e jogando ele para Rose, estaria ok. Iria contra a ideia da sinopse, mas seria suficientemente imprevisível e bem elaborado para ser apreciado. Mas não. O tempo todo, nas entrelinhas de toda encheção de linguiça, a autora nos força a ver os grandes defeitos de Polly: bêbada, inescrupulosa, traidora, insensível, desestabilizada. Mas, paralelamente e sem dar a mínima importância, o livro também relata atitudes de Rose que só dão uma certeza: as amigas são farinha do mesmo saco, 

Eu tive muita vontade de abandonar a leitura, inúmeras vezes. A história maçante não me preendia, os personagens não me cativavam, faltava suspense, faltava coerência, faltavam coisas acontecendo. Mas persisti, na esperança que no final tudo se ajeitasse e o desfecho consertasse minha decepção. 

Contudo, como já diz um certo ditado "tudo que está ruim, pode piorar". E foi exatamente o que aconteceu. O final só comprova algo que eu já havia notado desde os primeiros capítulos: a autora estava completamente perdida em sua proposta de história e dá a impressão que ela começou escrevendo sobre algo e foi mudando de ideia sobre tudo que havia sido proposto, deixando muitas pontas soltas e muito à desejar. 

Enfim, pelo menos posso citar duas coisas legais sobre a experiência: primeiro, a diagramação está perfeita, tanto na fonte, tamanho, espaceamento e capa, e, segundo, "Cuco" me ensinou a não julgar um livro pela capa ou pela sinopse. Até teria sido válido ler algumas resenhas antes, mas no fundo a gente só pode definir e classificar quando nós mesmos lemos. Ainda assim, esse eu não recomendo!

sábado, 6 de agosto de 2016

Objetos Cortantes - Gillian Flynn

Forte, intenso e perturbador: essas são as três melhores palavras que encontrei para descrever esse livro. Desde Pretty Girl 13 não lia nada que me causasse tamanha estranheza, mas no melhor dos sentidos. Eu sou fã de thrillers, especialmente aqueles como os de Gillian Flynn, onde nenhum personagem parece normal ou puro, mas confesso que "Objetos Cortantes" ultrapassou limites e me tirou o fôlego.

Pela sinopse, já percebe-se: Camile, a protagonista, acaba de sair de um hospital psiquiátrico onde ficou internada por muito tempo para tratar sua tendência à auto-mutilação. Em seu corpo, as marcas permanecem, inúmeras palavras como "vadia", "promiscua" e muitas outras que se inquietam e queimam em seu corpo quando lembra dos motivos que a levaram a fazer cada uma delas. São cicatrizes externas, fora as muitas internas que seu passado sombrio lhe causou. Por esse motivo, há oito anos Camile não volta à sua cidade natal, a pequena Wind Grap, mas isto está prestes a mudar.

Porém, Camile é réporter de um jornal sem prestígio em Chicago e em Wind Grap, crianças estão sendo assassinadas, Jovens meninas, mortas de forma brutal e cruel, tendo seus dentes arrancados. O seu jornal precisa de uma matéria diferente e bombástica para se recuperar da decadência e é por esse motivo que Camile se vê sendo obrigada a retornar à sua cidade natal.

Entretanto, nem os oito anos longe, nem o período internada serviram como preparação para o que Camile teria que lidar: lembranças que tentava a todo custo esquecer, sua mãe neurótica e descontrolada, o padrasto omisso e a meia-irmã tão perturbada quanto desconhecida. Aliás, a cidade inteira parece ser repleta de pessoas insanas e multifacetadas. E chegar lá é apenas o início de uma sucessão de fatos angustiantes e tensos.

Eu li Garota Exemplar antes de ler "Objetos Cortantes", apesar desse ter sido o romance de estreia da autora, Quando comecei a ler, pesquisei a respeito e vi muitas pessoas falando que ele não chegava nem perto da grande maestria que Flynn demonstrou em narrar Garota Exemplar, mas posso afirmar que para mim ambos são sensacionais e que se eu tivesse que optar entre apenas um dos dois, seria Objetos.

O desenrolar da história é todo tenso, você fica completamente apreensivo e não consegue largar o livro enquanto não descobre quem é o verdadeiro assassino, e ai vem a melhor parte: o livro inteiro te dá dicas muito sutis de que possa ser uma pessoa e então é revelado que realmente é essa pessoa. Você se sente o melhor dos investigadores por ter acertado e, (surpresa!!), quando faltam menos de dez páginas para acabar e tudo parece ter sido resolvido, Gillian vem e nos dá um tapa na cara, desconstruindo toda a certeza que tínhamos e derrubando nosso queixo lá no chão!

