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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O Lago Místico - Kristin Hannan

Desde que vi Kristin Hannah ser descrita como "A versão feminina de Nicholas Sparks", fiquei curiosa para ler algum de seus livros.  Fã de Sparks e de um bom romance dramático, esperava um livro com uma boa dose de sentimentalismo, muito amor e lágrimas. Optei então por começar por "O lago místico", por me identificar com a sinopse e vejo que não poderia ter escolhido livro melhor. 

É um livro sobre perda. Sobre perder entes queridos, perder um grande amor, perder as esperanças e a vontade de viver. Mas é, acima de tudo, um livro sobre superação. Sobre encontrar forças para recomeçar e para fazer o bem à alguém mesmo quando por dentro estamos destruídos. 

Conhecemos, num primeiro momento, a história de Annie. Mãe e esposa perfeita, dedicou sua vida inteira em função  do marido e filha. Abdicou carreira e sonhos em função de cuidar dos dois, motivo pelo qual se vê completamente sem rumo quando a filha vai para a faculdade e o marido pede o divórcio alegando estar  apaixonado por outra.

Depressiva e sem chão, ela resolve então partir para a cidade de Mystic, um pequeno lugarzinho no interior onde nasceu e cresceu. Lá terá o conforto de seu amado pai e buscará encontrar  a paz e cura para seu coração partido fazendo o que sempre soube fazer de melhor: cuidar dos outros. 

É nesse momento que ela descobre um fato que a deixa ainda mais abalada: sua melhor amiga de infância, Kathy, morreu de forma trágica, deixando seu marido Nick e a filhinha Izzi completamente devastados. Quando mais jovens, Kathy, Annie e Nick eram inseparáveis e apesar de terem perdido contato quando Annie se mudou, ela se vê na obrigação de apoiar Nick nesse momento tão difícil.

Chegando lá, ela encontra um homem muito diferente do Nick que conhecia: agora ele é um policial amargurado pelas inúmeras perdas que sofreu, pelos fantasmas do passado e por não se sentir capaz de consolar e ajudar a própria filha a lidar com a perda da mãe. Nick se afunda cada vez mais no alcoolismo e a pequena Izzie, de apenas seis anos, está completamente traumatizada pelo que aconteceu com sua família.

O livro inteiro é maravilhoso, mas "a cereja do bolo" certamente é Izzie. É impossível ler e não se sentir completamente tocada pela fragilidade e doçura dessa criança. A menininha perdeu sua mãe de uma forma muito dolorosa e viu seu pai, que até então era seu herói, se perder na própria dor. Sentindo-se sozinha e completamente abandonada, Izzie insiste que está desaparecendo: primeiro, para de falar completamente, depois vai parando de usar suas mãozinhas, cobrindo-as com luvas tão escuras quanto está seu coração. Ela para de ir à escola, de sorrir, e sempre tem pesadelos que a assustam e deprimem, mas não tem mais com quem contar, pois seu pai também não consegue lidar com a perda.

Annie começa então a investir todos seus esforços em ajudar essa família, ajudando à si mesma também e curando suas próprias feridas. O que ela mal pode esperar é que o destino ainda lhe revela algumas surpresas que poderão mudar para sempre sua vida e o que sabe sobre si mesma.

"O lago místico" é uma história bonita do início ao fim, profundamente sentimental, dramática, mas também cheia de lições sobre amor e superação. É um prato cheio para os fãs de Sparks, visto que a narrativa e estilo realmente são bem semelhantes, com o diferencial que Hannah é um pouco mais otimista.

Sobretudo, "O lago místico" trás uma linda mensagem sobre encontrar novos caminhos, novas razões para ser feliz quando tudo está perdido. Ensina a importância de uma família, de amar e ajudar o próximo e sobre como fazer o bem à alguém pode curar também a nós mesmos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Uma carta de amor - Nicholas Sparks

Escrever sobre Sparks é sempre uma tarefa difícil, visto meu amor incondicional pelo autor. Eu procuro as palavras certas e todas elas parecem pouco para definir a maestria com que ele escreve e o amor puro e verdadeiro que é capaz de, com suas histórias, nos fazer acreditar. Com "Uma carta de amor" não foi diferente.

Esse é, provavelmente, um dos livros mais românticos do autor. Um romantismo clássico, do tipo que infelizmente têm sido esquecido. Isso já fica nítido pela forma como os protagonistas se encontram: através de uma carta de amor jogada no mar dentro de uma garrafa.

Antes disso, Theresa Osborne havia passado por um casamento onde amou e foi traída, o que a fez desacreditar do amor. Ela viveu então dedicada ao seu trabalho como colunista e seguiu a vida com praticidade e obstinação, sem se envolver seriamente com ninguém.

Porém, em suas férias, Theresa resolve fazer uma viagem para Cape Cod, onde ao passear pela praia, encontra uma garrafa com uma carta dentro. Curiosa pelo fato inusitado, a colunista resolve ler o conteúdo, achando tratar-se de algo muito antigo e, sem dúvidas, demasiadamente romântico.

Ao ler do que se trata, as certezas de Theresa á respeito da essência da carta só aumentam: trata-se de um texto apaixonado de um homem que aparentemente sofre muito com a perda de sua amada. Entretanto, é nítido que não se trata de um documento tão antigo quanto esperava, o que instiga ainda mais a curiosidade de Theresa. "Que tipo de homem ainda escreve cartas de amor, as coloca em uma garrafa e atira no mar?".

Motivada pela curiosidade, Theresa publica a carta no jornal em que trabalha e logo outras pessoas entram em contato com mais informações à respeito e outras cartas aparentemente do mesmo homem. E então Theresa, cada vez mais encantada com as lindas palavras do homem misterioso, parte em sua busca... E encontra Garret, um viúvo solitário que nunca superou a perda de sua esposa Katherine.

A partir daí, temos mais do mesmo, em parte. Todos os elementos típicos dos livros de Sparks estão presentes: muito romantismo, muita paixão, uma história de amor inesquecível, um final que despedaça nosso coração. Contudo, não concordo que, como muitos dizem, os livros de Nicholas sejam iguais uns ao outro, como muitos falam. O livro é maravilhoso em todos os aspectos e o autor tem o dom de inserir em suas histórias valores esquecidos, sentimentos raros e uma profundidade sem igual. Trata-se de um estilo inigualável, onde é impossível ler sem se emocionar. São livros para serem apreciados por românticos incorrigíveis e amantes das tragédias de amor. Se você não for nenhum dos dois, certamente não apreciará a obra em toda sua extensão.

O livro ganhou uma adaptação cinematográfica, estrelada por Kevin Costner e Robin Wright, que souberam interpretar com destreza os personagens principais, mantendo toda a essência da obra. Ele se assemelha com "Noites de tormenta", outra obra do autor que também trás protagonistas mais maduros que sofrem com mágoas passadas. Entretanto, em "A última carta de amor", temos  a perda como o tema principal e ficam nítidas as reflexões acerca da forma como as pessoas lidam com isso.  Enfim, é uma obra belíssima, carregada de dor, profundidade, e, sobretudo, muito amor. 

domingo, 9 de outubro de 2016

A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música.

domingo, 4 de outubro de 2015

Proibido - Tabitha Suzuma

Essa é, sem sobra de dúvidas, a resenha mais difícil que já escrevi. Há dias eu começo e paro, tentando procurar as palavras certas que possam definir o sentimento que esse livro me despertou. E nada parece suficiente.

