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sábado, 12 de setembro de 2015

Um amor para recordar - Nicholas Sparks

Um bad boy. Popular, esnobe, imaturo e um pouco canalha. Uma menina meio sem graça, nerd, que nunca tirava seu suéter e vivia com a bíblia nas mãos. Ele era cobiçado por várias. Ela era o "patinho feio" da escola. Parece uma história comum e lotada de clichês, não é mesmo? Pois saiba que não é.

"Meu nome é Landon Carter, e tenho 17 anos.  Esta é a minha história - e prometo contar tudo.  No início você vai sorrir e, depois chorar - não diga que não avisei."

"Um amor para recordar" é, como todos os livros de Nicholas Sparks, comovente e maravilhoso do início ao fim. 

Narrado em primeira pessoa, ele conta a história de Landon Carter, um jovem estudante acostumado com uma vida fácil, na qual era rico, popular e inconsequente. Landon nunca aceitou o fato de seu pai ter saído de casa, motivo pelo qual recusa qualquer tentativa de aproximação do mesmo.

Com ele,  compartilhando a mesma escola desde séries ianto eleniciais, está  Jamie Sullivan. Mas Jamie não era o tipo de menina com quem Landon sequer falasse. Tímida, reservada e muito religiosa, Jamie era filha do pastor, cantava no coral da igreja, participava das peças de teatro na escola e, nas horas vagas, ia até o cemitério para observar estrelas. 

Porém, contra todas as probabilidades e por circunstâncias do destino, Landon e Jamie passam a ter que trabalhar juntos em uma das peças e, mesmo com ela advertindo-o para que jamais se apaixonasse por ela (uma ideia que no início ele ridiculariza), os sentimentos dele passam a se tornar cada vez mais fortes e intensos conforme vai conhecendo Jamie.

Sobretudo, um amor entre duas pessoas tão diferentes quanto eles pode ser qualquer coisa, menos simples. Especialmente depois que Landon descobre sobre uma lista criada por Jamie e um enorme e doloroso segredo que acompanha essa lista. 

"Um amor para recordar" é uma linda e emocionante história sobre a importância de um verdadeiro amor, daquele tipo que é paciente e bondoso e que, como citado pela própria Jamie:

 "Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não sente ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

domingo, 16 de agosto de 2015

O guardião - Nicholas Sparks

O fato de, para mim, os livros de Nicholas Sparks serem perfeitos, não é segredo. Eu amo seus romances profundos e dramáticos, quase sempre trágicos, mas muito verdadeiros. Seus personagens (especialmente os homens) são verdadeiros exemplos de romantismo, gentileza e lealdade e eu me apaixono por todas as histórias dele que leio. Então, é claro que com "O Guardião" não poderia ser diferente.

Nas primeiras páginas já precisamos preparar os lenços, pois o livro começa com uma carta de despedida escrita por um marido que amava muito a sua esposa e que sabia que estava prestes à morrer. Tratam-se de Jim e Jullie.

Jullie foi abandonada pelo pai quando ainda era pequena e passou algum tempo morando com sua mãe promiscua e irresponsável, o que gerava grandes problemas para o relacionamento das duas. Ao longo dos anos que moraram juntas, Jullie teve dezenas de padrastos e a gota d'água foi quando um deles tentou abusar dela. Como se não bastasse a mãe continuar aceitando o homem em seu lar, ainda culpou Jullie pelo ocorrido, então a mesma preferiu ir embora e viver nas ruas.

Morando nas ruas, Jullie conheceu Jim, um homem de bom coração que logo resolveu ajudá-la, primeiro pagando-lhe um café e depois oferecendo um emprego no salão de beleza de sua tia Mabel, na cidade de Swansboro, na Carolina do Norte.

Como não tinha nada a perder, Jullie logo aceitou a proposta e, em pouco tempo, ela e Jim apaixonaram-se e casaram. O que não esperavam é que, depois de anos de um casamento perfeito, Jim fosse descobrir uma grave doença que o fez falecer em pouco tempo, deixando Jullie devastada.

Alguns dias depois de ficar viúva, Jullie recebe uma carta de Jim, na qual ele prometia que seria seu anjo da guarda, que cuidaria dela de onde estivesse e também pedia que ela nunca deixasse de sorrir e de tentar ser feliz, pois era assim que ele gostava de vê-la. Junto com a carta, Jim deixou-lhe um lindo filhote de dinamarquês, o qual ela batizou de Singer.

