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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

O Adulto - Gillian Flynn

Antes de começar a falar do que se  trata "O Adulto", é válido mencionar que o mesmo foi vencedor do Edgar Award , eleito o melhor conto de 2015. Some isso ao fato de que foi escrito por Gillian Flynn à pedido do ilustre George R. R. Martin e que a própria Gillian já figurou nas listas de mais vendidos do Brasil graças à seu best seller "Garota exemplar". Então, quando soube de sua publicação, as expectativas à respeito não podiam ser melhores. E nem preciso mencionar que, mais uma vez, Gillian me surpreendeu positivamente. 

"O Adulto" conta a história de uma jovem charlatã que ganha a vida praticando trabalhos sujos. Inicialmente, exercia a função de masturbadora em um bordel, mas logo começou a desempenhar também o papel de falsa vidente, afirmando sempre fazer uma boa leitura da aura das pessoas. Quem conhece Gillian sabe que seus personagens sempre têm condutas duvidosas e comportamentos perturbadores e com essa não seria diferente.

Intuitiva e demasiadamente observadora, ela atende especialmente donas de casa ricas e tristes que buscam uma solução para suas vidas entediantes. E é exatamente isso que ela pensa de Suzan Burkes quando a mesma aparece afirmando ter algo errado com sua casa. Entretanto, as coisas se mostram bem diferentes quando fatos perturbadores começam realmente a acontecer.

Susan se mudou para a cidade há pouco tempo com marido, filho e o enteado adolescente e desde então vem notando inúmeras coisas erradas acontecendo. A jovem vidente vai até o local e se depara com um grande mal que parece estar presente em cada canto, intrigando-a cada vez mais.

A partir de então, cada vez mais a história vai sobrepondo um desfecho ao outro, de modo que Gillian confunde seus leitores e mantém, no decorrer de cada uma das sessenta e quatro páginas, o clima macabro de suspense e terror proposto no início. 

Temos uma espécie de brincadeira de gato e rato onde a protagonista vê todas suas certezas e convicções testadas e o mais fantástico desse conto é que cada vez que pensamos estar cientes do que está acontecendo, tudo é desconstruído .

A única coisa que eu mudaria na história seria o fato de ser apenas um conto. Foi tudo tão bem escrito e a proposta é tão interessante, que "o Adulto" merecia um livro inteiro, especialmente pela conclusão magnífica que teve.

Com essa leitura, concluo todos os livros da Gillian Flynn já publicados no Brasil e novamente se torna difícil escolher qual dos quatro é melhor. A autora é a melhor do gênero, sem sobra de dúvidas. Todas suas histórias são repletas de muito suspense, personagens perturbadores e finais surpreendentes. Com "O Adulto" não foi diferente. Agora, aguardo ansiosamente para que ela publique mais uma história fantástica, mas por enquanto a única novidade à respeito é que a autora está produzindo uma série de "Objetos Cortantes", que ainda não tem data prevista para lançamento. 

Sobretudo, vale reafirmar que "O Adulto" é um conto fantástico, super bem escrito e com um final surpreendentemente perturbador, reafirmando o estilo inconfundível da autora e se tornando merecedor do prêmio conquistado. 

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Lugares Escuros - Gillian Flynn

Que eu sou apaixonada pela escrita da Gillian Flynn já não é mais segredo, mas ainda assim, torno à repetir. Para mim, a autora está no topo da lista de melhores autores de thriller psicológicos e é uma das raras que consegue sempre me surpreender. 

Não que eu seja uma expert em desvendar os suspenses propostos, mas a verdade é que pelo menos uma partezinha eu consigo sacar, graças à minha experiência de leitura do gênero. Mas com Gillian, os finais sempre vêm como tapas na cara. Com "Lugares Escuros" não foi diferente.

Nesse livro, conhecemos Libby, uma mulher de 31 anos que ainda sofre os impactos de um trauma que passou quando tinha 7 anos: ela teve sua mãe e irmãs brutalmente assassinadas por machadadas, tiros e estrangulamento e Ben, o seu irmão mais velho foi considerado culpado pelo crime, sendo condenado à prisão perpétua. Libby foi a testemunha chave para tal condenação e, desde então, sua vida nunca mais foi a mesma.

Durante os 24 anos que se passaram após o crime, Libby foi sustentada por doações de pessoas que lamentavam sua tragédia, um grande fundo bancário criado na ocasião para ajudar a pequena e desamparada Libby. Graças à isso, Libby nunca precisou trabalhar ou estudar e levou uma vida desregrada e introvertida, sem nunca lidar direito com tudo o que aconteceu. Porém, quando os recursos desse fundo acabam, ela fica completamente desnorteada, sem saber o que fará para conseguir se manter financeiramente.

Surge então um grupo de jovens fanáticos em desvendar crimes reais, o Kill Club. Eles são completamente fascinados pelo assassinato da família de Libby e insistem na teoria de que Ben é inocente e que Libby só afirmou ter visto o contrário porque tinha apenas sete anos, estava traumatizada e foi induzida à pensar e acreditar nisso. Eles lhe propõe ajuda financeira em troca de remexer o caso, em busca de provas que demonstrem que sua teoria está certa. E, quanto mais mexe no caso, mais Libby vê todas as certezas que achava que tinha sobre aquela noite serem destruídas.