O livro tem também uma outra versão com o título "Na própria carne", com uma lâmina na capa.
Apesar de essa versão ter mais a ver com a história, fiquei apaixonada pela diagramação da Intrinseca quem como sempre, nos trouxe um livro super caprichado, com capa bonita, fonte em tamanho ideal, bom espaceamento... Fora que a versão "Objetos Cortantes" (preto e azul) combina com as capas de "Garota exemplar" (preto e rosa), "Lugares Escuros" (preto e verde) e "O Adulto" (preto e amarelo), o que para os colecionadores é um presente!


sábado, 12 de dezembro de 2015

Joyland - Stephen King

Ler Joyland é realmente como se aventurar num perigoso brinquedo de parque: você terá momentos de medo e de diversão e, quando acabar, com certeza ficará com aquela nostalgia e aquele gostinho de quero mais.

Confesso que na primeira vez que tentei ler Joyland, não consegui prosseguir com a leitura. Talvez por estar com uma ressaca literária (culpa do livro "Um mais um, da Jojo Moyes"), mas o ritmo de Stephen King simplesmente não me prendeu. Eis que agora, meses depois, decidi dar uma segunda chance ao livro e posso dizer que esta foi a melhor decisão que eu poderia tomar. 

Joyland conta a história de Devin Jones, um jovem que resolve passar as férias da faculdade trabalhando em um parque de diversões quase falido (Joyland). Quase ao mesmo tempo que suas férias começam, Devin tem seu coração partido pelo seu primeiro grande amor, o que lhe leva a focar de vez em seu trabalho, na tentativa de tirar Wendy da cabeça e do coração.

Logo nos primeiros dias do trabalho, Dev descobre que tem o que eles chamam de "alma de parque", pois aprende tudo muito rápido, faz amigos e é o melhor Howie do parque. (Howie é um personagem interpretado pelos novatos, que nos dias de apresentação colocavam uma roupa de cachorro e saiam dançando e fazendo performaces para alegrar as crianças).

Dev descobre também sobre a famosa lenda que cerca o trem fantasma do parque: anos antes, uma menina chamada Linda Gray teve sua garganta cortada pelo namorado enquanto brincavam no trem e o mesmo apenas trocou de roupa para não ser reconhecido e fugiu ileso, fazendo com que anos depois o espírito da moça ainda rondasse o local, clamando por justiça.

No início, Dev não acredita muito, mas se sente tocado pela história e passa a gastar seu tempo livre pesquisando sobre o assunto e tentando desvendar o mistério, não só para que o espírito de Linda possa descansar, mas também para que possa tirar sua amada Wendy do pensamento.

Logo em suas primeiras semanas, o rapaz também ouve da vidente local que ele conheceria duas crianças: uma menina com uma boneca e um menino com um cachorro. Dev não deu importância para a previsão, mas então os fatos começam a se comprovar e, nesse momento, a história fica ainda mais repleta de mistério, diversão e uma certa dose de melancolia.

Não há como falar mais sem dar spoilers, mas o que posso dizer é que Joyland me surpreendeu positivamente. Eu, que no início achei a história meio parada e sem nexo, me vi realmente comovida pelo final e, principalmente, encantada com os personagens, especialmente Devin, Mike, Anne, Erin e Eddy.

Nunca havia lido nada do King, apesar de ser super fã dos filmes baseados em seus livros. Sempre ponho os livros dele na lista de compras, mas acabam aparecendo outros na frente e eu fico procrastinando, dessa forma não tenho como comparar Joyland com outros livros do mestre. 

O que posso dizer, é que trata-se de um livro que tem um pouquinho de tudo: suspense, aventura, mistério, drama, terror e diversão. É uma obra completa, incrível e com um final que se divide entre o surpreendente e o melancólico mas que, sobretudo, merece ser lido e apreciado!




domingo, 6 de dezembro de 2015

Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Tensão, suspense, medo e calafrios. Essa é a atmosfera que o livro "caixa de pássaros" desperta até no mais cético dos leitores. Eu, que nunca fui fã de livros muito irreais e fantasiosos, nem de temáticas pós-apocalípticas, me apaixonei por essa história e não consegui soltar o livro (e a respiração!) até chegar à última página. 

