Tensão, suspense, medo e calafrios. Essa é a atmosfera que o livro "caixa de pássaros" desperta até no mais cético dos leitores. Eu, que nunca fui fã de livros muito irreais e fantasiosos, nem de temáticas pós-apocalípticas, me apaixonei por essa história e não consegui soltar o livro (e a respiração!) até chegar à última página.
O livro alterna entre passado e presente de um mundo caótico, com poucos e aterrorizados sobreviventes. Não há explicação para o que acontece, nem previsão de haver uma solução. Simplesmente começam a ocorrer inúmeras mortes causadas por algo que está na rua e que, quando visto mesmo que de relance, faz as pessoas se suicidarem da forma mais insana e imediata possível
.
Conhecemos então, Malorie, que descobre estar grávida (e solteira!) exatamente quando as notícias de estranhos suicídios começaram. Logo, todas as mídias divulgam que todos devem fechar suas casas e seus olhos, pois esse perigo está a espreita em todo e qualquer lugar e não há como escapar.
Há quem fique cético no início, mas o mal se espalha de forma tão rápida e cruel, que em cinco anos já restam pouquíssimos sobreviventes no mundo.
Entre esses sobreviventes está Malorie e seus dois filhos, que já nasceram obrigados a nunca, em hipótese alguma, utilizar sua visão. As pessoas andam vendadas. Vivem trancafiadas em suas casas, com medo da menor luz que possa entrar. Malorie encontrou abrigo em uma casa onde vivem outros sobreviventes, mas cada vez os recursos se tornam mais escassos e o pavor mais evidente.
As pessoas tentam se proteger como podem e o sonho de Malorie é dar uma vida melhor para suas crianças, mas sem ao menos enxergar ou saber o que está nas ruas, até sonhar se torna difícil. A narrativa de Josh Malerman é incrível, nos fazendo sentir na pele dos personagens.
A história flui de forma rápida, mas ainda assim é possível se cativar com os personagens, especialmente com Tom (um dos residentes da casa e melhor amigo de Malorie) e as duas crianças. Confesso que várias vezes fiquei incomodada com a forma como Malorie tratava seus filhos, mas fica claro entender a motivação da personagem: ela amava tanto suas crianças, que precisava por vezes ser dura, para que eles aprendessem a estar sempre alerta, sem nunca abrir os olhos.
Os capítulos alternam entre a chegada de Malorie na casa, ainda grávida e desesperada por ajuda, após um trágico evento, seus primeiros anos lá e todos os acontecimentos que levaram até a abordagem do outro momento: Malorie vendada com suas duas crianças, remando à esmo, no meio do nada, ouvindo inúmeros barulhos e sabendo que o perigo está ali, só esperando o menor descuido.
Enfim, é um livro que vale a pena ser lido, especialmente para quem gosta de um belo suspense psicológico com uma pitada de terror. Porém, é necessário que você se permita entrar na história, tomando para si a situação dos personagens, pois assim você entenderá o pânico que estão vivendo e poderá sentir tudo que o livro é capaz de despertar. Você tem que deixar de questionar se isso é possível e acreditar que essa é a realidade. Fazendo isso, o terror é eminente.
Vale ressaltar o único ponto que, para mim, o livro deixou à desejar: em momento nenhum é explicado o porquê desse apocalipse ou o quê existe à espreita. Eu, como sou curiosa demais, queria uma explicação. Confesso que várias vezes torci para que alguém fosse capaz de enxergar e contar o que era, mas as pessoas que cometeram o erro de abrir os olhos não sobreviveram mais do que alguns minutos.
Sobretudo, um pouco de mistério é bom e talvez, se houvesse uma explicação, ela deixaria à desejar, pois sendo dessa forma, o autor explorou o terror psicológico dos leitores ao extremo, deixando a imaginação livre para que o medo tomasse conta.

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