O livro então alterna entre as narrativas à respeito de Libby hoje e de sua mãe e irmão nos dias que antecederam o assassinato. E a história vai ficando cada vez mais complexa, com inúmeras doses de temas complexos como pedofilia, drogas, rituais satânicos, sexo prematuro e as tradicionais personalidades perturbadas que Gillian Flynn sabe explanar tão bem.

Enfim, é uma obra prima. Tão bom quanto "Garota Exemplar" e "Objetos Cortantes". Até hoje não consigo definir qual é melhor ou qual me surpreendeu mais. A escrita de Gillian é rápida e perspicaz e quanto mais você lê, mais curioso fica, mais quer saber, até que você nota que leu o livro inteiro em poucas horas.
Uma coisa posso garantir: acredito, sinceramente, que NINGUÉM foi capaz de adivinhar ou deduzir o que de fato aconteceu naquela noite até o momento em que leu. Eu havia ouvido isso de um leitor e pensei "que nada, vou chutar os fatos mais improváveis e o assassino menos suspeito e estarei certa, pois Gillian sempre faz isso". E chutei. Tinha uns três ou quatro finais imaginários na minha cabeça mas nenhum deles me preparou para o que de fato aconteceu. E, mais uma vez, eu tiro o chapéu pra essa mulher!

O livro tem três opções de capa e eu estou feliz da vida, pois consegui comprá-lo com a original, que combina perfeitamente com as capas dos demais livros e agora tenho a coleção completa! A diagramação é perfeita, como sempre é com os livros da Intrínseca. Foi feita também uma adaptação cinematográfica homônima, a qual tenho certeza que ficou maravilhosa (até porque a própria Gillian estava envolvida no roteiro), mas ainda não tive o prazer de assistir. 

A única coisa que notei de diferença é que no livro Libby é muito baixinha (se não me engano, tem um metro e meio) e ruiva, assim como Ben, e no filme ela é alta e loira, e ele também. Mas, quem se importa com cor de cabelo quando temos uma história absolutamente perfeita, surpreendente e rica em detalhes?!

sábado, 20 de agosto de 2016

Uma crença silenciosa em anjos - R.J. Ellory

“Não sei como alguém pode suportar perder tanta gente e ainda acreditar na bondade fundamental do ser humano.”  Assim é Joseph Calvin Vaughan, e é a história dele que tive o prazer de conhecer lendo "Uma crença silenciosa em anjos", de R. J. Ellory.


O livro começa com Joseph ainda criança, contando sobre o dia em que uma pena branca trazida pelo vento pousou perto dele e desde esse momento, por superstição, ele soube que tratava-se de um aviso da visita iminente da morte. Pouco depois, seu pai vem a falecer, deixando Joseph sozinho com sua mãe e com a crença de que ele havia morrido para se tornar um anjo. 

Desde muito cedo, percebemos que Joseph é uma criança diferente das outras. Ele tem um jeito profundo de pensar e sentir e um grande senso de justiça, acompanhados pela sensação de que é seu dever corrigir as coisas erradas do mundo e proteger todos aqueles que julga necessitados. Joseph tem um coração grande e é muito maduro desde jovem. Tem o dom da escrita e de ver o mundo com uma carga sentimental tão grande, que as vezes chega a tornar o livro pesado, mas posso garantir que vale a pena seguir lendo. 

A história começa a se desenrolar quando uma menina do condado onde Joseph vive é estuprada e brutalmente assassinada, chocando à todos os moradores do pequeno local. Logo, todos começam a tentar entender quem pode ter tido coragem de tamanha crueldade. A menina estudava na mesma classe que Joseph e, apesar de não terem muito contato, ele fica terrivelmente abalado com o crime, sentindo-se até mesmo culpado por não ter evitado que ocorresse.

"Lembro-me da gargalhada dela. Mãe, eu me lembro do cheiro dela... de morango, morango amargo, uma coisa assim. Foi nisso que pensei quando a vi lá em cima... toda despedaçada e jogada ali como uma coisa sem valor nenhum, nenhum. Foi isso que vi, e acho que quando se vê uma barbaridade dessas, não há nada que se possa fazer para apagar as imagens da cabeça da gente, e elas vão ficar gravadas na minha mente até eu ser pasto para as minhocas. Isso muda minha visão das coisas. Me faz pensar que não se pode fazer nada com a vida a não ser vivê-la da melhor forma possível, e se a gente erra, erra pelo menos tentando fazer algo bom, ou tentando fazer algo melhor, ou pelo menos tirando um pouco de conforto e amor de onde pode tirar." 

Porém, esse é o primeiro de uma série de assassinatos que ocorrem ao longo dos anos. Meninas sempre menores de doze anos, todas abusadas sexualmente e assassinadas, esquartejadas e tendo seus membros separados por diversos locais. A cada crime, uma parte de Joseph mudava e uma ferida era aberta em seu peito: ele sentia que precisava fazer algo, precisava impedir que mais meninas fossem machucadas, que mais crianças morressem e famílias sofressem com suas perdas.

