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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Lago Místico - Kristin Hannan

Desde que vi Kristin Hannah ser descrita como "A versão feminina de Nicholas Sparks", fiquei curiosa para ler algum de seus livros.  Fã de Sparks e de um bom romance dramático, esperava um livro com uma boa dose de sentimentalismo, muito amor e lágrimas. Optei então por começar por "O lago místico", por me identificar com a sinopse e vejo que não poderia ter escolhido livro melhor. 

É um livro sobre perda. Sobre perder entes queridos, perder um grande amor, perder as esperanças e a vontade de viver. Mas é, acima de tudo, um livro sobre superação. Sobre encontrar forças para recomeçar e para fazer o bem à alguém mesmo quando por dentro estamos destruídos. 

Conhecemos, num primeiro momento, a história de Annie. Mãe e esposa perfeita, dedicou sua vida inteira em função  do marido e filha. Abdicou carreira e sonhos em função de cuidar dos dois, motivo pelo qual se vê completamente sem rumo quando a filha vai para a faculdade e o marido pede o divórcio alegando estar  apaixonado por outra.

Depressiva e sem chão, ela resolve então partir para a cidade de Mystic, um pequeno lugarzinho no interior onde nasceu e cresceu. Lá terá o conforto de seu amado pai e buscará encontrar  a paz e cura para seu coração partido fazendo o que sempre soube fazer de melhor: cuidar dos outros. 

É nesse momento que ela descobre um fato que a deixa ainda mais abalada: sua melhor amiga de infância, Kathy, morreu de forma trágica, deixando seu marido Nick e a filhinha Izzi completamente devastados. Quando mais jovens, Kathy, Annie e Nick eram inseparáveis e apesar de terem perdido contato quando Annie se mudou, ela se vê na obrigação de apoiar Nick nesse momento tão difícil.

Chegando lá, ela encontra um homem muito diferente do Nick que conhecia: agora ele é um policial amargurado pelas inúmeras perdas que sofreu, pelos fantasmas do passado e por não se sentir capaz de consolar e ajudar a própria filha a lidar com a perda da mãe. Nick se afunda cada vez mais no alcoolismo e a pequena Izzie, de apenas seis anos, está completamente traumatizada pelo que aconteceu com sua família.

O livro inteiro é maravilhoso, mas "a cereja do bolo" certamente é Izzie. É impossível ler e não se sentir completamente tocada pela fragilidade e doçura dessa criança. A menininha perdeu sua mãe de uma forma muito dolorosa e viu seu pai, que até então era seu herói, se perder na própria dor. Sentindo-se sozinha e completamente abandonada, Izzie insiste que está desaparecendo: primeiro, para de falar completamente, depois vai parando de usar suas mãozinhas, cobrindo-as com luvas tão escuras quanto está seu coração. Ela para de ir à escola, de sorrir, e sempre tem pesadelos que a assustam e deprimem, mas não tem mais com quem contar, pois seu pai também não consegue lidar com a perda.

Annie começa então a investir todos seus esforços em ajudar essa família, ajudando à si mesma também e curando suas próprias feridas. O que ela mal pode esperar é que o destino ainda lhe revela algumas surpresas que poderão mudar para sempre sua vida e o que sabe sobre si mesma.

"O lago místico" é uma história bonita do início ao fim, profundamente sentimental, dramática, mas também cheia de lições sobre amor e superação. É um prato cheio para os fãs de Sparks, visto que a narrativa e estilo realmente são bem semelhantes, com o diferencial que Hannah é um pouco mais otimista.

Sobretudo, "O lago místico" trás uma linda mensagem sobre encontrar novos caminhos, novas razões para ser feliz quando tudo está perdido. Ensina a importância de uma família, de amar e ajudar o próximo e sobre como fazer o bem à alguém pode curar também a nós mesmos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma carta de amor - Nicholas Sparks

Escrever sobre Sparks é sempre uma tarefa difícil, visto meu amor incondicional pelo autor. Eu procuro as palavras certas e todas elas parecem pouco para definir a maestria com que ele escreve e o amor puro e verdadeiro que é capaz de, com suas histórias, nos fazer acreditar. Com "Uma carta de amor" não foi diferente.

Esse é, provavelmente, um dos livros mais românticos do autor. Um romantismo clássico, do tipo que infelizmente têm sido esquecido. Isso já fica nítido pela forma como os protagonistas se encontram: através de uma carta de amor jogada no mar dentro de uma garrafa.

Antes disso, Theresa Osborne havia passado por um casamento onde amou e foi traída, o que a fez desacreditar do amor. Ela viveu então dedicada ao seu trabalho como colunista e seguiu a vida com praticidade e obstinação, sem se envolver seriamente com ninguém.

Porém, em suas férias, Theresa resolve fazer uma viagem para Cape Cod, onde ao passear pela praia, encontra uma garrafa com uma carta dentro. Curiosa pelo fato inusitado, a colunista resolve ler o conteúdo, achando tratar-se de algo muito antigo e, sem dúvidas, demasiadamente romântico.

Ao ler do que se trata, as certezas de Theresa á respeito da essência da carta só aumentam: trata-se de um texto apaixonado de um homem que aparentemente sofre muito com a perda de sua amada. Entretanto, é nítido que não se trata de um documento tão antigo quanto esperava, o que instiga ainda mais a curiosidade de Theresa. "Que tipo de homem ainda escreve cartas de amor, as coloca em uma garrafa e atira no mar?".

Motivada pela curiosidade, Theresa publica a carta no jornal em que trabalha e logo outras pessoas entram em contato com mais informações à respeito e outras cartas aparentemente do mesmo homem. E então Theresa, cada vez mais encantada com as lindas palavras do homem misterioso, parte em sua busca... E encontra Garret, um viúvo solitário que nunca superou a perda de sua esposa Katherine.

A partir daí, temos mais do mesmo, em parte. Todos os elementos típicos dos livros de Sparks estão presentes: muito romantismo, muita paixão, uma história de amor inesquecível, um final que despedaça nosso coração. Contudo, não concordo que, como muitos dizem, os livros de Nicholas sejam iguais uns ao outro, como muitos falam. O livro é maravilhoso em todos os aspectos e o autor tem o dom de inserir em suas histórias valores esquecidos, sentimentos raros e uma profundidade sem igual. Trata-se de um estilo inigualável, onde é impossível ler sem se emocionar. São livros para serem apreciados por românticos incorrigíveis e amantes das tragédias de amor. Se você não for nenhum dos dois, certamente não apreciará a obra em toda sua extensão.

O livro ganhou uma adaptação cinematográfica, estrelada por Kevin Costner e Robin Wright, que souberam interpretar com destreza os personagens principais, mantendo toda a essência da obra. Ele se assemelha com "Noites de tormenta", outra obra do autor que também trás protagonistas mais maduros que sofrem com mágoas passadas. Entretanto, em "A última carta de amor", temos  a perda como o tema principal e ficam nítidas as reflexões acerca da forma como as pessoas lidam com isso.  Enfim, é uma obra belíssima, carregada de dor, profundidade, e, sobretudo, muito amor. 

sábado, 20 de agosto de 2016

Uma crença silenciosa em anjos - R.J. Ellory

Não sei como alguém pode suportar perder tanta gente e ainda acreditar na bondade fundamental do ser humano.  Assim é Joseph Calvin Vaughan, e é a história dele que tive o prazer de conhecer lendo "Uma crença silenciosa em anjos", de R. J. Ellory.