O livro alterna entre passado e presente de um mundo caótico, com poucos e aterrorizados sobreviventes. Não há explicação para o que acontece, nem previsão de haver uma solução. Simplesmente começam a ocorrer inúmeras mortes causadas por algo que está na rua e que, quando visto mesmo que de relance, faz as pessoas se suicidarem da forma mais insana e imediata possível
. 
Conhecemos então, Malorie, que descobre estar grávida (e solteira!) exatamente quando as notícias de estranhos suicídios começaram. Logo, todas as mídias divulgam que todos devem fechar suas casas e seus olhos, pois esse perigo está a espreita em todo e qualquer lugar e não há como escapar. 
Há quem fique cético no início, mas o mal se espalha de forma tão rápida e cruel, que em cinco anos já restam pouquíssimos sobreviventes no mundo.

Entre esses sobreviventes está Malorie e seus dois filhos, que já nasceram obrigados a nunca, em hipótese alguma, utilizar sua visão. As pessoas andam vendadas. Vivem trancafiadas em suas casas, com medo da menor luz que possa entrar. Malorie encontrou abrigo em uma casa onde vivem outros sobreviventes, mas cada vez os recursos se tornam mais escassos e o pavor mais evidente.

As pessoas tentam se proteger como podem e o sonho de Malorie é dar uma vida melhor para suas crianças, mas sem ao menos enxergar ou saber o que está nas ruas, até sonhar se torna difícil. A narrativa de Josh Malerman é incrível, nos fazendo sentir na pele dos personagens. 

A história flui de forma rápida, mas ainda assim é possível se cativar com os personagens, especialmente com Tom (um dos residentes da casa e melhor amigo de Malorie) e as duas crianças. Confesso que várias vezes fiquei incomodada com a forma como Malorie tratava seus filhos, mas fica claro entender a motivação da personagem: ela amava tanto suas crianças, que precisava por vezes ser dura, para que eles aprendessem a estar sempre alerta, sem nunca abrir os olhos.

Os capítulos alternam entre a chegada de Malorie na casa, ainda grávida e desesperada por ajuda, após um trágico evento, seus primeiros anos lá e todos os acontecimentos que levaram até a abordagem do outro momento: Malorie vendada com suas duas crianças, remando à esmo, no meio do nada, ouvindo inúmeros barulhos e sabendo que o perigo está ali, só esperando o menor descuido.

Enfim, é um livro que vale a pena ser lido, especialmente para quem gosta de um belo suspense psicológico com uma pitada de terror. Porém, é necessário que você se permita entrar na história, tomando para si a situação dos personagens, pois assim você entenderá o pânico que estão vivendo e poderá sentir tudo que o livro é capaz de despertar. Você tem que deixar de questionar se isso é possível e acreditar que essa é a realidade. Fazendo isso, o terror é eminente.

Vale ressaltar o único ponto que, para mim, o livro deixou à desejar: em momento nenhum é explicado o porquê desse apocalipse ou o quê existe à espreita. Eu, como sou curiosa demais, queria uma explicação. Confesso que várias vezes torci para que alguém fosse capaz de enxergar e contar o que era, mas as pessoas que cometeram o erro de abrir os olhos não sobreviveram mais do que alguns minutos.

Sobretudo, um pouco de mistério é bom e talvez, se houvesse uma explicação, ela deixaria à desejar, pois sendo dessa forma, o autor explorou o terror psicológico dos leitores ao extremo, deixando a imaginação livre para que o medo tomasse conta.



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Garota Exemplar - Gillian Flynn


Garota exemplar é um thriller de tirar o fôlego. O relato perfeito e detalhado de um casamento que, como muitos, começa perfeito, mas a convivência faz com que a relação fique não somente desgastada, mas doentia.

O livro é intercalado entre relatos de Nick no presente e um diário deixado por Amy, a famosa, extraordinária, linda e perfeita Amy exemplar.

Amy era a mulher que todo homem queria ter e que toda garota queria ser. Era a filha única de um casamento feliz e a inspiração para uma série de livros criadas pelo seus pais, a série Amy Exemplar, que se tornou sucesso mundial e consagrou Amy como a mulher perfeita, adorada e idolatrada por todos. Quando ela e Nick começaram a namorar, ele mal podia acreditar em sua sorte.

Ele, filho de um pai que cruel e violento, temia ter herdado o gene que achava todas as mulheres piranhas desprezíveis, mas quando encontrou Amy viu que poderia fazer diferente, que poderia ser bom. 