Chega então a criar um grupo chamado "os Guardiões", formado por alguns colegas também crianças, se dividindo para vigiar e proteger cada menina que pudesse ser alvo do assassino. Mas logo o grupo fracassa, mais mortes acontecem, e a tristeza e culpa que sente é tão grande, que preferem não se reunir mais.

Acompanhamos todo o crescimento de Joseph. A paixão pela professora, com a qual chega a relacionar-se após adulto (o que no início me perturbou, pois ela dava aula para ele desde criança, mas depois os achei perfeito juntos), as inúmeras perdas e tragédias que sofreu e, principalmente o impacto que cada uma dessas coisas teve no caráter de Joseph. Acompanhamos ele tornar-se um escritor de sucesso, ele ver sua mãe enlouquecer aos poucos devido à um trauma e ele perder uma a uma, cada pessoa que amou e quis proteger. É triste, é pesado, é uma dor poética.

"O amor, mais tarde eu chegaria à conclusão, era tudo para todo mundo. O amor era o que fazia sofrer e parar de sofrer. O amor era mal interpretado, o amor era fé, o amor era a promessa do agora que se tornava esperança para o futuro. O amor era um ritmo, uma ressonância, um reverberação. O amor era estranho e tolo, era agressivo e simples, e com tantas qualidades indefiníveis que nunca poderiam ser transmitidas em palavras. o amor era ser."

O livro tem uma narrativa muito pesada, do tipo que você lê dez páginas e tem a sensação de ter lido cem, não pela quantidade de acontecimentos (os fatos ocorrem muuuuuito lentamente), mas pela profunda carga emocional que cada parágrafo trás. Por esse motivo, várias vezes pensei em abandonar a leitura, mas Joseph me cativou tanto e me vi torcendo tanto por ele, que me forcei a continuar. 

Apesar de intitulado como thriller, vi muito mais drama do que suspense no livro. Os assassinatos seguem por toda a vida de Joseph, inúmeros crimes sem solução que lhe perturbam e impactam em todos os outros aspectos de sua vida adulta e ficamos angustiados para saber quem é o cruel assassino, mas, ainda assim, temos um foco muito maior nas perdas de Joseph, em suas tragédias e na forma como todas essas fatalidades impactaram sua vida pessoal.

O final não chega a ser tão surpreendente (eu, pelo menos, tinha duas suspeitas de possíveis assassinos e uma delas estava correta!) mas no decorrer da história aconteceram pelo menos quatro coisas que me deixaram de queixo caído e coração partido e mais de uma vez me vi como Joseph: querendo ter o poder de corrigir as injustiças e tristezas do mundo.

Se você procura um livro leve e divertido, para se divertir e se descontrair, esse NÃO é recomendado, de forma alguma. Entretanto, se procura uma história profunda, com uma grande carga emocional e profundidade na narrativa, nos personagens, nos sentimentos; esse com certeza será o livro perfeito! 




sábado, 6 de agosto de 2016

Objetos Cortantes - Gillian Flynn

Forte, intenso e perturbador: essas são as três melhores palavras que encontrei para descrever esse livro. Desde Pretty Girl 13 não lia nada que me causasse tamanha estranheza, mas no melhor dos sentidos. Eu sou fã de thrillers, especialmente aqueles como os de Gillian Flynn, onde nenhum personagem parece normal ou puro, mas confesso que "Objetos Cortantes" ultrapassou limites e me tirou o fôlego.

Pela sinopse, já percebe-se: Camile, a protagonista, acaba de sair de um hospital psiquiátrico onde ficou internada por muito tempo para tratar sua tendência à auto-mutilação. Em seu corpo, as marcas permanecem, inúmeras palavras como "vadia", "promiscua" e muitas outras que se inquietam e queimam em seu corpo quando lembra dos motivos que a levaram a fazer cada uma delas. São cicatrizes externas, fora as muitas internas que seu passado sombrio lhe causou. Por esse motivo, há oito anos Camile não volta à sua cidade natal, a pequena Wind Grap, mas isto está prestes a mudar.

Porém, Camile é réporter de um jornal sem prestígio em Chicago e em Wind Grap, crianças estão sendo assassinadas, Jovens meninas, mortas de forma brutal e cruel, tendo seus dentes arrancados. O seu jornal precisa de uma matéria diferente e bombástica para se recuperar da decadência e é por esse motivo que Camile se vê sendo obrigada a retornar à sua cidade natal.

Entretanto, nem os oito anos longe, nem o período internada serviram como preparação para o que Camile teria que lidar: lembranças que tentava a todo custo esquecer, sua mãe neurótica e descontrolada, o padrasto omisso e a meia-irmã tão perturbada quanto desconhecida. Aliás, a cidade inteira parece ser repleta de pessoas insanas e multifacetadas. E chegar lá é apenas o início de uma sucessão de fatos angustiantes e tensos.

Eu li Garota Exemplar antes de ler "Objetos Cortantes", apesar desse ter sido o romance de estreia da autora, Quando comecei a ler, pesquisei a respeito e vi muitas pessoas falando que ele não chegava nem perto da grande maestria que Flynn demonstrou em narrar Garota Exemplar, mas posso afirmar que para mim ambos são sensacionais e que se eu tivesse que optar entre apenas um dos dois, seria Objetos.