O livro começa com Joseph ainda criança, contando sobre o dia em que uma pena branca trazida pelo vento pousou perto dele e desde esse momento, por superstição, ele soube que tratava-se de um aviso da visita iminente da morte. Pouco depois, seu pai vem a falecer, deixando Joseph sozinho com sua mãe e com a crença de que ele havia morrido para se tornar um anjo. 

Desde muito cedo, percebemos que Joseph é uma criança diferente das outras. Ele tem um jeito profundo de pensar e sentir e um grande senso de justiça, acompanhados pela sensação de que é seu dever corrigir as coisas erradas do mundo e proteger todos aqueles que julga necessitados. Joseph tem um coração grande e é muito maduro desde jovem. Tem o dom da escrita e de ver o mundo com uma carga sentimental tão grande, que as vezes chega a tornar o livro pesado, mas posso garantir que vale a pena seguir lendo. 

A história começa a se desenrolar quando uma menina do condado onde Joseph vive é estuprada e brutalmente assassinada, chocando à todos os moradores do pequeno local. Logo, todos começam a tentar entender quem pode ter tido coragem de tamanha crueldade. A menina estudava na mesma classe que Joseph e, apesar de não terem muito contato, ele fica terrivelmente abalado com o crime, sentindo-se até mesmo culpado por não ter evitado que ocorresse.

"Lembro-me da gargalhada dela. Mãe, eu me lembro do cheiro dela... de morango, morango amargo, uma coisa assim. Foi nisso que pensei quando a vi lá em cima... toda despedaçada e jogada ali como uma coisa sem valor nenhum, nenhum. Foi isso que vi, e acho que quando se vê uma barbaridade dessas, não há nada que se possa fazer para apagar as imagens da cabeça da gente, e elas vão ficar gravadas na minha mente até eu ser pasto para as minhocas. Isso muda minha visão das coisas. Me faz pensar que não se pode fazer nada com a vida a não ser vivê-la da melhor forma possível, e se a gente erra, erra pelo menos tentando fazer algo bom, ou tentando fazer algo melhor, ou pelo menos tirando um pouco de conforto e amor de onde pode tirar." 

Porém, esse é o primeiro de uma série de assassinatos que ocorrem ao longo dos anos. Meninas sempre menores de doze anos, todas abusadas sexualmente e assassinadas, esquartejadas e tendo seus membros separados por diversos locais. A cada crime, uma parte de Joseph mudava e uma ferida era aberta em seu peito: ele sentia que precisava fazer algo, precisava impedir que mais meninas fossem machucadas, que mais crianças morressem e famílias sofressem com suas perdas.

Chega então a criar um grupo chamado "os Guardiões", formado por alguns colegas também crianças, se dividindo para vigiar e proteger cada menina que pudesse ser alvo do assassino. Mas logo o grupo fracassa, mais mortes acontecem, e a tristeza e culpa que sente é tão grande, que preferem não se reunir mais.

Acompanhamos todo o crescimento de Joseph. A paixão pela professora, com a qual chega a relacionar-se após adulto (o que no início me perturbou, pois ela dava aula para ele desde criança, mas depois os achei perfeito juntos), as inúmeras perdas e tragédias que sofreu e, principalmente o impacto que cada uma dessas coisas teve no caráter de Joseph. Acompanhamos ele tornar-se um escritor de sucesso, ele ver sua mãe enlouquecer aos poucos devido à um trauma e ele perder uma a uma, cada pessoa que amou e quis proteger. É triste, é pesado, é uma dor poética.

"O amor, mais tarde eu chegaria à conclusão, era tudo para todo mundo. O amor era o que fazia sofrer e parar de sofrer. O amor era mal interpretado, o amor era fé, o amor era a promessa do agora que se tornava esperança para o futuro. O amor era um ritmo, uma ressonância, um reverberação. O amor era estranho e tolo, era agressivo e simples, e com tantas qualidades indefiníveis que nunca poderiam ser transmitidas em palavras. o amor era ser."

O livro tem uma narrativa muito pesada, do tipo que você lê dez páginas e tem a sensação de ter lido cem, não pela quantidade de acontecimentos (os fatos ocorrem muuuuuito lentamente), mas pela profunda carga emocional que cada parágrafo trás. Por esse motivo, várias vezes pensei em abandonar a leitura, mas Joseph me cativou tanto e me vi torcendo tanto por ele, que me forcei a continuar. 

Apesar de intitulado como thriller, vi muito mais drama do que suspense no livro. Os assassinatos seguem por toda a vida de Joseph, inúmeros crimes sem solução que lhe perturbam e impactam em todos os outros aspectos de sua vida adulta e ficamos angustiados para saber quem é o cruel assassino, mas, ainda assim, temos um foco muito maior nas perdas de Joseph, em suas tragédias e na forma como todas essas fatalidades impactaram sua vida pessoal.

O final não chega a ser tão surpreendente (eu, pelo menos, tinha duas suspeitas de possíveis assassinos e uma delas estava correta!) mas no decorrer da história aconteceram pelo menos quatro coisas que me deixaram de queixo caído e coração partido e mais de uma vez me vi como Joseph: querendo ter o poder de corrigir as injustiças e tristezas do mundo.

Se você procura um livro leve e divertido, para se divertir e se descontrair, esse NÃO é recomendado, de forma alguma. Entretanto, se procura uma história profunda, com uma grande carga emocional e profundidade na narrativa, nos personagens, nos sentimentos; esse com certeza será o livro perfeito! 




segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

TAG: Cinco livros para chorar rios!

Boa noite, galera bonita!

Depois de algum tempo sem postar, devido à correria dos últimos meses, aqui estou eu com muita saudade e com uma TAG nova sobre os cinco livros para chorar rios, mares, oceanos! 

Confesso que foi uma TAG difícil, pois fiquei em dúvida entre uns dez livros! Eu, chorona de carteirinha e adepta à romances dramáticos me vi indecisa sobre quais cinco trazer para esta lista, mas então usei o seguinte critério: esses cinco livros, além de me fazerem chorar horrores, me deixaram com uma baita ressaca literária, tanto que depois de alguns deles cheguei a passar meses sem conseguir ler nada (para vocês verem o quão impactantes eles são!) 

Então, chega de blá, blá, blá! Preparem seus lenços, peguem um bom copo d'água para repor a desidratação que as lágrimas trarão e, vamos lá!


1. Dançando sobre cacos de vidro - Ka Hancock

Esse livro está na lista de meus preferidos (aliás, os cinco que citarei estão!), com um valor inestimável pelo tema que aborda e pelos valores que demonstra. Nele, conhecemos Lucy, uma mulher forte e amorosa, querida por todos e vinda de uma família maravilhosa que, infelizmente, teve todas as mulheres levadas pelo terrível câncer de mama. Dessa linhagem, sobreviveram Lucy e suas duas irmãs, mas elas vivem à espreita da aparição desse inimigo silencioso que levou sua mãe e avó.  Contrariando qualquer regra de sensatez, Lucy se apaixona por Mickey, que sofre de um grave transtorno bipolar. Os dois acabam se casando (não é spoiler, o livro começa a partir disso!) e juntos entendem que o casamento é como uma dança: bela e fácil as vezes, mas em outras dançarão sobre cacos de vidro, especialmente quando tomam a difícil decisão de nunca terem filhos para não passar sua genética arruinada (também não é spoiler!!). O livro é maravilhoso por inúmeros motivos mas, principalmente, pela forma como Lucy e Mickey enfrentam as dificuldades, demonstrando uma relação rara e belíssima, digna de arrancar lágrimas até do mais frio dos leitores.