Eles construíram o tipo de relação que deixaria qualquer pessoa com inveja. Lindos, apaixonados, bem sucedidos, ricos e felizes. Eles tinham piadas particulares e tradições só deles, como a caça ao tesouro que acontecia em todo aniversário de casamento, sempre com pistas de Amy escritas de forma carinhosa e adorável, que levavam Nick à diversos locais onde viveram algo especial naquele ano, até chegar ao presente no material da boda que comemorariam naquele ano. 

Tudo parecia perfeito, até "o dia do", quando Amy some em seu aniversário de cinco anos de casamento, deixando para trás marcas que demonstravam que ela poderia ter sofrido um assassinato, além de um diário que contava, dia após dia, a destruição do conto de fadas que haviam construído.

Foram encontrados indícios de luta corporal, de muito sangramento pela parte de Amy e de uma tentativa desesperada de disfarçar tudo isso. E, em meio à tudo isso, Nick não parecia nem um pouco com o marido triste e apavorado que todos esperavam encontrar. Nick parecia quase... aliviado, para não dizer culpado.

Pouco a pouco, a história se desenrola de uma forma que cada vez mais temos certeza que nada é como parece ser, mentiras de Nick vão surgindo dia após dia e, quanto mais lemos o diário de Amy, mais vamos chegando perto de concluir o casamento que todos achavam perfeito, tinha se tornado uma relação doentia, repleta de surtos de raiva e fúria, de frieza e ódio. 

Lemos, intercalados com os capítulos onde Nick inventa inúmeras mentiras para provar sua inocência, se torando cada vez mais suspeito, o diário de uma esposa devota e apaixonada, que não entende o motivo de ter deixado de ser amada, até descobrir que o motivo era uma jovem de vinte e três anos, que se tornara amante de Nick.

Vemos relatos de uma esposa que, mesmo traída e magoada, prepara mais uma linda caça ao tesouro em comemoração aos cinco anos de casados, na tentativa de provar ao mundo que quer reconquistar seu marido, que quer perdoá-lo. Até o dia do. 

Não posso falar mais que isso sem dar spoilers, mas posso garantir que essa é uma das histórias mais surpreendentemente chocantes que já li, narrada com uma inteligência e perspicácia tão grandes, que é impossível não ficar pensando na magnitude de cada detalhe, mesmo dias após ter encerrado a leitura.

Gillian Flynn soube explorar de forma incrível a psique humana, desmembrando as relações dos personagens de forma minuciosa e até perturbadora. O final é incômodo, como a sensação de uma pedra no sapato. Não é um final ruim, é um final maravilhoso, é o melhor final que o livro poderia ter, pois manteve seu clima de suspense e insanidade até a última página, deixando qualquer leitor realmente perturbado.

A história ganhou uma adaptação cinematográfica homônima, estrelada pelo fabuloso Ben Affleck, que soube interpretar com maestria cada detalhe da personalidade de Nick, e pela literalmente exemplar, Rosamund Pike. É uma obra totalmente fiel, do início ao fim, que vale a pena ser apreciada (eu já assisti três vezes e em todas fiquei de queixo caído).

Enfim, o livro é dividido em três momentos e, ainda que a primeira parte seja mais parada, recomendo à todos que continuem, pois valerá cada linha, especialmente depois da revelação bombástica que ocorre na segunda parte. Garota exemplar é realmente um livro exemplar, que merece estar na sua estante e ser lido e relido e que, sobretudo, mostra que nem toda relação é como parecer ser.

domingo, 16 de agosto de 2015

Um estranho no espelho - Sidney Sheldon

"Um estranho no espelho"  foi o primeiro livro de Sidney Sheldon que eu li e até hoje considero o melhor do autor. É uma trama muito bem construída, com todos os elementos que um leitor pode desejar e com personagens marcantes e envolventes.

A história nos apresenta dois protagonistas, que no início são desconhecidos, mas depois  tem suas vidas entrelaçadas numa relação repleta de amor, ódio, ambição e desejo de vingança.

Num primeiro momento, conhecemos Toby Temple, um rapaz carismático por natureza, que vinha de uma família pobre e usava desse carisma para alcançar suas ambições. Toby sempre foi engraçado e sonhava em se tornar um famoso comediante, astro de Hollywood. 