Antes de mais nada, vale alertar que, apesar da capa se assemelhar às capas de romances eróticos, "Proibido" trata de um tema muito mais profundo, tenso e doloroso que isso. Trata de um verdadeiro tabu, que é o incesto. Sim, "Proibido" conta a história de Lochan e Maya, dois irmãos que se apaixonam. Mas, por favor, não julgue antes de ler.

O que no início pode parecer uma ideia repulsiva torna-se muito diferente ao entender as motivações dos personagens. Eu me vi torcendo pelo amor desses dois de uma forma tão intensa, que o sofrimento deles me causava dor de verdade, me  deixou angustiada, me fez querer mudar o mundo.

Veja bem, não estou falando que apoio o incesto por ter lido "proibido". Mas, Maya e Lochan tem um amor tão lindo, tão cuidadoso, tão cheio de companheirismo e afeto que é impossível ver isso como algo errado ou repulsivo. Afinal, é um amor recíproco. É um amor mais saudável que muitas relações doentias repletas de agressividade, ciúmes e brigas, que nossa sociedade tolera tão bem. Eles só querem se amar, sem fazer mal à ninguém. Como e porque isso pode ser tão errado?

"- Nós não fizemos nada de errado! Como o nosso amor pode ser considerado horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém?
Seus olhos descem aos meus, brilhando úmidos na penumbra.
- Não sei - sussurra. - Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?"

Tabitha Suzuma soube narrar a história de uma forma tão intensa, que você consegue se colocar dentro da cabeça e coração dos personagens. Consegue entender seus sentimentos, consegue perceber o quanto eles quiseram negar essa paixão. Mas, como citado no início do livro, "você pode fechar os olhos para as coisas que não quer ver, mas não pode fechar o coração para as coisas que não quer sentir."

Maya e Lochan são os filhos mais velhos de um casamento desastroso. O pai abandonou a família. A mãe sempre deixou claro que nunca quis ter nenhum deles, então vive "aproveitando a vida" ao lado do namorado, aparecendo em casa pouquíssimas vezes, sempre bêbada.

Então, Maya e Lochie se obrigaram a assumir os papeis de chefes da família muito cedo. Eram eles que cuidavam dos irmãos, que os levavam para a escola, davam o que comer, brincavam, ajudavam com o dever de casa e faziam todas as coisas que o pai e a mãe deveriam fazer se não fossem ausentes. E eles enfrentavam tudo isso com a pressão de também cuidarem se si mesmos, de estudarem muito para dar um futuro melhor às crianças e, principalmente, de disfarçar essa situação familiar para que não fossem descobertos pela assistência social, que provavelmente os separaria em diferentes orfanatos se soubessem o descaso de seus pais.

Além disso, Lochan sofre de fobia social e crise de pânico. Para ele, é impossível falar ou até mesmo olhar nos olhos de qualquer pessoa que não seja da família. Os momentos na escola são um transtorno e, o único lugar que se sente seguro é em casa, ao tempo que a única pessoa com quem consegue conversar, se abrir e ser ele mesmo, é Maya.

A amizade deles é linda. Os dois se apoiam e são o porto seguro um do outro. Os dois se ajudam em todas as responsabilidades que tem e, quando as coisas ficam difíceis, um está ali, para impedir que o outro desmorone. Eles enfrentam juntos as crises de rebeldia dos irmãos mais novos, as dificuldades quando mal tem o que comer, a mãe bêbada e relapsa, que nunca se faz presente. E, em meio à tudo isso, eles se apaixonam. Mesmo sabendo que é errado, mesmo sabendo que nunca poderiam ficar juntos, mesmo tendo consciência que o incesto é visto como algo nojento e repulsivo.

O interessante é que eles mesmos, em vários momentos, tem nojo de si, por sentirem o que sentem. Eles tentam negar isso de todas as formas possíveis, chegando até a pensar em sairem com outras pessoas, mas sabem que é em vão, pois só eles se entendem e conhecem de forma tão profunda e intensa. 

Em determinado momento, Maya chega a tentar pensar em como seria estar com Kit, o outro irmão deles. E a ideia é repulsiva, ela sente total horror só de pensar, provando que não se trata de uma disfunção ou de uma consequência pela criação que tiveram, mas sim porque Maya e Lochan nunca foram apenas irmãos, mas sim almas gêmeas que, por uma desgraça do destino, acabaram nascendo filhos dos mesmos pais.

"Estou caindo, mas sei que estou bem porque é com ele, porque é com Lochan. Minhas mãos estão no seu rosto quente, minhas mãos estão nos seus cabelos úmidos, minhas mãos estão no seu pescoço suado. Agora ele também está me beijando,  entre soluços estranhos que indicam que talvez ele esteja chorando como eu, me beijando com tanta força que chega a tremer."

É uma história triste, sobre todos os aspectos. Os personagens são maravilhosos, especialmente Lochie, Maya e Willa, a irmãzinha de cinco anos. Eles fazem de tudo para manter a família unida, para defender uns aos outros, para enfrentarem as dificuldades que passam. Me arrisco inclusive a dizer que Maya e Lochan são os personagens mais altruístas que já vi. E é doloroso ver como o simples fato de eles se amarem pode causar tanta dor. É injusto demais que, com tantos problemas graves que existem no mundo, a sociedade condene o amor. Acho sim que incesto é passível de julgamento e punição, mas quando foçado. No caso de Maya e Lochan, o amor era recíproco e muito, muito lindo.

"- Nesse momento, a única coisa que eu sei é que te amo - digo em meu desespero contigo, as palavras se derramando por conta própria. - Eu te amo muito mais do que como um irmão. Eu te amo... de todas as formas possíveis e imagináveis.
- Eu também me sinto assim... - Sua voz soa chocada e ferida. - É um sentimento tão imenso que às vezes acho que vai me engolir. É tão forte que poderia me matar. E não para de crescer, e eu não posso... não sei o que fazer para estancá-lo. Mas... nós não podemos fazer isso... nos amar assim! "

Enfim, essa é a maior resenha que já escrevi e ainda não me parece suficiente. Eu sou apaixonada por livros dramáticos e tristes, mas há muito tempo não me sentia dessa forma. Me pego pensando na história como se fosse real, como se eu conhecesse os personagens, como se seu sofrimento também fosse meu. E fico tomada de um sentimento de revolta e injustiça, que só quem ler esse livro poderá entender. 

E não é apenas o sofrimento de Maya e Lochan por se amarem e não poderem ficar juntos, o que já seria um motivo mais do que suficiente para tamanho sentimento de injustiça. Mas some isso à uma mãe que tem cinco filhos maravilhosos e que vive deixando claro que nunca os quis e ao drama que Lochan enfrenta em suas crises de pânico e fobia e àquele final que é, sem dúvidas, uma das coisas mais dolorosas e revoltantes, afinal, uma história assim não teria como acabar bem.