2. Querido John - Nicholas Sparks

É claro que nessa lista não poderia faltar meu queridinho do drama. Sou apaixonada por Sparks e foi muito difícil não colocar TODOS os livros desse mestre nessa TAG, mas eu fui forte e optei por Querido John.Engana-se quem pensa que conhece a história por ter visto o filme, pois ambos são completamente diferentes (e as diferenças são significativas para a história!). O livro é triste por inúmeros motivos: um amor à distância, as dificuldades da guerra, a realidade de uma criança autista e de um idoso com síndrome de Asperger, a relação de John com o pai dele (e a forma como aprende amá-lo e compreendê-lo). Junte tudo isso à um final estupendo, surpreendente e magnífico e você tera a receita per feita para a produção de um enorme rio de lágrimas!

3. Proibido - Tabitha Suzuma 

Confesso que fiquei na dúvida sobre falar desse livro ou não, pois sei que se trata de uma história MUITO polêmica. Mas é impossível falar de livros tristes sem logo pensar em proibido. O tema é incesto. Sim, pesado, polêmico, um grande tabu. Dois irmãos legítimos que se apaixonam. Podia ser horrível, grotesco e asqueroso, mas Proibido só consegue ser lindo, perfeito e comovente. Nele, vemos os irmãos Maya e Lochan. frutos de uma família desajustada e com pais completamente negligentes lutarem contra um sentimento lindo que não querem sentir, mas que é inevitável para os dois: o amor. O livro me fez rever muitos conceitos, pois ele analisa o incesto de uma forma completamente diferente da que sempre pensamos. Nesse caso, ninguém foi forçado ou influenciado. Os dois simplesmente se apaixonaram. E que mal poderia haver no amor, quando o mundo está cheio de sentimentos ruins à serem combatidos? Enfim, leia e tire suas próprias conclusões, mas esteja ciente das muitas lágrimas que surgirão com elas.

4. Como eu era antes de você - Jojo Moyes

Esse livro vai virar filme agora em 2016, além de já ter uma continuação que eu ainda não tive oportunidade de ler (depois de você). Ele conta a história de Will, um cara super atlético, namorador, rico e feliz. Will tinha tudo que um homem podia querer: aventura, diversão, mulheres, dinheiro. Até o trágico acidente que lhe deixou completamente imóvel, fazendo com que sua namorada lhe deixasse e toda sua vida se resumisse em fica em cima de uma cadeira de rodas, dependendo dos outros até para comer ou ir ao banheiro. Então surge Louisa, contratada para cuidar de Will e dessa experiência vamos conhecer a história mais linda, triste e injusta de todos os tempos.

5. Corações Feridos - Louisa Reid

Esse é o livro mais pesado entre os cinco que citei. Ele conta a história de duas irmãs gêmeas (Hephzibah e Rebecca). Enquanto Hepz nasceu linda, extrovertida e ousada, Rebecca nasceu com uma síndrome que lhe deformou completamente o rosto, além de ser mais tímida e contida. Enquanto o livro já inicia com Hepz morta, Rebecca nos conta os trágicos acontecimentos que levaram até a morte da irmã. O livro aborda temas como fanatismo religioso, maus tratos infantil e outros ainda mais pesados, os quais prefiro não citar para não dar spoiler! É triste, revoltante e totalmente chocante, garantindo não só as lágrimas, mas um grande sentimento de impotência quanto às maldades da vida.

É isso ai, meus queridos! Espero que tenham gostado da lista e sintam-se à vontade para postar nos comentários mais livros do gênero! Um grande abraço à todos!

ps: se quiserem conhecer mais sobre os livros citados, há resenha detalhada de todos eles no blog!

sábado, 12 de dezembro de 2015

Joyland - Stephen King

Ler Joyland é realmente como se aventurar num perigoso brinquedo de parque: você terá momentos de medo e de diversão e, quando acabar, com certeza ficará com aquela nostalgia e aquele gostinho de quero mais.

Confesso que na primeira vez que tentei ler Joyland, não consegui prosseguir com a leitura. Talvez por estar com uma ressaca literária (culpa do livro "Um mais um, da Jojo Moyes"), mas o ritmo de Stephen King simplesmente não me prendeu. Eis que agora, meses depois, decidi dar uma segunda chance ao livro e posso dizer que esta foi a melhor decisão que eu poderia tomar. 

Joyland conta a história de Devin Jones, um jovem que resolve passar as férias da faculdade trabalhando em um parque de diversões quase falido (Joyland). Quase ao mesmo tempo que suas férias começam, Devin tem seu coração partido pelo seu primeiro grande amor, o que lhe leva a focar de vez em seu trabalho, na tentativa de tirar Wendy da cabeça e do coração.

Logo nos primeiros dias do trabalho, Dev descobre que tem o que eles chamam de "alma de parque", pois aprende tudo muito rápido, faz amigos e é o melhor Howie do parque. (Howie é um personagem interpretado pelos novatos, que nos dias de apresentação colocavam uma roupa de cachorro e saiam dançando e fazendo performaces para alegrar as crianças).

Dev descobre também sobre a famosa lenda que cerca o trem fantasma do parque: anos antes, uma menina chamada Linda Gray teve sua garganta cortada pelo namorado enquanto brincavam no trem e o mesmo apenas trocou de roupa para não ser reconhecido e fugiu ileso, fazendo com que anos depois o espírito da moça ainda rondasse o local, clamando por justiça.

No início, Dev não acredita muito, mas se sente tocado pela história e passa a gastar seu tempo livre pesquisando sobre o assunto e tentando desvendar o mistério, não só para que o espírito de Linda possa descansar, mas também para que possa tirar sua amada Wendy do pensamento.

Logo em suas primeiras semanas, o rapaz também ouve da vidente local que ele conheceria duas crianças: uma menina com uma boneca e um menino com um cachorro. Dev não deu importância para a previsão, mas então os fatos começam a se comprovar e, nesse momento, a história fica ainda mais repleta de mistério, diversão e uma certa dose de melancolia.

Não há como falar mais sem dar spoilers, mas o que posso dizer é que Joyland me surpreendeu positivamente. Eu, que no início achei a história meio parada e sem nexo, me vi realmente comovida pelo final e, principalmente, encantada com os personagens, especialmente Devin, Mike, Anne, Erin e Eddy.

Nunca havia lido nada do King, apesar de ser super fã dos filmes baseados em seus livros. Sempre ponho os livros dele na lista de compras, mas acabam aparecendo outros na frente e eu fico procrastinando, dessa forma não tenho como comparar Joyland com outros livros do mestre. 

O que posso dizer, é que trata-se de um livro que tem um pouquinho de tudo: suspense, aventura, mistério, drama, terror e diversão. É uma obra completa, incrível e com um final que se divide entre o surpreendente e o melancólico mas que, sobretudo, merece ser lido e apreciado!




sábado, 12 de setembro de 2015

Um amor para recordar - Nicholas Sparks

Um bad boy. Popular, esnobe, imaturo e um pouco canalha. Uma menina meio sem graça, nerd, que nunca tirava seu suéter e vivia com a bíblia nas mãos. Ele era cobiçado por várias. Ela era o "patinho feio" da escola. Parece uma história comum e lotada de clichês, não é mesmo? Pois saiba que não é.