Quatro anos se passaram desde a morte de Jim e Jullie finalmente encontra-se pronta para viver um novo amor. Todos (inclusive nós, leitores) torcem para ela dê um chance para seu melhor amigo, o fofo, apaixonado, querido, inteligente, mecânico e faz-tudo Mike mas, embora Jullie e ele tenham uma forte amizade, muita intimidade e um carinho gigante um pelo outro, ela não consegue vê-lo de outra forma, uma vez que Mike também era amigo de Jim.

Logo, para o desespero de Mike, Jullie começa a se encontrar com outros homens, mas nunca parece dar certo, até aparecer Richard. 

Richard parecia ser tudo que qualquer mulher poderia querer: inteligente, rico, romântico, bem sucedido. Ele e Jullie começam a sair eventualmente, sem compromisso, mas ainda assim Mike se sente cada vez pior com a situação. Ele afirma que Richard não parece realmente bom para Jullie e, o que antes parecia apenas ciúmes, logo vai mostrando ter um fundo de verdade, especialmente quando Richard começa a demonstrar um comportamento excessivamente controlador, com traços de psicopatia.

Como todos os livros de Nicholas, "O guardião" tem uma grande dose de romance e de drama, além de personagens completamente cativantes (especialmente Mike e o cachorro Singer, que acompanha Jullie para todo lado). Entretanto, dessa vez o mestre Sparks nos presenteou com outro elemento que deixou sua história ainda melhor: suspense!!

Sim, "O Guardião" é, sobretudo, um livro repleto de suspense, muitas vezes fazendo o leitor ter que parar para recuperar o fôlego. É um livro maravilhoso, de leitura super bem fluida e, como sempre, a Editora Arqueiro nos presentou com uma diagramação perfeita.

O final é surpreendente, dá um sentido especial à toda história, além de contar com aquele toquezinho levemente espiritual que as vezes o Nicholas deixa subentendido em suas histórias. É um dos melhores livros do autor, apesar de todos serem divinos e eu torço para que logo seja adaptado para o cinema, pois ficaria um filme maravilhoso!

domingo, 2 de agosto de 2015

Diário de uma paixão - Nicholas Sparks

"Não sou nada de especial, disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, levei uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e meu nome logo será esquecido. Mas amei outra pessoa com toda minha alma e coração e para mim isso sempre foi o bastante."

Assim começa uma das histórias de amor mais lindas de todos os tempos, escrita pelo mestre Nicholas Sparks e publicada originalmente como "O caderno de Noah". 

Diário de uma paixão é narrado por Noah, o personagem mais romântico e cavalheiro sobre o qual já li. Ele conta sobre seu primeiro e único amor e sobre como essa paixão lhe deixou marcas pela vida inteira.

Noah e Allie se conhecem ainda muito jovens, na Carolina do Norte, onde Noah residia e Allie havia ido passar as férias. Foi amor à primeira vista, pelo menos da parte dele.

Eles eram absurdamente diferentes. Ela vinha de família rica, tinha traçado um futuro brilhante e fazia parte da alta sociedade. Ele morava apenas com seu pai, trabalhava cortando madeiras e não tinha planos de sair de sua cidade ou fazer faculdade. Ainda assim, não demorou muito para que, com toda sua insistência e gentileza, Noah conquistasse Allie.

Logo, os dois estavam perdidamente apaixonados, vivendo o mais lindo romance de verão, o que desagradou bastante a família de Allie. Assim, seus pais em seguida resolveram acabar com as férias e ir embora da cidade.

Com o coração partido e a certeza de que, apesar da distância, o amor deles seria para sempre, Noah e Allie prometem trocar cartas até o dia que se reencontrariam e casariam. O que eles não esperavam, é que a mãe de Allie fosse interceptar a comunicação, fazendo com que as 365 cartas que Noah enviou (uma por dia durante um ano) nunca chegassem até Allie.

Assim, ambos pensaram que tudo havia acabado. Allie, muito tempo depois, conheceu Lon e noivou com ele, ainda que muitas vezes desejasse que fosse Noah ao seu lado. Noah se alistou no exército e comprou a casa que ele e Allie sempre desejaram, mas sentia-se vazio e solitário por não tê-la ao seu lado. 

Sete anos depois de tudo que viveram juntos e poucos dias antes de seu casamento, Allie vê uma foto de Noah, a saudade volta à tona e ela resolve encontrá-lo novamente para pôr um ponto final em sua história e seguir sua vida ao lado de Lon.

O que ela não esperava é encontrar um Noah ainda apaixonado, nem mesmo sentir-se da mesma forma com tanta intensidade. Então Allie precisa decidir entre abrir mão da vida "perfeita" que seus pais sempre sonharam para ela (e que ela aprendeu a amar) ou do seu primeiro e eterno amor, Noah Calhoun.