Ele correu atrás de seu sonho, muitas vezes ficando cego de ambição e tomando atitudes crueis ou vergonhosas, apenas para satisfazer seus desejos. Então, depois de um longo caminho percorrido em busca da fama, Toby Temple chega ao topo, sendo reconhecido mundialmente, amado e idolatrado por todos.

Distante de tudo isso, nasce Josephine Czinski, uma menina que inicialmente era doce e pura, mas logo foi corrompida pelas constantes desilusões. Josephine nunca se conformou por ser pobre e não ter a vida que suas amigas tinham e, após constantes problemas com a mãe que era fanática religiosa e uma decepção amorosa que lhe partiu o coração, ela decide partir em busca de fama e sucesso, achando que assim mostraria à todos que deu a volta por cima.

Porém, apesar de toda sua beleza, as coisas não são fáceis para Josephine e ela nunca consegue nada além de papeis secundários em filmes que nem sequer eram famosos e permanece no anonimato. Ela passa a se tornar cada vez mais ambiciosa, muda seus princípios, seu caráter e até seu nome, preferindo ser chamada de Jill Castle e logo vira atriz de filmes pornôs, mas mesmo assim, nunca é reconhecida.

Então, o famoso Toby Temple surge em seu caminho e ela logo vê nele a chance de alcançar o sucesso e fama que sempre quis, satisfazer seus caprichos e vingar-se de todos que lhe rejeitaram ou fizeram mal. Ela usa toda sua beleza e sensualidade para conquistar Toby e logo os dois estão casados, o que se torna uma relação perturbadora, repleta de altos e baixos, ambições, vinganças, amor e ódio.

Uma das coisas mais incríveis em "Um estranho no espelho" é que os personagens não são totalmente bons ou ruins, mas sim multifacetados, capazes de atitudes surpreendentes, o que faz do livro uma história repleta de reviravoltas, deixando o leitor estupefato a cada página. E o final então, é de tirar o fôlego!

Sheldon tem uma habilidade incrível em escrever histórias que preendem o  leitor desde a primeira até a última página, não é a toa que se tornou um dos autores mais premiados do mundo, mas, se eu tivesse que escolher apenas um livro dele, com certeza seria "Um estranho no espelho".

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Pretty Girl 13 - Liz Coley

Pretty Girl 13 é o tipo de livro que, enquanto você não chega à última página, não consegue soltar. Uma história impressionante, comovente e diferente de tudo que já li. Mas, acima de tudo, vale informar que trata-se de um livro muito forte, não recomendado para quem gosta de temas leves e alegres.

Dividida em três partes (você, nós, eu), esta incrível obra conta a história de Angie, começando quando a menina tinha treze anos e estava em um acampamento de escoteiro. Ela sai a procura de uma árvore para fazer suas necessidades em uma madrugada e nota que está sendo observada. Depois disso, desaparece completamente, sem que ninguém tenha notícias dela. Por três anos.

Então, quando todos achavam que ela havia morrido, Angie reaparece na porta de casa, com cicatrizes profundas, corpo de mulher e sem a mínima ideia do que aconteceu no tempo que esteve sumida. Para ela, haviam se passado apenas algumas horas do momento em que estava no acampamento, motivo pelo qual ela entra em choque ao se olhar no espelho e ver como está mudada, além da reação que todos apresentam ao ver que ela estava de volta.

Logo, começam as inúmeras perguntas sobre o que se passou e onde ela esteve, mas Angie não consegue se recordar de absolutamente nada. Sobretudo, se sente perdida e um pouco magoada com o fato de seus pais já parecem ter superado sua perda. 

Angie começa então a fazer tratamento com uma psicóloga e é nesse momento que surge a parte dois (nós), que é a mais intrigante do livro, Apenas algumas consultas são suficientes para Angie descobrir que sofre de um Transtorno Dissociativo de Personalidade (TDI), também conhecido como "transtorno de personalidades múltiplas".

Afetando em torno de 7% da população mundial, esse transtorno surge como uma defesa do corpo para bloquear certos traumas ou lembranças dolorosas (especialmente se sofridos na infância). É como se sua mente criasse outra pessoa (chamada de alter), com outra personalidade, auto-imagem e percepção de mundo para viver um trama ou lembrança que seja insuportavelmente doloroso.