"Meu nome é Landon Carter, e tenho 17 anos.  Esta é a minha história - e prometo contar tudo.  No início você vai sorrir e, depois chorar - não diga que não avisei."

"Um amor para recordar" é, como todos os livros de Nicholas Sparks, comovente e maravilhoso do início ao fim. 

Narrado em primeira pessoa, ele conta a história de Landon Carter, um jovem estudante acostumado com uma vida fácil, na qual era rico, popular e inconsequente. Landon nunca aceitou o fato de seu pai ter saído de casa, motivo pelo qual recusa qualquer tentativa de aproximação do mesmo.

Com ele,  compartilhando a mesma escola desde séries ianto eleniciais, está  Jamie Sullivan. Mas Jamie não era o tipo de menina com quem Landon sequer falasse. Tímida, reservada e muito religiosa, Jamie era filha do pastor, cantava no coral da igreja, participava das peças de teatro na escola e, nas horas vagas, ia até o cemitério para observar estrelas. 

Porém, contra todas as probabilidades e por circunstâncias do destino, Landon e Jamie passam a ter que trabalhar juntos em uma das peças e, mesmo com ela advertindo-o para que jamais se apaixonasse por ela (uma ideia que no início ele ridiculariza), os sentimentos dele passam a se tornar cada vez mais fortes e intensos conforme vai conhecendo Jamie.

Sobretudo, um amor entre duas pessoas tão diferentes quanto eles pode ser qualquer coisa, menos simples. Especialmente depois que Landon descobre sobre uma lista criada por Jamie e um enorme e doloroso segredo que acompanha essa lista. 

"Um amor para recordar" é uma linda e emocionante história sobre a importância de um verdadeiro amor, daquele tipo que é paciente e bondoso e que, como citado pela própria Jamie:

 "Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não sente ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

domingo, 16 de agosto de 2015

A mais pura verdade - Dan Gemeinhart

Como diz na própria sinopse do livro, em todos os sentido que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro fofo e super companheiro, chamado Beau e uma amiga muito verdadeira e leal, chamada Jessie. Mark tem um câmera com a qual adora fotografar e tem o sonho de escalar uma montanha, como há muito tempo prometeu para seu avô que faria.

Mas, á algo que Mark tem e que lhe torna diferente das demais crianças de sua idade. Mark tem câncer. Daqueles sem cura,  que envolve longas internações no hospital e muitas lágrimas para toda a família. Que envolve sofrimento, dor e esperas intermináveis.

Então, Mark resolve dar um basta em todo o sofrimento, partindo em busca do que pode ser a última aventura de sua vida: escalar a tão sonhada montanha, fugido de casa, acompanhado pelo seu inseparável amigo Beau e pela sua câmera, sem contar a verdade à ninguém.

O livro tem uma leitura fácil e rápida. As letras são grandes e há muito espaço entre um capítulo e outro, o que faz possível ler todo em poucas horas. É uma história comovente, com narrativa alternada entre Mark e  Jessie, que apesar de muito pequenos, possuem um forte laço de amizade, lealdade e carinho.

Como se conhecem muito bem, Jessie é a única pessoa que imagina onde Mark pode estar, pois sempre soube que seu amigo sonhava em escalar as montanhas. Entretanto, como é muito leal ao amigo, ela se vê dividida entre guardar o seu segredo ou contar a verdade para amenizar o sofrimento dos pais dele e para possivelmente ajudá-los a encontrar Mark antes que  o pior aconteça.

"A mais pura verdade" é um bom livro. Eu nunca havia lido nada de Dan Gemeinhart, mas posso dizer que gostei bastante da forma leve e fluída que a leitura discorreu. Não achei o livro tão dramático quanto parecia ser, mas ele realmente tem momentos de apertar o coração, principalmente pelo fato de Mark ser muito pequeno para já enfrentar tamanho sofrimento.

Como pontos mais fortes eu descreveria a amizade entre ele e Jessie, pois ainda que sejam duas crianças, ambos apresentam um companheirismo e devoção raro de ser. O cachorro Beau também é uma fofura, dando, em certos momentos, um certo humor e graça para o livro, apesar da nuvem triste que costuma pairar em histórias sobre câncer.

Sobretudo, "A mais pura verdade" não trata-se de um livro sobre câncer. Bem longe de ser o foco, a doença é citada em poucos momentos, apenas para justificar o motivo da raiva e sentimento de injustiça que Mark as vezes apresenta. Essa é uma história sobre novas descobertas, sobre amizade e sobre buscarmos sempre realizar nossos sonhos, independentemente das circunstâncias.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

O maior amor do mundo - Seré Prince Halverson

É impossível falar em maior amor do mundo sem logo pensar no amor de mãe, que é um dos sentimentos mais intensos, puros e maravilhosos que experimentamos ao longo da vida (seja no papel de mãe, ou de filho). Então, Seré Prince ilustrou com clareza e magnitude esse sentimento neste livro incrível, publicado pela editora Arqueiro.

Nele, conhecemos a trajetória de Ella Benne, uma mulher forte e muito íntegra, que sempre sonhou ser mãe. Em seu primeiro casamento, Ella tentou engravidar inúmeras vezes, frustando-se em todas elas, motivo pelo qual resolveu se divorciar e sair viajando sem rumo.

Entretanto, ao passar pela cidade de Elbow, ela encontra o que parece ser seu lugar no mundo. Um lar acolhedor, duas crianças adoráveis que haviam sido abandonadas pela mãe e um pai solteiro que logo se apaixonou por ela.

Tratava-se de Joe Capozzi, pai de Annie e Zach, que tinham apenas três anos e dois meses, respectivamente. Ella mal podia acreditar em sua sorte por encontrá-los, pois logo se apaixonou por Joe também e ocupou o papel de mãe que aquela família tanto precisava.

Juntos, os quatro formavam uma família amorosa, unida e muito feliz e foi assim por muitos anos, até Joe morrer afogado em uma trágica tarde, desmoronando o mundo de Ella e das crianças.

Como se não bastasse tamanho sofrimento, ainda no funeral de Joe, aparece Paige, mãe biológica das crianças e a mesma afirma querer recuperar o tempo perdido e a guarda de Annie e Zach.

O livro é maravilhoso, intenso e trata de uma questão muito importante. Afinal, uma mulher que cria, educa e dá amor para uma criança que não gerou se torna menos mãe por não ter laços biológicos com essa criança? Não seria mãe aquela que cria, que constrói vínculos, que ensina valores, que está junto em momentos importantes e que sacrifica noites de sono cuidando, trocando fraldas e satisfazendo as necessidades do filho, sejam elas físicas ou emocionais?

"O maior amor do mundo" é narrado em primeira pessoa, diretamente por Ella, o que nos faz conhecer ainda mais a personagem, nos afeiçoando à ela por seu grande caráter e pela forma amorosa como cuida de Annie e Zach. As crianças são adoráveis, cativando o leitor desde a primeira página e e é impossível ler esse livro sem querer correr para dar um abraço bem apertado em sua mãe e agradecer por todo esse amor, que realmente é o maior do mundo.

Um ponto interessante do livro é que o motivo pelo qual Paige abandonou as crianças foi algo que até então havia sido escondido de Ella e que, quando revelado, nos faz conhecer mais sobre um assunto que é pouquíssimo abordado em livros (eu pelo menos, nunca havia lido nada sobre isso). 

