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domingo, 16 de agosto de 2015

A mais pura verdade - Dan Gemeinhart

Como diz na própria sinopse do livro, em todos os sentido que interessam, Mark é uma criança normal. Ele tem um cachorro fofo e super companheiro, chamado Beau e uma amiga muito verdadeira e leal, chamada Jessie. Mark tem um câmera com a qual adora fotografar e tem o sonho de escalar uma montanha, como há muito tempo prometeu para seu avô que faria.

Mas, á algo que Mark tem e que lhe torna diferente das demais crianças de sua idade. Mark tem câncer. Daqueles sem cura,  que envolve longas internações no hospital e muitas lágrimas para toda a família. Que envolve sofrimento, dor e esperas intermináveis.

Então, Mark resolve dar um basta em todo o sofrimento, partindo em busca do que pode ser a última aventura de sua vida: escalar a tão sonhada montanha, fugido de casa, acompanhado pelo seu inseparável amigo Beau e pela sua câmera, sem contar a verdade à ninguém.

O livro tem uma leitura fácil e rápida. As letras são grandes e há muito espaço entre um capítulo e outro, o que faz possível ler todo em poucas horas. É uma história comovente, com narrativa alternada entre Mark e  Jessie, que apesar de muito pequenos, possuem um forte laço de amizade, lealdade e carinho.

Como se conhecem muito bem, Jessie é a única pessoa que imagina onde Mark pode estar, pois sempre soube que seu amigo sonhava em escalar as montanhas. Entretanto, como é muito leal ao amigo, ela se vê dividida entre guardar o seu segredo ou contar a verdade para amenizar o sofrimento dos pais dele e para possivelmente ajudá-los a encontrar Mark antes que  o pior aconteça.

"A mais pura verdade" é um bom livro. Eu nunca havia lido nada de Dan Gemeinhart, mas posso dizer que gostei bastante da forma leve e fluída que a leitura discorreu. Não achei o livro tão dramático quanto parecia ser, mas ele realmente tem momentos de apertar o coração, principalmente pelo fato de Mark ser muito pequeno para já enfrentar tamanho sofrimento.

Como pontos mais fortes eu descreveria a amizade entre ele e Jessie, pois ainda que sejam duas crianças, ambos apresentam um companheirismo e devoção raro de ser. O cachorro Beau também é uma fofura, dando, em certos momentos, um certo humor e graça para o livro, apesar da nuvem triste que costuma pairar em histórias sobre câncer.

Sobretudo, "A mais pura verdade" não trata-se de um livro sobre câncer. Bem longe de ser o foco, a doença é citada em poucos momentos, apenas para justificar o motivo da raiva e sentimento de injustiça que Mark as vezes apresenta. Essa é uma história sobre novas descobertas, sobre amizade e sobre buscarmos sempre realizar nossos sonhos, independentemente das circunstâncias.

O guardião - Nicholas Sparks

O fato de, para mim, os livros de Nicholas Sparks serem perfeitos, não é segredo. Eu amo seus romances profundos e dramáticos, quase sempre trágicos, mas muito verdadeiros. Seus personagens (especialmente os homens) são verdadeiros exemplos de romantismo, gentileza e lealdade e eu me apaixono por todas as histórias dele que leio. Então, é claro que com "O Guardião" não poderia ser diferente.

Nas primeiras páginas já precisamos preparar os lenços, pois o livro começa com uma carta de despedida escrita por um marido que amava muito a sua esposa e que sabia que estava prestes à morrer. Tratam-se de Jim e Jullie.

Jullie foi abandonada pelo pai quando ainda era pequena e passou algum tempo morando com sua mãe promiscua e irresponsável, o que gerava grandes problemas para o relacionamento das duas. Ao longo dos anos que moraram juntas, Jullie teve dezenas de padrastos e a gota d'água foi quando um deles tentou abusar dela. Como se não bastasse a mãe continuar aceitando o homem em seu lar, ainda culpou Jullie pelo ocorrido, então a mesma preferiu ir embora e viver nas ruas.

Morando nas ruas, Jullie conheceu Jim, um homem de bom coração que logo resolveu ajudá-la, primeiro pagando-lhe um café e depois oferecendo um emprego no salão de beleza de sua tia Mabel, na cidade de Swansboro, na Carolina do Norte.

Como não tinha nada a perder, Jullie logo aceitou a proposta e, em pouco tempo, ela e Jim apaixonaram-se e casaram. O que não esperavam é que, depois de anos de um casamento perfeito, Jim fosse descobrir uma grave doença que o fez falecer em pouco tempo, deixando Jullie devastada.

Alguns dias depois de ficar viúva, Jullie recebe uma carta de Jim, na qual ele prometia que seria seu anjo da guarda, que cuidaria dela de onde estivesse e também pedia que ela nunca deixasse de sorrir e de tentar ser feliz, pois era assim que ele gostava de vê-la. Junto com a carta, Jim deixou-lhe um lindo filhote de dinamarquês, o qual ela batizou de Singer.