Quem sofre desse transtorno, possui dentro de si um ou mais alters capazes de lidar com seus medos e traumas e, no momento que isso está acontecendo, é como se outra pessoa assumisse o corpo daquela primeira que, posteriormente, não se lembrará de nada. Quando a situação de perigo ou medo passa, surge a incapacidade de recordar informações pessoais importantes do período, em uma extensão demasiadamente abrangente para ser explicada como um esquecimento normal, que foi o que aconteceu com Angie.

Então, ela precisa confrontar cada um dos seus alters (que são vários) e enfrentar os medos, traumas e mágoas que cada um deles sofreu, pois só assim terá chance de encontrar a si mesma e levar uma vida normal.

O ponto mais forte e impactante do livro é esse, motivo pelo qual alertei que Pretty Girl 13 não é recomendado para leitores muito sensíveis. Desvendando cada um de seus alters, Angie descobre muitas coisas sobre si mesma que jamais imaginou, coisas realmente dolorosas e crueis.

Pretty Girl 13 é narrado com clareza e objetividade, de forma que conseguimos sentir na pele a angústia e desespero vividos por cada Alter. É impossível ler esta obra sem "entrar na história", sentir a revolta, a dor, a sensação de impotência diante dos fatos. Surpreendente. chocante e impressionante é o mínimo que podemos usar para descrever este livro!


sábado, 25 de julho de 2015

Amaldiçoado (O Pacto) - Joe Hill

Publicado originalmente como "O pacto", o livro "Amaldiçoado" é realmente "bom como o diabo", como foi dito em um dos diversos comentários que li a respeito. Mostrando que herdou por completo o talento de seu fabuloso pai Stephen King, Joe Hill nos trás uma história com todos os gêneros e elementos possíveis.

Falo isso, porque "Amaldiçoado" tem um romance lindo, mas não é uma história de amor. Tem situações irreais e sobrenaturais, mas não é uma história de fantasia. Tem o próprio demônio, mas não é uma história de terror. Tem um mistério envolvendo um assassinato, mas não é suspense. Ou seja, é um livro completo, capaz de agradar qualquer leitor.

O livro alterna entre presente e passado. No passado, conta a história de amor de Ignatius Perrish e sua amada Merrin. Os dois se conheceram ainda crianças e se tornaram inseparáveis, duas almas gêmeas destinadas a ficarem juntos eternamente. Entretanto, não é isso que acontece, pois em uma trágica manhã, Merrin é encontrada morta após ter sido estuprada e agredida. 

O presente narrado no livro é exatamente um ano depois desse terrível assassinato, quando Ignatius vai até o local onde sua amada foi morta e, revoltado com a injustiça do ocorrido, esbraveja dizendo que Deus não ajudou Merrin quando ela  mais precisou e que agora contava com a ajuda do próprio diabo para ajudá-lo a vingar a morte dela.

No dia seguinte. Ignatius amanhece com chifres, como se fosse o próprio demônio, e com uma
capacidade estranha e nada agradável de fazer com que, ao olhar para seus chifres, as pessoas entrem numa espécie de transe que as faz revelar todos seus desejos e pecados mais sombrios e, se as toca, consegue ver todas as coisas erradas que essas pessoas já fizeram na  vida.

Apesar de sempre ter sido um homem bom, Ignatius se tornou o principal suspeito pela morte de Merrin, uma vez que os dois foram vistos tendo uma terrível discussão em um bar na noite em que a menina foi morta. Ele foi encontrado bêbado na mesma manhã que acharam o corpo de Merrin e Ig nem sequer lembrava o que havia acontecido depois da briga para poder se defender.

Agora, com o seu novo e estranho dom, ele começa a descobrir dolorosas verdades sobre as pessoas que mais amava e julgava conhecer, bem como nota que ninguém parece acreditar em sua inocência. Sobretudo, ele se apega ao fato de que quando se é visto como o próprio diabo, não se te mais nada a perder e vai usar tudo que poder para descobrir o que aconteceu na fatídica noite e vingar o mal que fizeram à sua amada.

"Amaldiçoado" é um daqueles livros de leitura compulsiva, que você não consegue parar de ler até saber o que realmente aconteceu com Merrin e Ig, Ele nos levanta a questão de que muitas vezes as pessoas podem ser os verdadeiros demônios, tamanha as crueldades que acontecem, injustamente e sem explicação. O final é surpreendente, emocionante e ao mesmo tempo, muito revoltante. 