Confesso que, mesmo quando esclarecido o que aconteceu no tempo em que abandonou seus filhos, eu continuei não gostando de Paige e achando que nada nesse mundo é justificativa para tal ato, mas sei também que certas coisas só compreendemos ao sentir, então não é válido julgá-la como uma má pessoa.

"O maior amor do mundo" trata-se de um livro fácil, agradável e marcante. Por vezes é engraçado, por vezes, comovente. Vale a pena tê-lo em sua estante!



sábado, 8 de agosto de 2015

Um longo caminho para casa - Danielle Steel

Aos sete anos de idade, Gabriella sofre constantes maus tratos de sua cruel mãe e não consegue entender o motivo pelo qual é tão odiada. Seu pai, por quem ela tem um grande carinho, é omisso e parece não se importar realmente com os inúmeros espancamentos e xingamentos que ela recebe. 

Ainda assim, ela o ama. E, acima desse amor, Gabriella tem uma necessidade gigante de ser amada, a qual parece nunca saciar. Esse vazio aumenta ainda mais quando seu pai lhes abandona para viver com outra mulher, sem nem mesmo se despedir.

"Muito cedo, Gabriella compreendera o que era importante e o que não era. O amor representava tudo para ela. Sonhava com ele, e sobre ele, pensava e escrevia. O amor era o que lhe havia escapado completamente na vida."

Como se não bastasse tanto sofrimento, Gabbie é largada em um convento para ser criada por freiras, uma vez que sua mãe não lhe suportava. Porém, o que no início parece ser um terrível castigo, mostra-se na verdade como uma grande benção, pois é através das adoráveis freiras que Gabriella sente-se amada e querida pela primeira vez na vida.

Então, Gabbie cresce e decide também tornar-se freira, pois tem medo de abandonar o mundo que conhece e as únicas pessoas que lhe deram amor. Mas o que ela não esperava, é que nesse lar tão protegido que criou para si, fosse apaixonar-se por um padre, o que desmorona novamente toda sua vida.

"Um longo caminho para casa" é uma história intensa, de uma jovem forte que passou por muitas coisas difíceis e dolorosas, mas nunca deixou que isso endurecesse seu coração, nem a tornasse amargurada. De uma jovem que passa por inúmeras provações até encontrar seu caminho de casa.

Danielle Stell tem uma escrita simples e comovente, proporcionando uma fácil identificação com os sentimentos e pensamentos dos personagens. Gabbie tem um carisma inigualável e, apesar de muitas vezes achar que é frágil, tem uma força indescritível. É um livro com uma boa dosagem de drama, mas também inspirador e com uma linda mensagem sobre força e superação.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Com amor, Anthony - Lisa Genova

"Com amor, Anthony" é o primeiro livro de Lisa Genova que leio e posso dizer que a autora não me decepcionou nem um pouco! Eu ia começar lendo "Para sempre Alice", mas quando vi que "Com amor, Anthony" tratava sobre autismo, logo não resisti. O livro conta, paralelamente, a história de duas mulheres muito fortes, mas que estavam passando por um momento difícil e doloroso. 

Olivia era casada com David e ambos levavam uma vida tranquila e feliz, até o nascimento de seu primeiro e único filho, Anthony. Durante os três primeiros anos de Anthony, tudo correu bem, mas, pouco a pouco, seus pais foram notando que havia algo errado com seu bebê. O menino não falava, mas gritava muito. Tinha obsessão por regras e ficava bastante nervoso quando algo fugia da rotina. Suas maiores paixões eram enfileirar pedras brancas em uma mesma ordem e assistir as episódios do dinossauro Barney. Anthony não dava beijos e abraços. Jamais olhava alguém nos olhos. Nunca brincava ou se comunicava como as outras crianças de sua idade. Anthony era autista.

Inicialmente, tanto Olivia quanto David não souberam aceitar o fato de que seu filho jamais seria igual as outras crianças. Logo, tornaram-se obsessivos em realizar todas as terapias e tratamentos possíveis para tentar reabilitar Anthony, mas essas tentativas só acabaram por afastá-los cada vez mais. Então, quando estavam aprendendo a conviver com as limitações e peculiaridades de seu filho, o menino morre de forma trágica, aos oito anos de idade, devastando-lhes e destruindo o que restava de seu casamento.

Na tentativa de se recuperar da profunda depressão em que caiu, Olivia vai embora para a Ilha de Nantucket, onde conhece Beth. Esta, por sua vez, também passava pelo próprio drama, ao descobrir que o marido Jimmy lhe traia há quase um ano. O que Olivia e Elizabeth ainda não sabem é que suas vidas estão muito mais ligadas do que podem imaginar e juntas elas farão descobertas que podem curar para sempre seus corações feridos. 

A narrativa intercala entre as vozes de Olivia, Beth, o diário de Olivia da época em que Anthony era vivo e o livro que Beth está escrevendo. É uma linguagem fácil e agradável. Minha única crítica seria o fato de que a autora enrola demais, levando várias páginas (ou até capítulos!) para contar algo que poderia ser dito em apenas um parágrafo. Ela relata inúmeros acontecimentos superficiais, que nada influem na história, tornando as vezes a leitura um pouco cansativa, mas posso afirmar que no final terá valido a pena!

Um ponto forte do livro é que, principalmente nas partes narradas pelo diário de Olivia e pelo livro de Beth, podemos conhecer com mais clareza o universo de uma criança autista. Seu comportamento, pensamentos e atitudes são muito bem explanados, tornando a obra uma fonte enriquecedora de conhecimento sobre o assunto. 

Lisa Genova faz palestras sobre mal de Alzheimer (tema do seu livro "Para sempre Alice"), lesão cerebral (narrado em seu "Nunca mais Rachel") e autismo, agora no livro "Com amor, Anthony".

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Pretty Girl 13 - Liz Coley

Pretty Girl 13 é o tipo de livro que, enquanto você não chega à última página, não consegue soltar. Uma história impressionante, comovente e diferente de tudo que já li. Mas, acima de tudo, vale informar que trata-se de um livro muito forte, não recomendado para quem gosta de temas leves e alegres.

Dividida em três partes (você, nós, eu), esta incrível obra conta a história de Angie, começando quando a menina tinha treze anos e estava em um acampamento de escoteiro. Ela sai a procura de uma árvore para fazer suas necessidades em uma madrugada e nota que está sendo observada. Depois disso, desaparece completamente, sem que ninguém tenha notícias dela. Por três anos.

Então, quando todos achavam que ela havia morrido, Angie reaparece na porta de casa, com cicatrizes profundas, corpo de mulher e sem a mínima ideia do que aconteceu no tempo que esteve sumida. Para ela, haviam se passado apenas algumas horas do momento em que estava no acampamento, motivo pelo qual ela entra em choque ao se olhar no espelho e ver como está mudada, além da reação que todos apresentam ao ver que ela estava de volta.

Logo, começam as inúmeras perguntas sobre o que se passou e onde ela esteve, mas Angie não consegue se recordar de absolutamente nada. Sobretudo, se sente perdida e um pouco magoada com o fato de seus pais já parecem ter superado sua perda. 

Angie começa então a fazer tratamento com uma psicóloga e é nesse momento que surge a parte dois (nós), que é a mais intrigante do livro, Apenas algumas consultas são suficientes para Angie descobrir que sofre de um Transtorno Dissociativo de Personalidade (TDI), também conhecido como "transtorno de personalidades múltiplas".