Li "Proibido" em uma semana, mas vou levá-lo para a vida toda. É uma história diferente de qualquer outra que já li e não apenas pelo tema, mas pela forma como mexeu comigo. Tabitha Suzuma soube criar personagens tão lindos e com sentimentos tão intensos, que chega a dar saudade deles, como se os conhecesse. Enfim, é um livro estupendo, divino e muito, muito doloroso.

sábado, 12 de setembro de 2015

Um amor para recordar - Nicholas Sparks

Um bad boy. Popular, esnobe, imaturo e um pouco canalha. Uma menina meio sem graça, nerd, que nunca tirava seu suéter e vivia com a bíblia nas mãos. Ele era cobiçado por várias. Ela era o "patinho feio" da escola. Parece uma história comum e lotada de clichês, não é mesmo? Pois saiba que não é.

"Meu nome é Landon Carter, e tenho 17 anos.  Esta é a minha história - e prometo contar tudo.  No início você vai sorrir e, depois chorar - não diga que não avisei."

"Um amor para recordar" é, como todos os livros de Nicholas Sparks, comovente e maravilhoso do início ao fim. 

Narrado em primeira pessoa, ele conta a história de Landon Carter, um jovem estudante acostumado com uma vida fácil, na qual era rico, popular e inconsequente. Landon nunca aceitou o fato de seu pai ter saído de casa, motivo pelo qual recusa qualquer tentativa de aproximação do mesmo.

Com ele,  compartilhando a mesma escola desde séries ianto eleniciais, está  Jamie Sullivan. Mas Jamie não era o tipo de menina com quem Landon sequer falasse. Tímida, reservada e muito religiosa, Jamie era filha do pastor, cantava no coral da igreja, participava das peças de teatro na escola e, nas horas vagas, ia até o cemitério para observar estrelas. 

Porém, contra todas as probabilidades e por circunstâncias do destino, Landon e Jamie passam a ter que trabalhar juntos em uma das peças e, mesmo com ela advertindo-o para que jamais se apaixonasse por ela (uma ideia que no início ele ridiculariza), os sentimentos dele passam a se tornar cada vez mais fortes e intensos conforme vai conhecendo Jamie.

Sobretudo, um amor entre duas pessoas tão diferentes quanto eles pode ser qualquer coisa, menos simples. Especialmente depois que Landon descobre sobre uma lista criada por Jamie e um enorme e doloroso segredo que acompanha essa lista. 

"Um amor para recordar" é uma linda e emocionante história sobre a importância de um verdadeiro amor, daquele tipo que é paciente e bondoso e que, como citado pela própria Jamie:

 "Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não sente ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta."

domingo, 23 de agosto de 2015

Onze minutos - Paulo Coelho

Hoje venho falar de um dos meus livros nacionais preferidos, que é o Onze Minutos, do mestre Paulo Coelho. Apesar das inúmeras críticas que já vi à respeito, considero este um dos melhores livros do autor e adoro as reflexões sobre amor, sexo e liberdade inclusas nele.

"Onze Minutos" conta a história de Maria, uma mulher forte, batalhadora e muito romântica. Ela era uma moça pobre e ingênua. que desconhecia até mesmo o próprio corpo, motivo pelo qual foi motivo de risos em seu primeiro beijo e em suas primeiras experiências sexuais, tornando-se completamente insegura em relação à si mesma, sua sexualidade e seu corpo.

Assim, Maria foi crescendo e se tornando cada vez mais linda e desejada, mas também infeliz e estranha para si mesma. Chegou a descobrir um certo prazer através da masturbação, mas nunca através do sexo com um homem. 

Sempre ambiciosa, Maria teve oportunidade de deixar a cidade e todos aqueles que sempre riram dela e lhe fizeram mal, então foi embora de sua cidade natal com a promessa de uma vida próspera e feliz, como modelo. Mas, ao chegar lá, ela viu todos seus sonhos irem por água baixa, caindo no mundo da prostituição.

Para ela, o sexo se tornou algo ainda mais banal. Bastava proporcionar os desejados onze minutos de prazer aos clientes que teria dinheiro e, assim, Maria foi afundando-se cada vez mais em um poço de auto-destruição e falta de amor próprio. Ela permitia que usassem seu corpo como se fosse um objeto, cegando-se pelo dinheiro que ganharia com isso. Prometeu que seria prostituta apenas por um tempo, mas esse tempo pre-determinado foi tornando-se cada vez maior, a medida que suas ambições cresciam e seu amor próprio diminuía.

“…e o sexo tem sido utilizado como qualquer outra droga: para fugir à realidade, para esquecer dos problemas, para relaxar. E, como todas as drogas é uma prática nociva e destruidora…” 

Então, quando está quase deixando sua vida de prostituta, Maria conhece dois homens que mudam sua vida completamente. O primeiro lhe ensinará sobre dor e prazer através do sexo, e o segundo verá nela uma luz que ela mesma nunca foi capaz de enxergar, lhe ensinando o poder do sexo sagrado, feito com amor e conhecimento do corpo e alma.

"Eu não sou um corpo que tem uma alma, sou uma alma que tem uma parte visível chamada corpo."

Como sempre, Paulo Coelho trouxe um carga emocional e reflexiva muito grande para seu livro. Não é um livro somente sobre sexo, nem apenas uma história de amor, ou sobre prostituição. Onze minutos fala, principalmente, sobre conhecermos nosso corpo, nossos limites, nossos desejos e nossa sexualidade. É uma leitura agradável, sendo para mim um dos melhores livros do autor. 

"Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém. Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la."

Onze minutos é baseado em fatos reais, sendo considerado não só um conto de fadas moderno, mas também uma grande história sobre a busca por auto-conhecimento e sobre a banalização do sexo e do amor nos dias de hoje. Vale a pena ser lido, especialmente para quem aprecia os títulos "Veronika decide morrer" e "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei" de Paulo Coelho, pois a escrita se assemelha mais à esses do que a de "o Alquimista" ou "As Valkirias". 

domingo, 16 de agosto de 2015

O guardião - Nicholas Sparks

O fato de, para mim, os livros de Nicholas Sparks serem perfeitos, não é segredo. Eu amo seus romances profundos e dramáticos, quase sempre trágicos, mas muito verdadeiros. Seus personagens (especialmente os homens) são verdadeiros exemplos de romantismo, gentileza e lealdade e eu me apaixono por todas as histórias dele que leio. Então, é claro que com "O Guardião" não poderia ser diferente.

Nas primeiras páginas já precisamos preparar os lenços, pois o livro começa com uma carta de despedida escrita por um marido que amava muito a sua esposa e que sabia que estava prestes à morrer. Tratam-se de Jim e Jullie.

Jullie foi abandonada pelo pai quando ainda era pequena e passou algum tempo morando com sua mãe promiscua e irresponsável, o que gerava grandes problemas para o relacionamento das duas. Ao longo dos anos que moraram juntas, Jullie teve dezenas de padrastos e a gota d'água foi quando um deles tentou abusar dela. Como se não bastasse a mãe continuar aceitando o homem em seu lar, ainda culpou Jullie pelo ocorrido, então a mesma preferiu ir embora e viver nas ruas.