O livro foi adaptado para um filme homônimo, protagonizado por Daniel Radcliffe, que me surpreendeu positivamente como um ator muito melhor do que eu julgava até então. A adaptação ficou muito fiel e bem feita e as poucas mudanças que apresentou (afinal, é um adaptação), não prejudicaram nem um pouco o sentida da história. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Os Sete - André Vianco


Confesso que eu tinha um certo preconceito com escritores brasileiros... até conhecer André Vianco. Os Sete não é só uma história comum de vampiros. É macabra, engraçada e muito diferente de qualquer coisa que eu já havia lido antes. 

Apesar de eu não ser uma devoradora de histórias com vampiros, já li sobre o clássico e muito, muito cruel, Drácula de Bram Stocker e o completamente doce e amável Edward, de Stephanie Meyer (Crepúsculo) e, com Vianco, os vampiros ficaram num meio termo que os tornou meus favoritos. Eles não são absurdamente cruéis, mas também passam longe de ser românticos e são, sem sobra de dúvidas, os vampiros mais engraçados sobre os quais já li.

Ainda assim, Os Sete não tem o intuito de ser uma história cômica. O que acontece é que tudo começa quando jovens exploradores marítimos encontram uma caravela no mar e, dentro dela, uma pesada caixa de ferro com um grande alerta de que não abram para não despertar a maldição. Nessa caixa também encontra-se os nomes "Inverno, Acordador, Espelho, Lobo, Tempestade, Gentil e Sétimo". 

Empolgados com a descoberta, eles não se abalam com a mensagem, achando que não passa de superstições de algum religioso, e logo tratam de abrir a caixa, surpreendendo-se ao encontrar sete cadáveres, aparentemente de mais de 500 anos atrás, vindos de Portugal. 

Nesse momento, uma das jovens, Eliana, acaba se cortando e deixando uma gota de sangue cair próxima a um dos cadáveres, e esse pequeno acidente dá início à um processo de regeneração do corpo, que logo volta à vida e fica confuso por não saber onde está.

Ainda que não saibam no começo, os jovens estão diante de Inverno, que tem o dom de congelar tudo que quiser em poucos segundos. Assim como Inverno, cada um dos cadáveres tem uma habilidade especial que lhe originou o nome talhado na caixa. Tempestade provoca os piores temporais, Lobo se transforma em um lobo gigantesco, Acordador pode dar vida aos mortos...

Aos poucos, todos os vampiros se acordam e é nesse momento que o livro mostra sua pitada de humor. A história se passa em Porto Alegre, o que tornou tudo muito divertido por ser a cidade onde moro (os lugares citados são lugares que já frequentei ou frequento, então parecia tudo muito mais real) e, acima de tudo, os vampiros estavam dormindo há mais de 500 anos, então tudo é novidade e ,motivo para questionamento.

Quando Inverno vê um refrigerador pela primeira vez então, é o máximo! Ele fica completamente intrigado e até enciumado pelo fato do homem ter conseguido reproduzir seu dom. Além disso, tem o fato de eles falarem em português de Portugal, valendo se chamar de "Gajo" e até de "Maricas" (quando estão brabos).

Contudo, torno a repetir que "Os sete" está longe de ser um livro de humor. Vai ter batalhas, sangue, perseguições e acontecimentos macabros. O desenrolar da história se passa com eles tentando perseguir e capturar Eliana, pois como foi seu sangue que despertou Inverno, eles a consideram sua mãe, e por isso querem levá-la com eles de volta para Portugal. Tiago, um dos descobridores da caravela e protagonista da saga, tenta protegê-la à todo custo, e é essa perseguição que dá suspense à história.

Enfim, os Sete é um livro incrível, que, com certeza, se tornou a melhor história de vampiros que já li! Ele tem uma continuação, chamada O Sétimo, que conta a história do único dos sete cadáveres que não foi acordado, exatamente por ser considerado "o Maldito", o mais temido dos vampiros.

Ainda não tive a oportunidade de ler "O Sétimo", mas tenho certeza que, se André Vianco seguiu o ritmo de "Os sete", trata-se de outro excelente livro, digno de concluir essa história que começou tão bem!

quinta-feira, 2 de julho de 2015

O médico e o monstro - Robert Louis Stevenson

Para quem curte literatura com apelo psicológico, “O médico e o monstro” é um prato cheio. Criado por Robert Louis Stevenson, este livro aborda o conflito interno pelo qual todos nós passamos, entre o bem e o mal, o certo e o errado.