Afetando em torno de 7% da população mundial, esse transtorno surge como uma defesa do corpo para bloquear certos traumas ou lembranças dolorosas (especialmente se sofridos na infância). É como se sua mente criasse outra pessoa (chamada de alter), com outra personalidade, auto-imagem e percepção de mundo para viver um trama ou lembrança que seja insuportavelmente doloroso.

Quem sofre desse transtorno, possui dentro de si um ou mais alters capazes de lidar com seus medos e traumas e, no momento que isso está acontecendo, é como se outra pessoa assumisse o corpo daquela primeira que, posteriormente, não se lembrará de nada. Quando a situação de perigo ou medo passa, surge a incapacidade de recordar informações pessoais importantes do período, em uma extensão demasiadamente abrangente para ser explicada como um esquecimento normal, que foi o que aconteceu com Angie.

Então, ela precisa confrontar cada um dos seus alters (que são vários) e enfrentar os medos, traumas e mágoas que cada um deles sofreu, pois só assim terá chance de encontrar a si mesma e levar uma vida normal.

O ponto mais forte e impactante do livro é esse, motivo pelo qual alertei que Pretty Girl 13 não é recomendado para leitores muito sensíveis. Desvendando cada um de seus alters, Angie descobre muitas coisas sobre si mesma que jamais imaginou, coisas realmente dolorosas e crueis.

Pretty Girl 13 é narrado com clareza e objetividade, de forma que conseguimos sentir na pele a angústia e desespero vividos por cada Alter. É impossível ler esta obra sem "entrar na história", sentir a revolta, a dor, a sensação de impotência diante dos fatos. Surpreendente. chocante e impressionante é o mínimo que podemos usar para descrever este livro!


domingo, 2 de agosto de 2015

Diário de uma paixão - Nicholas Sparks

"Não sou nada de especial, disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, levei uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e meu nome logo será esquecido. Mas amei outra pessoa com toda minha alma e coração e para mim isso sempre foi o bastante."

Assim começa uma das histórias de amor mais lindas de todos os tempos, escrita pelo mestre Nicholas Sparks e publicada originalmente como "O caderno de Noah". 

Diário de uma paixão é narrado por Noah, o personagem mais romântico e cavalheiro sobre o qual já li. Ele conta sobre seu primeiro e único amor e sobre como essa paixão lhe deixou marcas pela vida inteira.

Noah e Allie se conhecem ainda muito jovens, na Carolina do Norte, onde Noah residia e Allie havia ido passar as férias. Foi amor à primeira vista, pelo menos da parte dele.

Eles eram absurdamente diferentes. Ela vinha de família rica, tinha traçado um futuro brilhante e fazia parte da alta sociedade. Ele morava apenas com seu pai, trabalhava cortando madeiras e não tinha planos de sair de sua cidade ou fazer faculdade. Ainda assim, não demorou muito para que, com toda sua insistência e gentileza, Noah conquistasse Allie.

Logo, os dois estavam perdidamente apaixonados, vivendo o mais lindo romance de verão, o que desagradou bastante a família de Allie. Assim, seus pais em seguida resolveram acabar com as férias e ir embora da cidade.

Com o coração partido e a certeza de que, apesar da distância, o amor deles seria para sempre, Noah e Allie prometem trocar cartas até o dia que se reencontrariam e casariam. O que eles não esperavam, é que a mãe de Allie fosse interceptar a comunicação, fazendo com que as 365 cartas que Noah enviou (uma por dia durante um ano) nunca chegassem até Allie.

Assim, ambos pensaram que tudo havia acabado. Allie, muito tempo depois, conheceu Lon e noivou com ele, ainda que muitas vezes desejasse que fosse Noah ao seu lado. Noah se alistou no exército e comprou a casa que ele e Allie sempre desejaram, mas sentia-se vazio e solitário por não tê-la ao seu lado. 

Sete anos depois de tudo que viveram juntos e poucos dias antes de seu casamento, Allie vê uma foto de Noah, a saudade volta à tona e ela resolve encontrá-lo novamente para pôr um ponto final em sua história e seguir sua vida ao lado de Lon.

O que ela não esperava é encontrar um Noah ainda apaixonado, nem mesmo sentir-se da mesma forma com tanta intensidade. Então Allie precisa decidir entre abrir mão da vida "perfeita" que seus pais sempre sonharam para ela (e que ela aprendeu a amar) ou do seu primeiro e eterno amor, Noah Calhoun.

O livro se passa anos depois de todos esses fatos, com Noah já idoso, morando em um asilo e contando como tudo aconteceu. É, sem sobra de dúvidas,  a história mais romântica que já li, principalmente pela devoção de Noah, que nunca conseguiu amar outra mulher além de Allie.

Ainda há um "elemento surpresa", relatado de forma subjetiva desde o início do livro mas esclarecido apenas no final, que torna a história ainda mais linda e demonstra com mais clareza a proporção do amor de Noah. Ele é realmente um cavalheiro devoto, apaixonado, leal e muito romântico.

O mais incrível sobre "Diário de uma paixão" é que ele é baseado na história dos sogros de Nicholas Sparks, que sempre usa experiências de sua vida para criar os romances mais comoventes.  

O livro teve uma adaptação cinematográfica homônima, protagonizado por Rachel Mc Addams e Ryan Gosling , que ficou maravilhosa! Fazendo jus à obra, o filme se tornou um dos melhores romances, sendo considerado um clássico na Carolina do Norte. Os atores conseguiram interpretar com perfeição os personagens e a única modificação feita foi o final (a última cena do filme não acontece no livro). Entretanto, apesar de diferentes, ambos os finais ficaram lindos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dançando sobre cacos de vidro - Ka Hancock

"Todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo, não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém, haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Nesse caso, ou você fugirá, ou aguentará firme até o pior passar. "

Lucy escolheu aguentar. Escolheu Mickey para ser seu eterno companheiro, mesmo com seus parafusos soltos e cérebro danificado, como o mesmo descrevia. Eles se conheceram muito jovens e, desde o início, se apaixonaram. Mesmo que todos os fatores conspirassem contra.

Mickey sofria um grave transtorno bipolar. Lucy fazia parte de uma família onde a maioria das mulheres teve câncer de mama grave, inclusive perdeu sua mãe por isso. Seria mais fácil para ambos se afastarem. Mas eles decidiram viver esse amor, ainda que muitas vezes tivessem que dançar juntos sobre cacos de vidro.

Quando casaram, eles fizeram uma lista de regras que deveriam obedecer para tornar seu casamento mais fácil, até para que Lucy aprendesse a lidar melhor com a bipolaridade de Mickey. Uma das principais e mais dolorosas regras dessa lista é que jamais poderiam ter filhos, uma vez que ambos temiam passar seus problemas genéticos para o bebê.

Neste livro maravilhoso, Ka Hancock conta uma das histórias de amor mais lindas que já vi. Ele alterna entre a narrativa de Lucy e o diário de Mickey, variando entre capítulos que contam como ambos se conheceram e os primeiros anos de casamento, os surtos de Mickey, seus períodos de internação e a tristeza dos dois quando Lucy foi diagnosticada com câncer (não é spoiler, o livro começa depois disso), e os anos atuais, quando Lucy já se recuperou e ambos descobrem algo que mudará suas vidas para sempre.