Morando nas ruas, Jullie conheceu Jim, um homem de bom coração que logo resolveu ajudá-la, primeiro pagando-lhe um café e depois oferecendo um emprego no salão de beleza de sua tia Mabel, na cidade de Swansboro, na Carolina do Norte.

Como não tinha nada a perder, Jullie logo aceitou a proposta e, em pouco tempo, ela e Jim apaixonaram-se e casaram. O que não esperavam é que, depois de anos de um casamento perfeito, Jim fosse descobrir uma grave doença que o fez falecer em pouco tempo, deixando Jullie devastada.

Alguns dias depois de ficar viúva, Jullie recebe uma carta de Jim, na qual ele prometia que seria seu anjo da guarda, que cuidaria dela de onde estivesse e também pedia que ela nunca deixasse de sorrir e de tentar ser feliz, pois era assim que ele gostava de vê-la. Junto com a carta, Jim deixou-lhe um lindo filhote de dinamarquês, o qual ela batizou de Singer.

Quatro anos se passaram desde a morte de Jim e Jullie finalmente encontra-se pronta para viver um novo amor. Todos (inclusive nós, leitores) torcem para ela dê um chance para seu melhor amigo, o fofo, apaixonado, querido, inteligente, mecânico e faz-tudo Mike mas, embora Jullie e ele tenham uma forte amizade, muita intimidade e um carinho gigante um pelo outro, ela não consegue vê-lo de outra forma, uma vez que Mike também era amigo de Jim.

Logo, para o desespero de Mike, Jullie começa a se encontrar com outros homens, mas nunca parece dar certo, até aparecer Richard. 

Richard parecia ser tudo que qualquer mulher poderia querer: inteligente, rico, romântico, bem sucedido. Ele e Jullie começam a sair eventualmente, sem compromisso, mas ainda assim Mike se sente cada vez pior com a situação. Ele afirma que Richard não parece realmente bom para Jullie e, o que antes parecia apenas ciúmes, logo vai mostrando ter um fundo de verdade, especialmente quando Richard começa a demonstrar um comportamento excessivamente controlador, com traços de psicopatia.

Como todos os livros de Nicholas, "O guardião" tem uma grande dose de romance e de drama, além de personagens completamente cativantes (especialmente Mike e o cachorro Singer, que acompanha Jullie para todo lado). Entretanto, dessa vez o mestre Sparks nos presenteou com outro elemento que deixou sua história ainda melhor: suspense!!

Sim, "O Guardião" é, sobretudo, um livro repleto de suspense, muitas vezes fazendo o leitor ter que parar para recuperar o fôlego. É um livro maravilhoso, de leitura super bem fluida e, como sempre, a Editora Arqueiro nos presentou com uma diagramação perfeita.

O final é surpreendente, dá um sentido especial à toda história, além de contar com aquele toquezinho levemente espiritual que as vezes o Nicholas deixa subentendido em suas histórias. É um dos melhores livros do autor, apesar de todos serem divinos e eu torço para que logo seja adaptado para o cinema, pois ficaria um filme maravilhoso!

sábado, 8 de agosto de 2015

Um longo caminho para casa - Danielle Steel

Aos sete anos de idade, Gabriella sofre constantes maus tratos de sua cruel mãe e não consegue entender o motivo pelo qual é tão odiada. Seu pai, por quem ela tem um grande carinho, é omisso e parece não se importar realmente com os inúmeros espancamentos e xingamentos que ela recebe. 

Ainda assim, ela o ama. E, acima desse amor, Gabriella tem uma necessidade gigante de ser amada, a qual parece nunca saciar. Esse vazio aumenta ainda mais quando seu pai lhes abandona para viver com outra mulher, sem nem mesmo se despedir.

"Muito cedo, Gabriella compreendera o que era importante e o que não era. O amor representava tudo para ela. Sonhava com ele, e sobre ele, pensava e escrevia. O amor era o que lhe havia escapado completamente na vida."

Como se não bastasse tanto sofrimento, Gabbie é largada em um convento para ser criada por freiras, uma vez que sua mãe não lhe suportava. Porém, o que no início parece ser um terrível castigo, mostra-se na verdade como uma grande benção, pois é através das adoráveis freiras que Gabriella sente-se amada e querida pela primeira vez na vida.

Então, Gabbie cresce e decide também tornar-se freira, pois tem medo de abandonar o mundo que conhece e as únicas pessoas que lhe deram amor. Mas o que ela não esperava, é que nesse lar tão protegido que criou para si, fosse apaixonar-se por um padre, o que desmorona novamente toda sua vida.

"Um longo caminho para casa" é uma história intensa, de uma jovem forte que passou por muitas coisas difíceis e dolorosas, mas nunca deixou que isso endurecesse seu coração, nem a tornasse amargurada. De uma jovem que passa por inúmeras provações até encontrar seu caminho de casa.

Danielle Stell tem uma escrita simples e comovente, proporcionando uma fácil identificação com os sentimentos e pensamentos dos personagens. Gabbie tem um carisma inigualável e, apesar de muitas vezes achar que é frágil, tem uma força indescritível. É um livro com uma boa dosagem de drama, mas também inspirador e com uma linda mensagem sobre força e superação.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Um mais um - Jojo Moyes

A cada livro da JoJo Moyes que leio, fico mais encantada com sua capacidade de criar personagens incríveis, daqueles que nos cativam da primeira à última página. Com "Um mais um", não foi diferente. 

Neste livro, conhecemos a história de Jess Thomas, uma mulher forte, destemida e muito otimista. Apesar de estar na pior, ela faz de tudo para segurar as pontas e sempre acredita que as coisas podem e vão melhorar.

Jess foi abandonada pelo marido há dois anos, ficando sozinha com a responsabilidade de criar sua filha Tanzie e seu enteado Nicky, filho do primeiro casamento de seu ex. Ela trabalha como faxineira durante o dia e como garçonete em um pub durante a noite, tudo para tentar dar uma vida melhor para todos eles.

Além disso, ela vive na tentativa de defender Nicky pelas constantes agressões e bullying que o mesmo sofre na escola, mas isso se torna difícil devido à reserva do jovem e a relutância dele em se abrir e falar do assunto.

Quanto à Tanzie, a garotinha é um verdadeiro prodígio quando o assunto é matemática. Capaz de fazer cálculos complexos e avançados demais para sua idade, Tanzie logo é reconhecida e ganha uma bolsa de estudos para a melhor escola da região. O único problema é que a bolsa não paga o valor integral e, ainda que o restante seja pouco, esse pouco é muito para Jess, devido à sua precária situação financeira.

A única forma de Tanzie conseguir a bolsa integral seria passar nas Olimpíadas de Matemática. Mas estas serão do outro lado do país, e Jess também não tem dinheiro para bancar esta viagem, apesar de querer mais do que tudo dar um bom futuro para sua filha.