O desenrolar da história é todo tenso, você fica completamente apreensivo e não consegue largar o livro enquanto não descobre quem é o verdadeiro assassino, e ai vem a melhor parte: o livro inteiro te dá dicas muito sutis de que possa ser uma pessoa e então é revelado que realmente é essa pessoa. Você se sente o melhor dos investigadores por ter acertado e, (surpresa!!), quando faltam menos de dez páginas para acabar e tudo parece ter sido resolvido, Gillian vem e nos dá um tapa na cara, desconstruindo toda a certeza que tínhamos e derrubando nosso queixo lá no chão!

O livro tem também uma outra versão com o título "Na própria carne", com uma lâmina na capa.
Apesar de essa versão ter mais a ver com a história, fiquei apaixonada pela diagramação da Intrinseca quem como sempre, nos trouxe um livro super caprichado, com capa bonita, fonte em tamanho ideal, bom espaceamento... Fora que a versão "Objetos Cortantes" (preto e azul) combina com as capas de "Garota exemplar" (preto e rosa), "Lugares Escuros" (preto e verde) e "O Adulto" (preto e amarelo), o que para os colecionadores é um presente!


sábado, 23 de julho de 2016

O segredo do meu marido - Liane Moriarty

Diversos personagens, muitas histórias e um segredo: essa é a trama de "O segredo do meu marido", o primeiro livro da Liane Moriarty que li.

Logo no início do livro, conhecemos Cecilia, uma mulher de sucesso, que leva uma vida obsessivamente organizada e agradavelmente harmoniosa ao lado de seu marido John Paul e das filhas Isabel, Esther e Polly.

Cecília tem tudo que uma mulher pode querer: um marido atencioso e amoroso (apesar de eventualmente distante), três filhas saudáveis e espertas, uma carreira bem sucedida como vendedora de Tuppeware e grande reconhecimento na comunidade em que vive, graças à sua grande habilidade de socializar e de fazer tudo com extrema perfeição. Sua vida é segura e previsível, até o dia em que encontra uma carta de seu marido, na qual ele solicita que a mesma só seja aberta após sua morte.

Vamos então, para a história de Tess, que num primeiro momento nada tem a ver com Cecília. Entretanto, Tess também tem um casamento sólido e feliz, ou pelo menos pensa ter, até o dia em que sua prima e melhor amiga Felicity e seu esposo Will revelam estarem apaixonados um pelo outro. O mundo de Tess desmorona, pois se sente duplamente traída. Ela vive ao lado da prima desde que nasceu, a ajudou em todas as fases difíceis (especialmente quando Felicity enfrentava bullying por ser obesa), a viu emagrecer e recuperar sua autoestima e então é apunhalada dessa forma.

Tanto Felicity quanto Will afirmam estar muito arrependidos por magoá-la, mas que a atração que sentiam vinha sendo contida há mais de seis meses e que como conviviam tanto, era impossível freá-la (os três trabalhavam juntos, passeavam, compartilhavam confidências...). Magoada e com raiva, Tess se muda para a casa de sua mãe, levando apenas o filho Liam, de seis anos e "deixando o caminho livre" para que seu marido e melhor amiga possam viver sua paixão.

Por último, mas não menos importante, conhecemos Rachel, uma senhora já idosa que sofre pelo assassinato de sua filha Janie, ocorrido há mais de vinte anos e ainda sem solução. Rachel aposta todas suas fichas que o culpado seja o professor de educação física da escola onde trabalha, Connor Whitby, que foi a última pessoa a ver sua filha com vida e que, aparentemente, estava namorando com a moça. 

Rachel viveu por muito tempo profundamente deprimida pela perda e só reencontrou a sua alegria de viver quando ganhou o primeiro neto, Jacob, filho de seu filho Rob e da nora Lauren, por quem não tem nenhuma simpatia. Entretanto, o mundo de Rachel desmorona novamente quando Rob e Lauren decidem ir embora para Nova York por motivos profissionais, levando seu netinho para longe. 

Depois disso, voltamos para história de Cecília, que por motivos éticos prefere não abrir a carta, mas depois de perceber o desespero de seu marido para que ela destruísse a carta, ela tem sua curiosidade atiçada e resolve desvendar o segredo contido naquelas linhas, escritas há mais de quinze anos. 

As três protagonistas se conhecem apenas de vista, sem nenhum envolvimento íntimo, mas pouco a pouco as histórias vão se ligando, especialmente após o segredo de John-Paul ser revelado (o que acontece na metade do livro). 

Apesar de em determinado momento eu ter suspeitado qual seria o segredo, confesso que é bastante surpreendente e eu fiquei contente por ter deduzido corretamente, uma vez que o livro me agradou muito. 

A narrativa, que no início pode parecer um pouco lenta e confusa, devido à quantidade de personagens, vai se desenvolvendo e instigando o leitor a querer saber cada vez mais sobre o segredo de John-Paul e todas as consequências que ele acarreta para a vida de cada um dos personagens do livro. 