Não é apenas uma ficção científica fantasiosa, mas uma grande obra que nos faz pensar o que faríamos se pudéssemos realizar todos nossos impulsos (racionais ou não) sem necessariamente ter que arcar com as consequências.

A história se passa na terceira pessoa e conta a história de um médico integro e respeitado pela sociedade, o famoso Henry Jekyll, de seu empregado sinistro, macabro e extremamente cruel, Edward Hyde e o melhor amigo de Jekyll, o advogado Utterson.

Seu ponto de partida é quando o misterioso Mr. Hyde começa a cometer crimes desumanos e grotescos, sendo, assim mesmo, protegido por Dr. Jekyll, o melhor e mais digno médico da cidade. Isso desperta o interesse de Utterson, que fica ainda mais intrigado quando Jekyll lhe entrega um testamento passando todos os seus bens à Mr. Hyde caso ele morresse ou desaparecesse. Estaria Henry Jekyll sofrendo algum tipo de chantagem? Porque o tão benevolente médico protegeria alguém que parece ter apenas o mal dentro de si?

O médico e o monstro fala, sobretudo, sobre a dualidade de personalidades que cada um tem. A questão principal do livro é a seguinte: todos nós temos dentro de cada um o bem e o mal, sendo que um sempre se sobrepõe ao outro. E se pudéssemos separar estes dois lados, fazendo de cada um uma pessoa diferente… Como cada um deles se manifestaria?

É o tipo de livro que faz seus leitores se questionarem a respeito do caráter de cada ser humano e, principalmente, sobre as graves consequências que podemos ter ao agir por impulso. Reflete sobre os ímpetos e desejos ocultos que cada pessoa possui dentro de si e sobre como agiríamos se manifestá-los não tivesse nenhum outro resultado que não fosse a satisfação de nossas vontades.

Surpreendente, intrigante e extremamente verdadeiro quando se refere aos pensamentos e sentimentos que se escondem atrás da conduta de cada um.

Seis anos depois - Harlan Coben

Repleto de suspense e reviravoltas surpreendentes, “Seis anos depois” conta a história do professor Jake Fisher, que ao passar férias em um retiro, vive uma linda paixão com Natalie Avery. Os dois são arrebatados por um amor intenso e maravilhoso, que os faz passarem os melhores meses de suas vidas e até mesmo planejar um futuro juntos.

Entretanto, quando tudo parece perfeito, Natalie rompe o relacionamento afirmando ter reatado namoro com seu ex e estar de casamento marcado com o mesmo.

O mundo de Jake desmorona com a notícia e, custando acreditar que Natalie possa ter lhe esquecido tão rápido, ele comparece ao casamento, onde vê sua amada nos braços de Todd, oficializando a união, tal como eles haviam planejado fazer. Nesse mesmo dia, Natalie lhe faz jurar que a deixará em paz, que não procurará por ela e que seguirá sua vida. Assim, mesmo com lágrimas nos olhos e o coração dilacerado, Jake cumpre sua promessa. Por seis anos.

Seis anos depois, ela ainda é seu primeiro pensamento ao acordar e o último a dormir e isso se torna ainda mais intenso quando ele se depara com o obituário de Todd, e mesmo sabendo que não é o momento mais oportuno, resolve comparecer ao velório para ver Natalie novamente e saber como ela está.

Chegando lá, Jake se depara com uma outra viúva e, para sua surpresa, descobre que a mesma já estava casada com Todd há mais de dez anos e que seu marido foi assassinado de forma brutal.

Jake então começa a procurar por Natalie, mas, cada vez mais, ela parece uma ilusão. O local onde se apaixonaram aparentemente nunca existiu, as pessoas que conviviam com eles na época do relacionamento afirmam não conhecê-lo, não há registros de Natalie viva ou morta em local algum e nem mesmo uma detetive particular consegue localizar qualquer sinal de sua existência.

Desesperado por respostas e confiante de que sua grande história de amor não pode ter sido uma mentira, Jake se envolve cada vez mais em uma emaranhado de segredos, surpresas e mistérios e, com isso, coloca até mesmo a sua vida em perigo.

Seis anos depois é o tipo de leitura que faz você perder o sono querendo solucionar o grande mistério. Aquela sensação de frio na barriga ao achar que finalmente as coisas vão se ajeitar para depois perder o fôlego ao ver que a verdade está cada vez mais longe. É um livro muito inteligente e habilmente escrito, fazendo jus aos comentários de que tem tudo para ser considerado o melhor livro de Harlan Coben.