Quatro anos se passaram desde a morte de Jim e Jullie finalmente encontra-se pronta para viver um novo amor. Todos (inclusive nós, leitores) torcem para ela dê um chance para seu melhor amigo, o fofo, apaixonado, querido, inteligente, mecânico e faz-tudo Mike mas, embora Jullie e ele tenham uma forte amizade, muita intimidade e um carinho gigante um pelo outro, ela não consegue vê-lo de outra forma, uma vez que Mike também era amigo de Jim.

Logo, para o desespero de Mike, Jullie começa a se encontrar com outros homens, mas nunca parece dar certo, até aparecer Richard. 

Richard parecia ser tudo que qualquer mulher poderia querer: inteligente, rico, romântico, bem sucedido. Ele e Jullie começam a sair eventualmente, sem compromisso, mas ainda assim Mike se sente cada vez pior com a situação. Ele afirma que Richard não parece realmente bom para Jullie e, o que antes parecia apenas ciúmes, logo vai mostrando ter um fundo de verdade, especialmente quando Richard começa a demonstrar um comportamento excessivamente controlador, com traços de psicopatia.

Como todos os livros de Nicholas, "O guardião" tem uma grande dose de romance e de drama, além de personagens completamente cativantes (especialmente Mike e o cachorro Singer, que acompanha Jullie para todo lado). Entretanto, dessa vez o mestre Sparks nos presenteou com outro elemento que deixou sua história ainda melhor: suspense!!

Sim, "O Guardião" é, sobretudo, um livro repleto de suspense, muitas vezes fazendo o leitor ter que parar para recuperar o fôlego. É um livro maravilhoso, de leitura super bem fluida e, como sempre, a Editora Arqueiro nos presentou com uma diagramação perfeita.

O final é surpreendente, dá um sentido especial à toda história, além de contar com aquele toquezinho levemente espiritual que as vezes o Nicholas deixa subentendido em suas histórias. É um dos melhores livros do autor, apesar de todos serem divinos e eu torço para que logo seja adaptado para o cinema, pois ficaria um filme maravilhoso!

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Corações Feridos - Louisa Reid

Corações Feridos conta a comovente história das irmãs Hephzibah e Rebecca, que apesar de serem gêmeas, são muito diferentes. Enquanto Hephz é linda, audaciosa e destemida, Rebecca nasceu com a síndrome de Treacher Collins, que faz seu rosto ser completamente desfigurado e com graves deformações, além de ser bem mais cautelosa e reservada que a irmã.

As duas tem uma grande amizade e juntas escondem um terrível segredo, o qual lhes impede de levar uma vida normal. Devido à esse segredo e também à seus pais, que são religiosos fanáticos e opressores, as duas só foram frequentar a escola quando tinham quinze anos e, ainda assim, nunca puderam realmente desfrutar de todas as coisas que meninas de sua idade podiam.

Hephz e Rebecca só conheceram o carinho e amor verdadeiros através de sua avó materna e da amizade que sentem uma pela outra, e por muito tempo realmente acreditaram que a vida que levavam era tudo que podiam ter. Várias vezes, Rebecca foi apontada como "cria do demônio" pelo próprio pai devido à suas deformações e essa foi só uma das muitas maldades que ambas sofreram.

Entretanto, quando começa a frequentar a escola, Hephzibah começa a fazer amizade com outras garotas de sua idade e, cada vez mais, desejar ter uma vida normal, livre e sem as costumeiras opressões que sofrem. Porém, seu espírito livre e aventureiro acaba lhe custando a vida e, quando estava apenas começando a viver de verdade, ela morre de forma trágica e misteriosa. 

O livro alterna entre a narrativa das duas irmãs, Rebecca contando sua vida depois da morte da irmã, que é quando ela se dá conta que precisa mudar seu destino. e Hephzibah nos dias que antecederam seu trágico fim.  

A história delas é do tipo que deixa até o mais frio dos leitores emocionado e inconformado, principalmente pela forma extremamente realista e convincente que Louisa Reid usa em sua escrita. A relação das duas irmãs é linda, repleta de lealdade e carinho, e, sobretudo, o segredo que escondem é algo cruel e desumano, mas que pode ser escondido por muitas e muitas famílias que julgamos como normais.

É uma leitura pesada, não pela escrita, mas pela temática forte que aborda. O tipo de história que causa uma gigantesca ressaca literária, que fica por dias em sua cabeça, junto com o sentimento de indignação que ela nos trás. 

A capa do livro é maravilhosa, uma das minhas preferidas, pois além de muito bonita, ela transmite fielmente o sentimentalismo da história. A Novo Conceito, como sempre, nos trouxe uma edição muito caprichada, com fonte no tamanho ideal, capítulos bem divididos e diagramação perfeita. Vale a pena ler!