O que mais me chamou atenção em "O segredo do meu marido" foi a grande proposta que o livro trás: ele nos faz refletir sobre todas as possibilidades que temos ao fazer uma determinada escolha, as consequências que essas escolhas trazem e os "e se..." que estão escondidos em cada coisa que deixamos para trás. É um livro revelador, que faz refletir muito sobre como seria nossa vida se tivéssemos tomados outras decisões em momentos que, a princípio, pareciam banais. Um simples atraso, um compromisso desmarcado, um minuto a mais em determinado local... e isso pode alterar toda sua vida.

Outra coisa muito bacana foi a metáfora que a autora nos trás. Esther, uma das filhas de Cecilia, é obcecada pelo Muro de Berlim e está sempre estudando e falando sobre o assunto. Por esse motivo, temos ao longo do livro diversos trechos sobre os momentos que o muro foi erguido e o momento em que foi derrubado e isso serve como metáfora para as personagens que "têm seu muro derrubado" quando o segredo de John-Paul é revelado e elas são obrigadas a lidar com as consequências que ele acarreta.

Como único ponto negativo do livro, colocaria o tamanho da fonte. Eu, que amo as diagramações da Intrínseca, dessa vez me deparei com letrinhas minúsculas que, para uma míope como eu, se tornam dolorosamente difíceis de ler. Contudo, a distribuição dos capítulos é excelente, a capa é linda e o livro é maravilhoso. Foi o primeiro da Liane que ti e agora me vejo cada vez mais ansiosa para ler "Pequenas grandes mentiras", outro grande sucesso da autora.

Há boatos de que a história pode virar filme, mas por enquando não encontrei nada oficial que confirme essas suposições. Mas confesso que estou torcendo muito para que seja verdade, pois trata-se realmente de uma história que merece ir para as telonas!

domingo, 6 de dezembro de 2015

Caixa de Pássaros - Josh Malerman

Tensão, suspense, medo e calafrios. Essa é a atmosfera que o livro "caixa de pássaros" desperta até no mais cético dos leitores. Eu, que nunca fui fã de livros muito irreais e fantasiosos, nem de temáticas pós-apocalípticas, me apaixonei por essa história e não consegui soltar o livro (e a respiração!) até chegar à última página. 

O livro alterna entre passado e presente de um mundo caótico, com poucos e aterrorizados sobreviventes. Não há explicação para o que acontece, nem previsão de haver uma solução. Simplesmente começam a ocorrer inúmeras mortes causadas por algo que está na rua e que, quando visto mesmo que de relance, faz as pessoas se suicidarem da forma mais insana e imediata possível
. 
Conhecemos então, Malorie, que descobre estar grávida (e solteira!) exatamente quando as notícias de estranhos suicídios começaram. Logo, todas as mídias divulgam que todos devem fechar suas casas e seus olhos, pois esse perigo está a espreita em todo e qualquer lugar e não há como escapar. 
Há quem fique cético no início, mas o mal se espalha de forma tão rápida e cruel, que em cinco anos já restam pouquíssimos sobreviventes no mundo.

Entre esses sobreviventes está Malorie e seus dois filhos, que já nasceram obrigados a nunca, em hipótese alguma, utilizar sua visão. As pessoas andam vendadas. Vivem trancafiadas em suas casas, com medo da menor luz que possa entrar. Malorie encontrou abrigo em uma casa onde vivem outros sobreviventes, mas cada vez os recursos se tornam mais escassos e o pavor mais evidente.

As pessoas tentam se proteger como podem e o sonho de Malorie é dar uma vida melhor para suas crianças, mas sem ao menos enxergar ou saber o que está nas ruas, até sonhar se torna difícil. A narrativa de Josh Malerman é incrível, nos fazendo sentir na pele dos personagens. 

A história flui de forma rápida, mas ainda assim é possível se cativar com os personagens, especialmente com Tom (um dos residentes da casa e melhor amigo de Malorie) e as duas crianças. Confesso que várias vezes fiquei incomodada com a forma como Malorie tratava seus filhos, mas fica claro entender a motivação da personagem: ela amava tanto suas crianças, que precisava por vezes ser dura, para que eles aprendessem a estar sempre alerta, sem nunca abrir os olhos.

Os capítulos alternam entre a chegada de Malorie na casa, ainda grávida e desesperada por ajuda, após um trágico evento, seus primeiros anos lá e todos os acontecimentos que levaram até a abordagem do outro momento: Malorie vendada com suas duas crianças, remando à esmo, no meio do nada, ouvindo inúmeros barulhos e sabendo que o perigo está ali, só esperando o menor descuido.

Enfim, é um livro que vale a pena ser lido, especialmente para quem gosta de um belo suspense psicológico com uma pitada de terror. Porém, é necessário que você se permita entrar na história, tomando para si a situação dos personagens, pois assim você entenderá o pânico que estão vivendo e poderá sentir tudo que o livro é capaz de despertar. Você tem que deixar de questionar se isso é possível e acreditar que essa é a realidade. Fazendo isso, o terror é eminente.

Vale ressaltar o único ponto que, para mim, o livro deixou à desejar: em momento nenhum é explicado o porquê desse apocalipse ou o quê existe à espreita. Eu, como sou curiosa demais, queria uma explicação. Confesso que várias vezes torci para que alguém fosse capaz de enxergar e contar o que era, mas as pessoas que cometeram o erro de abrir os olhos não sobreviveram mais do que alguns minutos.