O ponto principal e mais comovente do livro é a forma como Lucy e Mickey mostram um amor verdadeiro e raro, repleto de amizade e companheirismo, como todo casal deveria ser. É um livro triste, mas inspirador. Inclusive em um  dos relatos de seu diário, após um grave surto psicótico seguido de internação, Mickey escreve a seguinte passagem.

"Lucy me amava - mesmo com todos meus parafusos soltos, peças sobressalentes e partes danificadas. Ela amava o pacote todo - dizia que deveria ser assim ou não faria sentido me amar. Jurou, faz uma eternidade, que isso era verdade e fez jus à esse juramento. Quem teria acreditado nisso? Essa mulher ainda me fascina, sobretudo em momentos como este, quando saio do buraco, com o cérebro embotado e a primeira coisa que consigo enxergar com nitidez é o seu amor. Todo ser humano que não bate bem deveria ter a mesma sorte."

"Dançando sobre cacos de vidro" é um livro emocionante do início ao fim. Lindo, terno, triste, comovente e maravilhoso. É o tipo de história na qual você se apega aos personagens à ponto de querer tirá-los do livro e abraçá-los, consolar sua dor. Mickey e Lucy são guerreiros e tem um pelo outro o tipo de amor que tornaria o mundo melhor, se houvesse mais. 

Eu nunca havia lido nada da Ka Hancock, nem mesmo já ouvi falar de algum outro livro dela. Mas, se todos forem no mesmo patamar deste, ela tem potencial para se tornar uma das melhores escritoras da atualidade, capaz de comover e encantar até o mais frio dos leitores. 


sábado, 25 de julho de 2015

Amaldiçoado (O Pacto) - Joe Hill

Publicado originalmente como "O pacto", o livro "Amaldiçoado" é realmente "bom como o diabo", como foi dito em um dos diversos comentários que li a respeito. Mostrando que herdou por completo o talento de seu fabuloso pai Stephen King, Joe Hill nos trás uma história com todos os gêneros e elementos possíveis.

Falo isso, porque "Amaldiçoado" tem um romance lindo, mas não é uma história de amor. Tem situações irreais e sobrenaturais, mas não é uma história de fantasia. Tem o próprio demônio, mas não é uma história de terror. Tem um mistério envolvendo um assassinato, mas não é suspense. Ou seja, é um livro completo, capaz de agradar qualquer leitor.

O livro alterna entre presente e passado. No passado, conta a história de amor de Ignatius Perrish e sua amada Merrin. Os dois se conheceram ainda crianças e se tornaram inseparáveis, duas almas gêmeas destinadas a ficarem juntos eternamente. Entretanto, não é isso que acontece, pois em uma trágica manhã, Merrin é encontrada morta após ter sido estuprada e agredida. 

O presente narrado no livro é exatamente um ano depois desse terrível assassinato, quando Ignatius vai até o local onde sua amada foi morta e, revoltado com a injustiça do ocorrido, esbraveja dizendo que Deus não ajudou Merrin quando ela  mais precisou e que agora contava com a ajuda do próprio diabo para ajudá-lo a vingar a morte dela.

No dia seguinte. Ignatius amanhece com chifres, como se fosse o próprio demônio, e com uma
capacidade estranha e nada agradável de fazer com que, ao olhar para seus chifres, as pessoas entrem numa espécie de transe que as faz revelar todos seus desejos e pecados mais sombrios e, se as toca, consegue ver todas as coisas erradas que essas pessoas já fizeram na  vida.

Apesar de sempre ter sido um homem bom, Ignatius se tornou o principal suspeito pela morte de Merrin, uma vez que os dois foram vistos tendo uma terrível discussão em um bar na noite em que a menina foi morta. Ele foi encontrado bêbado na mesma manhã que acharam o corpo de Merrin e Ig nem sequer lembrava o que havia acontecido depois da briga para poder se defender.

Agora, com o seu novo e estranho dom, ele começa a descobrir dolorosas verdades sobre as pessoas que mais amava e julgava conhecer, bem como nota que ninguém parece acreditar em sua inocência. Sobretudo, ele se apega ao fato de que quando se é visto como o próprio diabo, não se te mais nada a perder e vai usar tudo que poder para descobrir o que aconteceu na fatídica noite e vingar o mal que fizeram à sua amada.

"Amaldiçoado" é um daqueles livros de leitura compulsiva, que você não consegue parar de ler até saber o que realmente aconteceu com Merrin e Ig, Ele nos levanta a questão de que muitas vezes as pessoas podem ser os verdadeiros demônios, tamanha as crueldades que acontecem, injustamente e sem explicação. O final é surpreendente, emocionante e ao mesmo tempo, muito revoltante. 

O livro foi adaptado para um filme homônimo, protagonizado por Daniel Radcliffe, que me surpreendeu positivamente como um ator muito melhor do que eu julgava até então. A adaptação ficou muito fiel e bem feita e as poucas mudanças que apresentou (afinal, é um adaptação), não prejudicaram nem um pouco o sentida da história. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Corações Feridos - Louisa Reid

Corações Feridos conta a comovente história das irmãs Hephzibah e Rebecca, que apesar de serem gêmeas, são muito diferentes. Enquanto Hephz é linda, audaciosa e destemida, Rebecca nasceu com a síndrome de Treacher Collins, que faz seu rosto ser completamente desfigurado e com graves deformações, além de ser bem mais cautelosa e reservada que a irmã.

As duas tem uma grande amizade e juntas escondem um terrível segredo, o qual lhes impede de levar uma vida normal. Devido à esse segredo e também à seus pais, que são religiosos fanáticos e opressores, as duas só foram frequentar a escola quando tinham quinze anos e, ainda assim, nunca puderam realmente desfrutar de todas as coisas que meninas de sua idade podiam.

Hephz e Rebecca só conheceram o carinho e amor verdadeiros através de sua avó materna e da amizade que sentem uma pela outra, e por muito tempo realmente acreditaram que a vida que levavam era tudo que podiam ter. Várias vezes, Rebecca foi apontada como "cria do demônio" pelo próprio pai devido à suas deformações e essa foi só uma das muitas maldades que ambas sofreram.

Entretanto, quando começa a frequentar a escola, Hephzibah começa a fazer amizade com outras garotas de sua idade e, cada vez mais, desejar ter uma vida normal, livre e sem as costumeiras opressões que sofrem. Porém, seu espírito livre e aventureiro acaba lhe custando a vida e, quando estava apenas começando a viver de verdade, ela morre de forma trágica e misteriosa. 

O livro alterna entre a narrativa das duas irmãs, Rebecca contando sua vida depois da morte da irmã, que é quando ela se dá conta que precisa mudar seu destino. e Hephzibah nos dias que antecederam seu trágico fim.  

A história delas é do tipo que deixa até o mais frio dos leitores emocionado e inconformado, principalmente pela forma extremamente realista e convincente que Louisa Reid usa em sua escrita. A relação das duas irmãs é linda, repleta de lealdade e carinho, e, sobretudo, o segredo que escondem é algo cruel e desumano, mas que pode ser escondido por muitas e muitas famílias que julgamos como normais.

É uma leitura pesada, não pela escrita, mas pela temática forte que aborda. O tipo de história que causa uma gigantesca ressaca literária, que fica por dias em sua cabeça, junto com o sentimento de indignação que ela nos trás. 