Então, surge Ed Nicholls, um geek milionário que está sendo acusado de usar informações privilegiadas sobre o desenvolvimento de um software em sua empresa, o que lhe deixou muito, muito encrencado e precisando se afastar urgentemente. Nicholls também é dono de uma das muitas casas que Jéss trabalha e, ao saber da situação da moça, se propõe à levá-los nessa longa viagem. E a aventura está só começando!

"Um mais um" é o livro mais divertido de Jojo. A viagem que essas famílias fazem conta com um cachorro estabanado, crises de enjoo se a velocidade do carro aumenta, risadas, descobertas, mudanças e, talvez, uma paixão.

É uma história leve, engraçada e ao mesmo tempo comovente. Os personagens, especialmente Jess, Tanzie e Nicky são carismáticos e inspiradores, tornando quase impossível não se apaixonar por eles. O final é surpreendente e faz você querer voltar novamente para a primeira página e reler, de tão bom que este livro é! 

Jojo Moyes, tal como fez em "a garota que você deixou para trás" e em "como eu era antes de você", mostrou ser uma escritora incrível, talentosa e conhecedora dos sentimentos mais profundos e verdadeiros que alguém pode sentir, criando personagens verossímeis e situações cotidianas comuns, as que, escritas por ela, ganham um sentido especial.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Com amor, Anthony - Lisa Genova

"Com amor, Anthony" é o primeiro livro de Lisa Genova que leio e posso dizer que a autora não me decepcionou nem um pouco! Eu ia começar lendo "Para sempre Alice", mas quando vi que "Com amor, Anthony" tratava sobre autismo, logo não resisti. O livro conta, paralelamente, a história de duas mulheres muito fortes, mas que estavam passando por um momento difícil e doloroso. 

Olivia era casada com David e ambos levavam uma vida tranquila e feliz, até o nascimento de seu primeiro e único filho, Anthony. Durante os três primeiros anos de Anthony, tudo correu bem, mas, pouco a pouco, seus pais foram notando que havia algo errado com seu bebê. O menino não falava, mas gritava muito. Tinha obsessão por regras e ficava bastante nervoso quando algo fugia da rotina. Suas maiores paixões eram enfileirar pedras brancas em uma mesma ordem e assistir as episódios do dinossauro Barney. Anthony não dava beijos e abraços. Jamais olhava alguém nos olhos. Nunca brincava ou se comunicava como as outras crianças de sua idade. Anthony era autista.

Inicialmente, tanto Olivia quanto David não souberam aceitar o fato de que seu filho jamais seria igual as outras crianças. Logo, tornaram-se obsessivos em realizar todas as terapias e tratamentos possíveis para tentar reabilitar Anthony, mas essas tentativas só acabaram por afastá-los cada vez mais. Então, quando estavam aprendendo a conviver com as limitações e peculiaridades de seu filho, o menino morre de forma trágica, aos oito anos de idade, devastando-lhes e destruindo o que restava de seu casamento.

Na tentativa de se recuperar da profunda depressão em que caiu, Olivia vai embora para a Ilha de Nantucket, onde conhece Beth. Esta, por sua vez, também passava pelo próprio drama, ao descobrir que o marido Jimmy lhe traia há quase um ano. O que Olivia e Elizabeth ainda não sabem é que suas vidas estão muito mais ligadas do que podem imaginar e juntas elas farão descobertas que podem curar para sempre seus corações feridos. 

A narrativa intercala entre as vozes de Olivia, Beth, o diário de Olivia da época em que Anthony era vivo e o livro que Beth está escrevendo. É uma linguagem fácil e agradável. Minha única crítica seria o fato de que a autora enrola demais, levando várias páginas (ou até capítulos!) para contar algo que poderia ser dito em apenas um parágrafo. Ela relata inúmeros acontecimentos superficiais, que nada influem na história, tornando as vezes a leitura um pouco cansativa, mas posso afirmar que no final terá valido a pena!

Um ponto forte do livro é que, principalmente nas partes narradas pelo diário de Olivia e pelo livro de Beth, podemos conhecer com mais clareza o universo de uma criança autista. Seu comportamento, pensamentos e atitudes são muito bem explanados, tornando a obra uma fonte enriquecedora de conhecimento sobre o assunto. 

Lisa Genova faz palestras sobre mal de Alzheimer (tema do seu livro "Para sempre Alice"), lesão cerebral (narrado em seu "Nunca mais Rachel") e autismo, agora no livro "Com amor, Anthony".

domingo, 2 de agosto de 2015

Diário de uma paixão - Nicholas Sparks

"Não sou nada de especial, disso estou certo. Sou um homem comum, com pensamentos comuns, levei uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e meu nome logo será esquecido. Mas amei outra pessoa com toda minha alma e coração e para mim isso sempre foi o bastante."

Assim começa uma das histórias de amor mais lindas de todos os tempos, escrita pelo mestre Nicholas Sparks e publicada originalmente como "O caderno de Noah". 

Diário de uma paixão é narrado por Noah, o personagem mais romântico e cavalheiro sobre o qual já li. Ele conta sobre seu primeiro e único amor e sobre como essa paixão lhe deixou marcas pela vida inteira.

Noah e Allie se conhecem ainda muito jovens, na Carolina do Norte, onde Noah residia e Allie havia ido passar as férias. Foi amor à primeira vista, pelo menos da parte dele.

Eles eram absurdamente diferentes. Ela vinha de família rica, tinha traçado um futuro brilhante e fazia parte da alta sociedade. Ele morava apenas com seu pai, trabalhava cortando madeiras e não tinha planos de sair de sua cidade ou fazer faculdade. Ainda assim, não demorou muito para que, com toda sua insistência e gentileza, Noah conquistasse Allie.

Logo, os dois estavam perdidamente apaixonados, vivendo o mais lindo romance de verão, o que desagradou bastante a família de Allie. Assim, seus pais em seguida resolveram acabar com as férias e ir embora da cidade.

Com o coração partido e a certeza de que, apesar da distância, o amor deles seria para sempre, Noah e Allie prometem trocar cartas até o dia que se reencontrariam e casariam. O que eles não esperavam, é que a mãe de Allie fosse interceptar a comunicação, fazendo com que as 365 cartas que Noah enviou (uma por dia durante um ano) nunca chegassem até Allie.

Assim, ambos pensaram que tudo havia acabado. Allie, muito tempo depois, conheceu Lon e noivou com ele, ainda que muitas vezes desejasse que fosse Noah ao seu lado. Noah se alistou no exército e comprou a casa que ele e Allie sempre desejaram, mas sentia-se vazio e solitário por não tê-la ao seu lado. 

Sete anos depois de tudo que viveram juntos e poucos dias antes de seu casamento, Allie vê uma foto de Noah, a saudade volta à tona e ela resolve encontrá-lo novamente para pôr um ponto final em sua história e seguir sua vida ao lado de Lon.

O que ela não esperava é encontrar um Noah ainda apaixonado, nem mesmo sentir-se da mesma forma com tanta intensidade. Então Allie precisa decidir entre abrir mão da vida "perfeita" que seus pais sempre sonharam para ela (e que ela aprendeu a amar) ou do seu primeiro e eterno amor, Noah Calhoun.