Sobretudo, um pouco de mistério é bom e talvez, se houvesse uma explicação, ela deixaria à desejar, pois sendo dessa forma, o autor explorou o terror psicológico dos leitores ao extremo, deixando a imaginação livre para que o medo tomasse conta.



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Garota Exemplar - Gillian Flynn


Garota exemplar é um thriller de tirar o fôlego. O relato perfeito e detalhado de um casamento que, como muitos, começa perfeito, mas a convivência faz com que a relação fique não somente desgastada, mas doentia.

O livro é intercalado entre relatos de Nick no presente e um diário deixado por Amy, a famosa, extraordinária, linda e perfeita Amy exemplar.

Amy era a mulher que todo homem queria ter e que toda garota queria ser. Era a filha única de um casamento feliz e a inspiração para uma série de livros criadas pelo seus pais, a série Amy Exemplar, que se tornou sucesso mundial e consagrou Amy como a mulher perfeita, adorada e idolatrada por todos. Quando ela e Nick começaram a namorar, ele mal podia acreditar em sua sorte.

Ele, filho de um pai que cruel e violento, temia ter herdado o gene que achava todas as mulheres piranhas desprezíveis, mas quando encontrou Amy viu que poderia fazer diferente, que poderia ser bom. 

Eles construíram o tipo de relação que deixaria qualquer pessoa com inveja. Lindos, apaixonados, bem sucedidos, ricos e felizes. Eles tinham piadas particulares e tradições só deles, como a caça ao tesouro que acontecia em todo aniversário de casamento, sempre com pistas de Amy escritas de forma carinhosa e adorável, que levavam Nick à diversos locais onde viveram algo especial naquele ano, até chegar ao presente no material da boda que comemorariam naquele ano. 

Tudo parecia perfeito, até "o dia do", quando Amy some em seu aniversário de cinco anos de casamento, deixando para trás marcas que demonstravam que ela poderia ter sofrido um assassinato, além de um diário que contava, dia após dia, a destruição do conto de fadas que haviam construído.

Foram encontrados indícios de luta corporal, de muito sangramento pela parte de Amy e de uma tentativa desesperada de disfarçar tudo isso. E, em meio à tudo isso, Nick não parecia nem um pouco com o marido triste e apavorado que todos esperavam encontrar. Nick parecia quase... aliviado, para não dizer culpado.

Pouco a pouco, a história se desenrola de uma forma que cada vez mais temos certeza que nada é como parece ser, mentiras de Nick vão surgindo dia após dia e, quanto mais lemos o diário de Amy, mais vamos chegando perto de concluir o casamento que todos achavam perfeito, tinha se tornado uma relação doentia, repleta de surtos de raiva e fúria, de frieza e ódio. 

Lemos, intercalados com os capítulos onde Nick inventa inúmeras mentiras para provar sua inocência, se torando cada vez mais suspeito, o diário de uma esposa devota e apaixonada, que não entende o motivo de ter deixado de ser amada, até descobrir que o motivo era uma jovem de vinte e três anos, que se tornara amante de Nick.

Vemos relatos de uma esposa que, mesmo traída e magoada, prepara mais uma linda caça ao tesouro em comemoração aos cinco anos de casados, na tentativa de provar ao mundo que quer reconquistar seu marido, que quer perdoá-lo. Até o dia do. 

Não posso falar mais que isso sem dar spoilers, mas posso garantir que essa é uma das histórias mais surpreendentemente chocantes que já li, narrada com uma inteligência e perspicácia tão grandes, que é impossível não ficar pensando na magnitude de cada detalhe, mesmo dias após ter encerrado a leitura.

Gillian Flynn soube explorar de forma incrível a psique humana, desmembrando as relações dos personagens de forma minuciosa e até perturbadora. O final é incômodo, como a sensação de uma pedra no sapato. Não é um final ruim, é um final maravilhoso, é o melhor final que o livro poderia ter, pois manteve seu clima de suspense e insanidade até a última página, deixando qualquer leitor realmente perturbado.

A história ganhou uma adaptação cinematográfica homônima, estrelada pelo fabuloso Ben Affleck, que soube interpretar com maestria cada detalhe da personalidade de Nick, e pela literalmente exemplar, Rosamund Pike. É uma obra totalmente fiel, do início ao fim, que vale a pena ser apreciada (eu já assisti três vezes e em todas fiquei de queixo caído).

Enfim, o livro é dividido em três momentos e, ainda que a primeira parte seja mais parada, recomendo à todos que continuem, pois valerá cada linha, especialmente depois da revelação bombástica que ocorre na segunda parte. Garota exemplar é realmente um livro exemplar, que merece estar na sua estante e ser lido e relido e que, sobretudo, mostra que nem toda relação é como parecer ser.

sábado, 17 de outubro de 2015

Um dia - David Nicholls


15 de Julho. Quem já leu "Um dia", nunca esquece essa data. Imagine pegar um determinado dia da vida de duas pessoas e acompanhar esse mesmo dia em cada ano, no decorrer de vinte anos. isso mesmo, duas pessoas, uma história, vinte anos, um dia. Assim, conhecemos Em e Dex.