A capa do livro é maravilhosa, uma das minhas preferidas, pois além de muito bonita, ela transmite fielmente o sentimentalismo da história. A Novo Conceito, como sempre, nos trouxe uma edição muito caprichada, com fonte no tamanho ideal, capítulos bem divididos e diagramação perfeita. Vale a pena ler!


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Veronika decide morrer - Paulo Coelho

Tanto o filme, quanto o livro “Veronika decide morrer” apresentam uma grande carga de reflexões sobre a vida. Pertencente a uma saga do autor Paulo Coelho que demonstra como a vida de uma pessoa pode mudar em sete dias a partir de uma nova perspectiva, o livro trata das mudanças e reflexões que a certeza da morte breve pode trazer a alguém.

A história conta a trajetória de Veronika, uma jovem eslovena de boa família, bonita e bem sucedida, mas que ainda assim, não é feliz. Cansada da própria vida e em depressão profunda, Veronika decide se suicidar através de uma overdose de comprimidos.

O que não espera é que ao invés de morrer, ela acaba acordando em uma clínica psiquiátrica, onde recebe a notícia de que tem poucos dias de vida devido aos danos que a sua tentativa de suicídio causou em seu organismo. 

Além disso, é informada de que terá que passar esse tempo restante internada na clínica.Com a certeza da morte iminente, Veronika começa a viver seus dias como se fossem o último, o que a leva a experimentar coisas que sempre quis, enxergar tudo sob uma nova perspectiva e encontrar o amor através de Eduard, um jovem esquizofrênico que não fala com quase ninguém.

Os motivos pelo qual o jovem foi internado diferem: no livro ele era um artista incompreendido por seus pais e abandonado pela namorada. No filme, Eduard estava dirigindo com sua namorada no carro, quando ambos sofreram um acidente que provocou a morte da moça, o que faz com que ele tenha se sentido culpado e acabado por se isolar em um mundo só seu.

Entretanto, as diferenças acabam por aí. O filme é extremamente fiel ao livro, e tratam-se de uma história grandiosa e enriquecedora, com personagens cativantes e um final surpreendente. Paulo Coelho baseou-se em sua experiência quando, aos dezessete anos, foi internado em uma clínica semelhante, motivo pelo qual o livro é muito verossímil.
Veronika emociona a todos com sua vontade de viver recém descoberta e a certeza de que é tarde demais, comprovada pela passagem “Já não tenho medo, nem indiferença, nem nada. Tenho vontade de viver, mas sei que isso não basta, estou conformada com  meu destino” .

Como salvar uma vida - Sara Zarr

Jill era uma menina alegre, popular e muito apegada à seu pai, o carismático Sr. Mac. Já com a mãe, o relacionamento nunca foi tão afetuoso, tornando-se ainda mais frio quando Sr. Mac faleceu subitamente. Ele era seu heroi, a pessoa que mais amava no mundo e sua base. Ao perdê-lo, Jill se retraiu em um doloroso luto, afastando-se completamente de seus amigos, de seu namorado Dylan e, principalmente, de si mesma.

Dez meses se passaram e ainda assim Jill não consegue se encontrar. Ela sente a dor de sua perda cada vez mais forte e evita falar no assunto, comportando-se muitas vezes de forma grosseira apenas para mascarar seus reais sentimentos. A situação agrava-se ainda mais quando sua mãe decide adotar um bebê. Jill sente como se a mãe, Robin, estivesse tentando substituir o seu pai por outro membro da família.

Nesse momento, surge Mandy, a mãe do bebê que será adotado. As duas se conhecem em um site e decidem que ela ficará na casa de Robin até a criança nascer e depois disso doará o bebê à Robin, pois não se sente em condições de criá-lo. Mandy, por sua vez, se assemelha com Jill pelo jeito solitário e perdido.

A menina, grávida aos dezoito anos e completamente sozinha, foi rejeitada pelo próprio pai quando ainda era criança, sendo criada por uma mãe volúvel, promíscua e cruel, que nunca escondeu o fato de não querer ter engravidado. Por esse motivo, Mandy resolve doar seu bebê, pois quer que a criança tenha a chance de ter um lar de verdade, repleto de amor e com uma boa família.

Quando as vidas de Jill e Mandy se cruzam, ambas começam a aprender muito uma com a outra, ainda que no início Jill rejeite a ideia de ter Mandy em sua casa, principalmente pela forma retraída e misteriosa que a garota as vezes se comporta.

O livro alterna entre um capítulo narrado por Jill e outro por Mandy, explanando de forma clara e muito realista os sentimentos mais íntimos das duas. Apesar de muito diferentes, elas tem muito em comum e a autora soube narrar maravilhosamente bem os receios, pensamentos e emoções de duas personagens fortes e muito bem construídas.

“Como salvar uma vida” é repleto de personagens cativantes, daqueles que você tem vontade de arrancar do livro e abraçar. O livro se desenrola de forma contínua, suave e prazerosa, revelando fatos passados que explicam as presentes atitudes de cada personagem.

É uma leitura fácil, agradável e super recomendada para aqueles que gostam de histórias profundamente sentimentais, com personagens bem trabalhados e uma trama envolvente. Este livro me chamou intuitivamente a atenção desde a primeira vez que o vi e, apesar de nunca ter ouvido falar do mesmo até então, comprei para conhecê-lo. Superou tanto minhas expectativas, que em três dias já havia lido todo!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Esta é uma história de amor - Jessica Thompson

A princípio, parecia mais um romance adolescente meio clichê, de um jovem casal, ambos muito atraentes, que se apaixonam e o mundo parece conspirar para que não fiquem juntos.

Entretanto, “esta é uma história de amor”, mostrou que realmente nem toda história de amor é igual. Sienna e Nick se encontram pela primeira vez em um metrô e logo se sentem fortemente atraídos um pelo outro.

A surpresa se dá quando descobrem que vão trabalhar juntos, o que para ele é um pesadelo, uma vez que tinha jurado não se envolver com ninguém de seu serviço após uma recente decepção amorosa com uma colega de trabalho.

Porém, quanto mais convivem um com o outro, mais apaixonados se tornam, e, juntamente com isso, cresce uma grande amizade, a ponto de se tornarem inseparáveis, sem nunca ter coragem de assumirem um para o outro o verdadeiro sentimento (isso mesmo, friendzone recíproca!).

Há também como diferenciais do livro, a história de George, o pai de Sienna, que sofre de narcolepsia, uma doença que lhe impede de levar uma vida normal mas que, por outro lado, fortalece seu laço com a filha, que é a única pessoa que lhe cuida. É muito bonita a relação dos dois e por vários momentos, tive que parar de ler por estar com os olhos marejados pelas fortes emoções.

E, ainda, há a relação com Pete, um mendigo do qual Sienna se aproxima ao descobrir que o mesmo teve sua vida destruída por ter perdido a mulher que amava. Ela se comove com o sofrimento do homem e começa a tentar ajudá-lo a mudar de vida e é tocante ver como solidariedade e compaixão podem realmente fazer a diferença para alguém.

A história em muitos momentos lembra “Um dia - David Nicholls”, pois também alterna entre os pontos de vista de Sienna e Nick, que passam por muitas coisas (relacionamentos, frustrações, emoções…) durante cinco anos, sem nunca deixarem de se amar, mas nunca ter coragem suficiente para assumir o que sentem, com medo de estragar a grande amizade que possuem. Sobretudo, é o tipo de livro fácil e gostoso de ler. Engraçado em muitos momentos, comovente em outros e surpreendente no final, merece ser lido, relido e muito apreciado.