O livro se passa anos depois de todos esses fatos, com Noah já idoso, morando em um asilo e contando como tudo aconteceu. É, sem sobra de dúvidas,  a história mais romântica que já li, principalmente pela devoção de Noah, que nunca conseguiu amar outra mulher além de Allie.

Ainda há um "elemento surpresa", relatado de forma subjetiva desde o início do livro mas esclarecido apenas no final, que torna a história ainda mais linda e demonstra com mais clareza a proporção do amor de Noah. Ele é realmente um cavalheiro devoto, apaixonado, leal e muito romântico.

O mais incrível sobre "Diário de uma paixão" é que ele é baseado na história dos sogros de Nicholas Sparks, que sempre usa experiências de sua vida para criar os romances mais comoventes.  

O livro teve uma adaptação cinematográfica homônima, protagonizado por Rachel Mc Addams e Ryan Gosling , que ficou maravilhosa! Fazendo jus à obra, o filme se tornou um dos melhores romances, sendo considerado um clássico na Carolina do Norte. Os atores conseguiram interpretar com perfeição os personagens e a única modificação feita foi o final (a última cena do filme não acontece no livro). Entretanto, apesar de diferentes, ambos os finais ficaram lindos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Dançando sobre cacos de vidro - Ka Hancock

"Todo casamento é uma dança: complicada às vezes, maravilhosa em outras. Na maior parte do tempo, não acontece nada de extraordinário. Com Mickey, porém, haverá momentos em que vocês dançarão sobre cacos de vidro. Nesse caso, ou você fugirá, ou aguentará firme até o pior passar. "

Lucy escolheu aguentar. Escolheu Mickey para ser seu eterno companheiro, mesmo com seus parafusos soltos e cérebro danificado, como o mesmo descrevia. Eles se conheceram muito jovens e, desde o início, se apaixonaram. Mesmo que todos os fatores conspirassem contra.

Mickey sofria um grave transtorno bipolar. Lucy fazia parte de uma família onde a maioria das mulheres teve câncer de mama grave, inclusive perdeu sua mãe por isso. Seria mais fácil para ambos se afastarem. Mas eles decidiram viver esse amor, ainda que muitas vezes tivessem que dançar juntos sobre cacos de vidro.

Quando casaram, eles fizeram uma lista de regras que deveriam obedecer para tornar seu casamento mais fácil, até para que Lucy aprendesse a lidar melhor com a bipolaridade de Mickey. Uma das principais e mais dolorosas regras dessa lista é que jamais poderiam ter filhos, uma vez que ambos temiam passar seus problemas genéticos para o bebê.

Neste livro maravilhoso, Ka Hancock conta uma das histórias de amor mais lindas que já vi. Ele alterna entre a narrativa de Lucy e o diário de Mickey, variando entre capítulos que contam como ambos se conheceram e os primeiros anos de casamento, os surtos de Mickey, seus períodos de internação e a tristeza dos dois quando Lucy foi diagnosticada com câncer (não é spoiler, o livro começa depois disso), e os anos atuais, quando Lucy já se recuperou e ambos descobrem algo que mudará suas vidas para sempre.

O ponto principal e mais comovente do livro é a forma como Lucy e Mickey mostram um amor verdadeiro e raro, repleto de amizade e companheirismo, como todo casal deveria ser. É um livro triste, mas inspirador. Inclusive em um  dos relatos de seu diário, após um grave surto psicótico seguido de internação, Mickey escreve a seguinte passagem.

"Lucy me amava - mesmo com todos meus parafusos soltos, peças sobressalentes e partes danificadas. Ela amava o pacote todo - dizia que deveria ser assim ou não faria sentido me amar. Jurou, faz uma eternidade, que isso era verdade e fez jus à esse juramento. Quem teria acreditado nisso? Essa mulher ainda me fascina, sobretudo em momentos como este, quando saio do buraco, com o cérebro embotado e a primeira coisa que consigo enxergar com nitidez é o seu amor. Todo ser humano que não bate bem deveria ter a mesma sorte."

"Dançando sobre cacos de vidro" é um livro emocionante do início ao fim. Lindo, terno, triste, comovente e maravilhoso. É o tipo de história na qual você se apega aos personagens à ponto de querer tirá-los do livro e abraçá-los, consolar sua dor. Mickey e Lucy são guerreiros e tem um pelo outro o tipo de amor que tornaria o mundo melhor, se houvesse mais. 

Eu nunca havia lido nada da Ka Hancock, nem mesmo já ouvi falar de algum outro livro dela. Mas, se todos forem no mesmo patamar deste, ela tem potencial para se tornar uma das melhores escritoras da atualidade, capaz de comover e encantar até o mais frio dos leitores. 


sábado, 25 de julho de 2015

Amaldiçoado (O Pacto) - Joe Hill

Publicado originalmente como "O pacto", o livro "Amaldiçoado" é realmente "bom como o diabo", como foi dito em um dos diversos comentários que li a respeito. Mostrando que herdou por completo o talento de seu fabuloso pai Stephen King, Joe Hill nos trás uma história com todos os gêneros e elementos possíveis.

Falo isso, porque "Amaldiçoado" tem um romance lindo, mas não é uma história de amor. Tem situações irreais e sobrenaturais, mas não é uma história de fantasia. Tem o próprio demônio, mas não é uma história de terror. Tem um mistério envolvendo um assassinato, mas não é suspense. Ou seja, é um livro completo, capaz de agradar qualquer leitor.

O livro alterna entre presente e passado. No passado, conta a história de amor de Ignatius Perrish e sua amada Merrin. Os dois se conheceram ainda crianças e se tornaram inseparáveis, duas almas gêmeas destinadas a ficarem juntos eternamente. Entretanto, não é isso que acontece, pois em uma trágica manhã, Merrin é encontrada morta após ter sido estuprada e agredida. 

O presente narrado no livro é exatamente um ano depois desse terrível assassinato, quando Ignatius vai até o local onde sua amada foi morta e, revoltado com a injustiça do ocorrido, esbraveja dizendo que Deus não ajudou Merrin quando ela  mais precisou e que agora contava com a ajuda do próprio diabo para ajudá-lo a vingar a morte dela.

No dia seguinte. Ignatius amanhece com chifres, como se fosse o próprio demônio, e com uma
capacidade estranha e nada agradável de fazer com que, ao olhar para seus chifres, as pessoas entrem numa espécie de transe que as faz revelar todos seus desejos e pecados mais sombrios e, se as toca, consegue ver todas as coisas erradas que essas pessoas já fizeram na  vida.

Apesar de sempre ter sido um homem bom, Ignatius se tornou o principal suspeito pela morte de Merrin, uma vez que os dois foram vistos tendo uma terrível discussão em um bar na noite em que a menina foi morta. Ele foi encontrado bêbado na mesma manhã que acharam o corpo de Merrin e Ig nem sequer lembrava o que havia acontecido depois da briga para poder se defender.