A história deles começa em 1988, quando Dexter Mayhew e Emma Morley passam uma noite juntos logo depois sua festa de formatura da faculdade. Apenas uma noite, regada à bebida, sexo casual e um pouco da empolgação que todo recém formado tem. Nessa noite, eles falaram dos sonhos e planos que cada um tinha para seu futuro, divertiram-se juntos e se despediram, mal sabendo que esse 15 de Julho seria o marco para os próximos vinte anos de suas vidas.

Cada capítulo do livro narra um 15 de Julho dos anos seguintes, tanto para Em, quanto para Dex, que se tornaram grandes amigos, deixando esquecida aquela única noite de paixão e substituindo esse sentimento por algo mais terno, repleto de afeto e cumplicidade.

Isso as vezes é meio frustante, pois, num 15 de Julho está acontecendo algo muito empolgante e, do nada, muda de capítulo e o próximo já está falando da mesma data, mas um ano depois, deixando certos vácuos na história. Entretanto, "Um dia" me fez refletir muito sobre como as vezes desperdiçamos nossa vida inteira correndo atrás de certos sonhos quando,  na verdade, o que queríamos estava a um palmo de nosso nariz.

Assim é para Em e Dex. Eles são almas gêmeas. São cúmplices, são melhores amigos e conhecem um ao outro infinitamente. Entretanto, a vida dos dois é tão diferente, e cada um busca seus sonhos de forma tão determinada, que isso só lhes afasta do que realmente importa. 

Outro ponto a ressaltar, é que Dex é um tremendo canalha. Em vários momentos ele admite que sabe que ele e Em são o par perfeito, mas chega a acrescentar que o problema é que gosta dela "e de muitas outras". Ele consegue a tão almejada fama e fica cego por ela e pelas muitas mulheres que o sucesso lhe trás. E, com isso, se torna um especialista na arte de magoar e decepcionar sua fiel amiga e companheira Emma. 

Você lê "um dia" e, a cada capítulo, a cada ano de decepção por esse quase amor mal resolvido, você torce para que no 15 de Julho seguinte as coisas tenham melhorado e eles finalmente tenham conseguido se acertar e perceber aquilo que para todo mundo, tá na cara: Em e Dex foram feitos um para o outro. 

Mas, acima de tudo, "Um dia" me fez refletir sobre a minha vida. Pois vemos também dois jovens que, no primeiro ano narrado, são repletos de sonhos e de amor pela vida, mas esses sonhos acabam lhes tornando pessoas muito diferentes das que esperavam ser e fazendo com que desperdiçassem muitas coisas que poderiam ter.

A cada página, torcia para que Dex fosse menos canalha e para que Em adquirisse um pouquinho mais de auto confiança, pois ela tem a autoestima incrivelmente baixa, enquanto ele se comporta como se fosse o homem mais lindo e desejado do mundo. 

O final me surpreendeu muito, me deu uma sensação de vazio, de injustiça e também de medo, pois "um dia" trata de situações reais, de coisas totalmente possíveis e comuns, então é impossível ler sem tomar um pouco dele para si. É a primeira obra de David Nicholls que leio, mas se o autor mantiver esse nível em suas outras obras, com certeza adorarei ler "Nós" e "o substituto" também!




sábado, 29 de agosto de 2015

O lado bom da vida - Matthew Quick

O lado bom da vida conta a comovente história de Pat Peoples, um dos personagens mais carismáticos e maravilhosos que já vi. Pat tem problemas mentais. Ele ficou durante muito tempo internado numa clínica psiquiátrica, a qual se refere como "o lugar ruim".

Sem se recordar por qual motivo nem por quanto tempo ficou lá, o livro conta a partir do momento em que Pat sai desse lugar e começa a lidar com sua nova realidade, ainda que com muita confusão e ingenuidade. Ele sente falta de Nikki, sua ex-esposa, mas cria em sua mente a ilusão de que eles estão apenas passando um tempo separados e que, nesse tempo, a sua vida funcionará como um filme no qual ele deve constantemente tentar ser uma pessoa melhor, pois só se conseguir isso, terá sua amada de volta.

E é essa devoção por Nikki e a grande vontade de ser alguém melhor que torna a trajetória de Pat tão comovente. Ele realmente se esforça. Muito. Até demais, talvez. Ele pratica exercícios físicos de forma obsessiva, pois acha que Nikki só vai lhe amar e querer de volta se ele tiver um corpo sarado. Ele pratica ser gentil ao invés de ter razão, porque Nikki gostará mais dele se for gentil. Ele busca por livros que Nikki gostava de ler, apenas para que possa impressioná-la quando o tempo separados chegar ao fim e eles tiverem a chance de se ver e conversar. Ele tenta compulsivamente ser bom, se culpando e sofrendo toda vez que toma alguma atitude que Nikki desaprovaria.

"Estou praticando ser gentil ao invés de ter razão. (...) É importante dar valor às boas mulheres em nossa vida antes que seja tarde de mais."

Mas, uma das muitas coisas que Pat esqueceu em sua confusão mental, é o verdadeiro motivo pelo qual ele e Nikki estão separados. E também esqueceu porque sente pânico, raiva e medo cada vez que alguém põe Kenny G para tocar.