O livro se passa anos depois de todos esses fatos, com Noah já idoso, morando em um asilo e contando como tudo aconteceu. É, sem sobra de dúvidas,  a história mais romântica que já li, principalmente pela devoção de Noah, que nunca conseguiu amar outra mulher além de Allie.

Ainda há um "elemento surpresa", relatado de forma subjetiva desde o início do livro mas esclarecido apenas no final, que torna a história ainda mais linda e demonstra com mais clareza a proporção do amor de Noah. Ele é realmente um cavalheiro devoto, apaixonado, leal e muito romântico.

O mais incrível sobre "Diário de uma paixão" é que ele é baseado na história dos sogros de Nicholas Sparks, que sempre usa experiências de sua vida para criar os romances mais comoventes.  

O livro teve uma adaptação cinematográfica homônima, protagonizado por Rachel Mc Addams e Ryan Gosling , que ficou maravilhosa! Fazendo jus à obra, o filme se tornou um dos melhores romances, sendo considerado um clássico na Carolina do Norte. Os atores conseguiram interpretar com perfeição os personagens e a única modificação feita foi o final (a última cena do filme não acontece no livro). Entretanto, apesar de diferentes, ambos os finais ficaram lindos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dançando sobre cacos de vidro - Ka Hancock

"Todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo, não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém, haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Nesse caso, ou você fugirá, ou aguentará firme até o pior passar. "

Lucy escolheu aguentar. Escolheu Mickey para ser seu eterno companheiro, mesmo com seus parafusos soltos e cérebro danificado, como o mesmo descrevia. Eles se conheceram muito jovens e, desde o início, se apaixonaram. Mesmo que todos os fatores conspirassem contra.

Mickey sofria um grave transtorno bipolar. Lucy fazia parte de uma família onde a maioria das mulheres teve câncer de mama grave, inclusive perdeu sua mãe por isso. Seria mais fácil para ambos se afastarem. Mas eles decidiram viver esse amor, ainda que muitas vezes tivessem que dançar juntos sobre cacos de vidro.

Quando casaram, eles fizeram uma lista de regras que deveriam obedecer para tornar seu casamento mais fácil, até para que Lucy aprendesse a lidar melhor com a bipolaridade de Mickey. Uma das principais e mais dolorosas regras dessa lista é que jamais poderiam ter filhos, uma vez que ambos temiam passar seus problemas genéticos para o bebê.

Neste livro maravilhoso, Ka Hancock conta uma das histórias de amor mais lindas que já vi. Ele alterna entre a narrativa de Lucy e o diário de Mickey, variando entre capítulos que contam como ambos se conheceram e os primeiros anos de casamento, os surtos de Mickey, seus períodos de internação e a tristeza dos dois quando Lucy foi diagnosticada com câncer (não é spoiler, o livro começa depois disso), e os anos atuais, quando Lucy já se recuperou e ambos descobrem algo que mudará suas vidas para sempre.

O ponto principal e mais comovente do livro é a forma como Lucy e Mickey mostram um amor verdadeiro e raro, repleto de amizade e companheirismo, como todo casal deveria ser. É um livro triste, mas inspirador. Inclusive em um  dos relatos de seu diário, após um grave surto psicótico seguido de internação, Mickey escreve a seguinte passagem.

"Lucy me amava - mesmo com todos meus parafusos soltos, peças sobressalentes e partes danificadas. Ela amava o pacote todo - dizia que deveria ser assim ou não faria sentido me amar. Jurou, faz uma eternidade, que isso era verdade e fez jus à esse juramento. Quem teria acreditado nisso? Essa mulher ainda me fascina, sobretudo em momentos como este, quando saio do buraco, com o cérebro embotado e a primeira coisa que consigo enxergar com nitidez é o seu amor. Todo ser humano que não bate bem deveria ter a mesma sorte."

"Dançando sobre cacos de vidro" é um livro emocionante do início ao fim. Lindo, terno, triste, comovente e maravilhoso. É o tipo de história na qual você se apega aos personagens à ponto de querer tirá-los do livro e abraçá-los, consolar sua dor. Mickey e Lucy são guerreiros e tem um pelo outro o tipo de amor que tornaria o mundo melhor, se houvesse mais. 

Eu nunca havia lido nada da Ka Hancock, nem mesmo já ouvi falar de algum outro livro dela. Mas, se todos forem no mesmo patamar deste, ela tem potencial para se tornar uma das melhores escritoras da atualidade, capaz de comover e encantar até o mais frio dos leitores.