Agora, com o seu novo e estranho dom, ele começa a descobrir dolorosas verdades sobre as pessoas que mais amava e julgava conhecer, bem como nota que ninguém parece acreditar em sua inocência. Sobretudo, ele se apega ao fato de que quando se é visto como o próprio diabo, não se te mais nada a perder e vai usar tudo que poder para descobrir o que aconteceu na fatídica noite e vingar o mal que fizeram à sua amada.

"Amaldiçoado" é um daqueles livros de leitura compulsiva, que você não consegue parar de ler até saber o que realmente aconteceu com Merrin e Ig, Ele nos levanta a questão de que muitas vezes as pessoas podem ser os verdadeiros demônios, tamanha as crueldades que acontecem, injustamente e sem explicação. O final é surpreendente, emocionante e ao mesmo tempo, muito revoltante. 

O livro foi adaptado para um filme homônimo, protagonizado por Daniel Radcliffe, que me surpreendeu positivamente como um ator muito melhor do que eu julgava até então. A adaptação ficou muito fiel e bem feita e as poucas mudanças que apresentou (afinal, é um adaptação), não prejudicaram nem um pouco o sentida da história. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Corações Feridos - Louisa Reid

Corações Feridos conta a comovente história das irmãs Hephzibah e Rebecca, que apesar de serem gêmeas, são muito diferentes. Enquanto Hephz é linda, audaciosa e destemida, Rebecca nasceu com a síndrome de Treacher Collins, que faz seu rosto ser completamente desfigurado e com graves deformações, além de ser bem mais cautelosa e reservada que a irmã.

As duas tem uma grande amizade e juntas escondem um terrível segredo, o qual lhes impede de levar uma vida normal. Devido à esse segredo e também à seus pais, que são religiosos fanáticos e opressores, as duas só foram frequentar a escola quando tinham quinze anos e, ainda assim, nunca puderam realmente desfrutar de todas as coisas que meninas de sua idade podiam.

Hephz e Rebecca só conheceram o carinho e amor verdadeiros através de sua avó materna e da amizade que sentem uma pela outra, e por muito tempo realmente acreditaram que a vida que levavam era tudo que podiam ter. Várias vezes, Rebecca foi apontada como "cria do demônio" pelo próprio pai devido à suas deformações e essa foi só uma das muitas maldades que ambas sofreram.

Entretanto, quando começa a frequentar a escola, Hephzibah começa a fazer amizade com outras garotas de sua idade e, cada vez mais, desejar ter uma vida normal, livre e sem as costumeiras opressões que sofrem. Porém, seu espírito livre e aventureiro acaba lhe custando a vida e, quando estava apenas começando a viver de verdade, ela morre de forma trágica e misteriosa. 

O livro alterna entre a narrativa das duas irmãs, Rebecca contando sua vida depois da morte da irmã, que é quando ela se dá conta que precisa mudar seu destino. e Hephzibah nos dias que antecederam seu trágico fim.  

A história delas é do tipo que deixa até o mais frio dos leitores emocionado e inconformado, principalmente pela forma extremamente realista e convincente que Louisa Reid usa em sua escrita. A relação das duas irmãs é linda, repleta de lealdade e carinho, e, sobretudo, o segredo que escondem é algo cruel e desumano, mas que pode ser escondido por muitas e muitas famílias que julgamos como normais.

É uma leitura pesada, não pela escrita, mas pela temática forte que aborda. O tipo de história que causa uma gigantesca ressaca literária, que fica por dias em sua cabeça, junto com o sentimento de indignação que ela nos trás. 

A capa do livro é maravilhosa, uma das minhas preferidas, pois além de muito bonita, ela transmite fielmente o sentimentalismo da história. A Novo Conceito, como sempre, nos trouxe uma edição muito caprichada, com fonte no tamanho ideal, capítulos bem divididos e diagramação perfeita. Vale a pena ler!


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Seis anos depois - Harlan Coben

Repleto de suspense e reviravoltas surpreendentes, “Seis anos depois” conta a história do professor Jake Fisher, que ao passar férias em um retiro, vive uma linda paixão com Natalie Avery. Os dois são arrebatados por um amor intenso e maravilhoso, que os faz passarem os melhores meses de suas vidas e até mesmo planejar um futuro juntos.

Entretanto, quando tudo parece perfeito, Natalie rompe o relacionamento afirmando ter reatado namoro com seu ex e estar de casamento marcado com o mesmo.

O mundo de Jake desmorona com a notícia e, custando acreditar que Natalie possa ter lhe esquecido tão rápido, ele comparece ao casamento, onde vê sua amada nos braços de Todd, oficializando a união, tal como eles haviam planejado fazer. Nesse mesmo dia, Natalie lhe faz jurar que a deixará em paz, que não procurará por ela e que seguirá sua vida. Assim, mesmo com lágrimas nos olhos e o coração dilacerado, Jake cumpre sua promessa. Por seis anos.

Seis anos depois, ela ainda é seu primeiro pensamento ao acordar e o último a dormir e isso se torna ainda mais intenso quando ele se depara com o obituário de Todd, e mesmo sabendo que não é o momento mais oportuno, resolve comparecer ao velório para ver Natalie novamente e saber como ela está.

Chegando lá, Jake se depara com uma outra viúva e, para sua surpresa, descobre que a mesma já estava casada com Todd há mais de dez anos e que seu marido foi assassinado de forma brutal.

Jake então começa a procurar por Natalie, mas, cada vez mais, ela parece uma ilusão. O local onde se apaixonaram aparentemente nunca existiu, as pessoas que conviviam com eles na época do relacionamento afirmam não conhecê-lo, não há registros de Natalie viva ou morta em local algum e nem mesmo uma detetive particular consegue localizar qualquer sinal de sua existência.

Desesperado por respostas e confiante de que sua grande história de amor não pode ter sido uma mentira, Jake se envolve cada vez mais em uma emaranhado de segredos, surpresas e mistérios e, com isso, coloca até mesmo a sua vida em perigo.

Seis anos depois é o tipo de leitura que faz você perder o sono querendo solucionar o grande mistério. Aquela sensação de frio na barriga ao achar que finalmente as coisas vão se ajeitar para depois perder o fôlego ao ver que a verdade está cada vez mais longe. É um livro muito inteligente e habilmente escrito, fazendo jus aos comentários de que tem tudo para ser considerado o melhor livro de Harlan Coben.

Ame o que é seu - Emily Giffin

Profundo e extremamente verdadeiro, “Ame o que é seu” nos faz pensar sobre as escolhas que fizemos ao longo de nossas vidas e em como as coisas seriam se tivéssemos tomado outras decisões.

O livro foi escrito fabulosamente por Emily Giffin, que conta a história de Ellen, uma fotógrafa casada e muito feliz com a vida aparentemente perfeita ao lado do carinhoso, amigável e romântico Andy. 

Ellen não parece ter um casamento maravilhoso: ela tem. Andy é o irmão de sua melhor amiga, Margot, o que faz com que ela tenha um ótimo relacionamento com toda a família. Ele é bonito, rico, divertido, a trata como uma princesa e os dois nunca brigam.

Entretanto, oito anos antes desse conto de fadas, houve Leo. E é nesse momento que nos identificamos com a narrativa de Emily, pois toda mulher já teve um Leo em sua vida.