Em meio às suas constantes tentativas de se tornar alguém melhor e mais gentil, conhece Tiffany, uma moça também conturbada e instável, que se desestabilizou mentalmente após ter ficado viúva. Tiffany é complicada, rude, sarcástica, introvertida, antissocial e melancólica. Mas, sem um motivo aparente, ela começa a seguir Pat, insistindo em ser sua amiga. 

"Parece triste. Parece com raiva. Parece diferente de todas as outras pessoas que conheço. Ela não consegue fingir aquela expressão feliz que os outros fingem quando sabem que estão sendo observados. Ela não precisa fingir comigo, o que faz confiar nela, de certa forma."

No início, Pat tenta fugir à todo custo, pois o único foco de sua vida é se tornar a pessoa que Nikki quer para acabar com o tempo separados e ter o seu desejado final feliz. Porém, com a ajuda de seu psiquiatra, Pat entende que talvez Tiffany só precise de um amigo e, mais uma vez pensando no quanto Nikki gostaria se ele fosse gentil, ele aceita a aproximação de Tiffany e até concorda em participar com ela de um concurso de dança contra depressão, pois pensa no quanto sua ex-esposa ficaria feliz se ele soubesse dançar.

Como disse antes, a história de Pat é comovente, visto todo seu esforço e dedicação, mesmo que o mundo inteiro ainda esteja confuso e que tenha passado por um trauma tão grande quanto o que passou ao ser internado. Ele só quer ser bom, fazer o bem e ter um final feliz no filme que pensa ser sua vida.

"Não quero voltar para o lugar ruim, em que ninguém acredita no lado bom das coisas, no amor ou em finais felizes."

O livro é narrado pelo próprio Pat, como se fosse um diário. Algumas ideias são repetidas inúmeras vezes, visando esclarecer a forma como a mente dele funciona. Pat é um incansável otimista, chegando a beirar a infantilidade algumas vezes. É também ingênuo demais, o que o torna frágil e desamparado em meio a sua triste condição. É uma leitura deliciosa, com personagens cativantes e um final maravilhoso. O lado bom da vida teve uma adaptação cinematográfica homônima que, infelizmente, apesar da ótima escolha de atores, modificou os principais pontos da história, mudando completamente o sentido e a mensagem que esse magnífico livro tenta nos passar.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Um mais um - Jojo Moyes

A cada livro da JoJo Moyes que leio, fico mais encantada com sua capacidade de criar personagens incríveis, daqueles que nos cativam da primeira à última página. Com "Um mais um", não foi diferente. 

Neste livro, conhecemos a história de Jess Thomas, uma mulher forte, destemida e muito otimista. Apesar de estar na pior, ela faz de tudo para segurar as pontas e sempre acredita que as coisas podem e vão melhorar.

Jess foi abandonada pelo marido há dois anos, ficando sozinha com a responsabilidade de criar sua filha Tanzie e seu enteado Nicky, filho do primeiro casamento de seu ex. Ela trabalha como faxineira durante o dia e como garçonete em um pub durante a noite, tudo para tentar dar uma vida melhor para todos eles.

Além disso, ela vive na tentativa de defender Nicky pelas constantes agressões e bullying que o mesmo sofre na escola, mas isso se torna difícil devido à reserva do jovem e a relutância dele em se abrir e falar do assunto.

Quanto à Tanzie, a garotinha é um verdadeiro prodígio quando o assunto é matemática. Capaz de fazer cálculos complexos e avançados demais para sua idade, Tanzie logo é reconhecida e ganha uma bolsa de estudos para a melhor escola da região. O único problema é que a bolsa não paga o valor integral e, ainda que o restante seja pouco, esse pouco é muito para Jess, devido à sua precária situação financeira.

A única forma de Tanzie conseguir a bolsa integral seria passar nas Olimpíadas de Matemática. Mas estas serão do outro lado do país, e Jess também não tem dinheiro para bancar esta viagem, apesar de querer mais do que tudo dar um bom futuro para sua filha.

Então, surge Ed Nicholls, um geek milionário que está sendo acusado de usar informações privilegiadas sobre o desenvolvimento de um software em sua empresa, o que lhe deixou muito, muito encrencado e precisando se afastar urgentemente. Nicholls também é dono de uma das muitas casas que Jéss trabalha e, ao saber da situação da moça, se propõe à levá-los nessa longa viagem. E a aventura está só começando!

"Um mais um" é o livro mais divertido de Jojo. A viagem que essas famílias fazem conta com um cachorro estabanado, crises de enjoo se a velocidade do carro aumenta, risadas, descobertas, mudanças e, talvez, uma paixão.

É uma história leve, engraçada e ao mesmo tempo comovente. Os personagens, especialmente Jess, Tanzie e Nicky são carismáticos e inspiradores, tornando quase impossível não se apaixonar por eles. O final é surpreendente e faz você querer voltar novamente para a primeira página e reler, de tão bom que este livro é! 

Jojo Moyes, tal como fez em "a garota que você deixou para trás" e em "como eu era antes de você", mostrou ser uma escritora incrível, talentosa e conhecedora dos sentimentos mais profundos e verdadeiros que alguém pode sentir, criando personagens verossímeis e situações cotidianas comuns, as que, escritas por ela, ganham um sentido especial.