Ellen e Leo se conheceram ainda na época de faculdade e tiveram um tipo de relacionamento repleto de paixão obsessiva e ardente, daquelas de tirar o fôlego. Nessa época, a vida de Ellen girava em torno de Leo. Ele era o primeiro e o último pensamento de seus dias. Todas as outras coisas (família, trabalho, amigos, sonhos pessoais…) pareciam menos importantes quando estavam juntos, ou seja, sempre.

Por Leo, Ellen adiou todos seus planos, sua carreira, sua vida: ela só queria estar com ele, motivo pelo qual se sentiu despedaçada quando ele simplesmente pareceu cansar-se dela e acabou o relacionamento sem explicações. 

Apesar de saber que fazia parte da personalidade de Leo ser livre (típico estilo canalha), Ellen entrou em profunda depressão com o fim do relacionamento, mas mesmo assim nunca voltou a procurá-lo, bem como ele não o fez.

Oito anos depois, com a ajuda de sua amiga Margot, Ellen não só superou o término do namoro como se tornou uma mulher muito bem sucedida, mas também realizada e feliz com seu casamento com Andy.

Ela já nem pensava mais em Léo… Até esbarrar com ele (pela primeira vez desde o término) em uma esquina. Nesse momento, apesar do casamento perfeito e de ter a vida que sempre quis, Ellen sentiu o peito disparar e toda a química que existia entre eles fluir. Isso ficou ainda mais intenso quando Léo resolve voltar contudo para sua vida, pedindo para ser seu amigo e afirmando ter se arrependido de ter terminado. 

Agora, apesar de amar sua vida e seu marido incondicionalmente, Ellen começa a questionar as decisões que tomou, pensando em como teria sido sua vida se tivesse feito outras escolhas. 

O livro é maravilhoso, de fácil leitura e profunda identificação. Todo mundo, seja homem ou mulher, já passou por momentos em que teve que desistir de coisas que amava para que outras melhores pudessem vir. E, sempre que há escolhas, há dúvidas e o pensamento “e se…” pairando no ar.

Como salvar uma vida - Sara Zarr

Jill era uma menina alegre, popular e muito apegada à seu pai, o carismático Sr. Mac. Já com a mãe, o relacionamento nunca foi tão afetuoso, tornando-se ainda mais frio quando Sr. Mac faleceu subitamente. Ele era seu heroi, a pessoa que mais amava no mundo e sua base. Ao perdê-lo, Jill se retraiu em um doloroso luto, afastando-se completamente de seus amigos, de seu namorado Dylan e, principalmente, de si mesma.

Dez meses se passaram e ainda assim Jill não consegue se encontrar. Ela sente a dor de sua perda cada vez mais forte e evita falar no assunto, comportando-se muitas vezes de forma grosseira apenas para mascarar seus reais sentimentos. A situação agrava-se ainda mais quando sua mãe decide adotar um bebê. Jill sente como se a mãe, Robin, estivesse tentando substituir o seu pai por outro membro da família.

Nesse momento, surge Mandy, a mãe do bebê que será adotado. As duas se conhecem em um site e decidem que ela ficará na casa de Robin até a criança nascer e depois disso doará o bebê à Robin, pois não se sente em condições de criá-lo. Mandy, por sua vez, se assemelha com Jill pelo jeito solitário e perdido.

A menina, grávida aos dezoito anos e completamente sozinha, foi rejeitada pelo próprio pai quando ainda era criança, sendo criada por uma mãe volúvel, promíscua e cruel, que nunca escondeu o fato de não querer ter engravidado. Por esse motivo, Mandy resolve doar seu bebê, pois quer que a criança tenha a chance de ter um lar de verdade, repleto de amor e com uma boa família.

Quando as vidas de Jill e Mandy se cruzam, ambas começam a aprender muito uma com a outra, ainda que no início Jill rejeite a ideia de ter Mandy em sua casa, principalmente pela forma retraída e misteriosa que a garota as vezes se comporta.

O livro alterna entre um capítulo narrado por Jill e outro por Mandy, explanando de forma clara e muito realista os sentimentos mais íntimos das duas. Apesar de muito diferentes, elas tem muito em comum e a autora soube narrar maravilhosamente bem os receios, pensamentos e emoções de duas personagens fortes e muito bem construídas.

“Como salvar uma vida” é repleto de personagens cativantes, daqueles que você tem vontade de arrancar do livro e abraçar. O livro se desenrola de forma contínua, suave e prazerosa, revelando fatos passados que explicam as presentes atitudes de cada personagem.

É uma leitura fácil, agradável e super recomendada para aqueles que gostam de histórias profundamente sentimentais, com personagens bem trabalhados e uma trama envolvente. Este livro me chamou intuitivamente a atenção desde a primeira vez que o vi e, apesar de nunca ter ouvido falar do mesmo até então, comprei para conhecê-lo. Superou tanto minhas expectativas, que em três dias já havia lido todo!

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Esta é uma história de amor - Jessica Thompson

A princípio, parecia mais um romance adolescente meio clichê, de um jovem casal, ambos muito atraentes, que se apaixonam e o mundo parece conspirar para que não fiquem juntos.

Entretanto, “esta é uma história de amor”, mostrou que realmente nem toda história de amor é igual. Sienna e Nick se encontram pela primeira vez em um metrô e logo se sentem fortemente atraídos um pelo outro.

A surpresa se dá quando descobrem que vão trabalhar juntos, o que para ele é um pesadelo, uma vez que tinha jurado não se envolver com ninguém de seu serviço após uma recente decepção amorosa com uma colega de trabalho.

Porém, quanto mais convivem um com o outro, mais apaixonados se tornam, e, juntamente com isso, cresce uma grande amizade, a ponto de se tornarem inseparáveis, sem nunca ter coragem de assumirem um para o outro o verdadeiro sentimento (isso mesmo, friendzone recíproca!).

Há também como diferenciais do livro, a história de George, o pai de Sienna, que sofre de narcolepsia, uma doença que lhe impede de levar uma vida normal mas que, por outro lado, fortalece seu laço com a filha, que é a única pessoa que lhe cuida. É muito bonita a relação dos dois e por vários momentos, tive que parar de ler por estar com os olhos marejados pelas fortes emoções.

E, ainda, há a relação com Pete, um mendigo do qual Sienna se aproxima ao descobrir que o mesmo teve sua vida destruída por ter perdido a mulher que amava. Ela se comove com o sofrimento do homem e começa a tentar ajudá-lo a mudar de vida e é tocante ver como solidariedade e compaixão podem realmente fazer a diferença para alguém.

A história em muitos momentos lembra “Um dia - David Nicholls”, pois também alterna entre os pontos de vista de Sienna e Nick, que passam por muitas coisas (relacionamentos, frustrações, emoções…) durante cinco anos, sem nunca deixarem de se amar, mas nunca ter coragem suficiente para assumir o que sentem, com medo de estragar a grande amizade que possuem. Sobretudo, é o tipo de livro fácil e gostoso de ler. Engraçado em muitos momentos, comovente em outros e surpreendente no final, merece ser lido, relido e muito apreciado.