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domingo, 23 de agosto de 2015

Onze minutos - Paulo Coelho

Hoje venho falar de um dos meus livros nacionais preferidos, que é o Onze Minutos, do mestre Paulo Coelho. Apesar das inúmeras críticas que já vi à respeito, considero este um dos melhores livros do autor e adoro as reflexões sobre amor, sexo e liberdade inclusas nele.

"Onze Minutos" conta a história de Maria, uma mulher forte, batalhadora e muito romântica. Ela era uma moça pobre e ingênua. que desconhecia até mesmo o próprio corpo, motivo pelo qual foi motivo de risos em seu primeiro beijo e em suas primeiras experiências sexuais, tornando-se completamente insegura em relação à si mesma, sua sexualidade e seu corpo.

Assim, Maria foi crescendo e se tornando cada vez mais linda e desejada, mas também infeliz e estranha para si mesma. Chegou a descobrir um certo prazer através da masturbação, mas nunca através do sexo com um homem. 

Sempre ambiciosa, Maria teve oportunidade de deixar a cidade e todos aqueles que sempre riram dela e lhe fizeram mal, então foi embora de sua cidade natal com a promessa de uma vida próspera e feliz, como modelo. Mas, ao chegar lá, ela viu todos seus sonhos irem por água baixa, caindo no mundo da prostituição.

Para ela, o sexo se tornou algo ainda mais banal. Bastava proporcionar os desejados onze minutos de prazer aos clientes que teria dinheiro e, assim, Maria foi afundando-se cada vez mais em um poço de auto-destruição e falta de amor próprio. Ela permitia que usassem seu corpo como se fosse um objeto, cegando-se pelo dinheiro que ganharia com isso. Prometeu que seria prostituta apenas por um tempo, mas esse tempo pre-determinado foi tornando-se cada vez maior, a medida que suas ambições cresciam e seu amor próprio diminuía.

“…e o sexo tem sido utilizado como qualquer outra droga: para fugir à realidade, para esquecer dos problemas, para relaxar. E, como todas as drogas é uma prática nociva e destruidora…” 

Então, quando está quase deixando sua vida de prostituta, Maria conhece dois homens que mudam sua vida completamente. O primeiro lhe ensinará sobre dor e prazer através do sexo, e o segundo verá nela uma luz que ela mesma nunca foi capaz de enxergar, lhe ensinando o poder do sexo sagrado, feito com amor e conhecimento do corpo e alma.

"Eu não sou um corpo que tem uma alma, sou uma alma que tem uma parte visível chamada corpo."

Como sempre, Paulo Coelho trouxe um carga emocional e reflexiva muito grande para seu livro. Não é um livro somente sobre sexo, nem apenas uma história de amor, ou sobre prostituição. Onze minutos fala, principalmente, sobre conhecermos nosso corpo, nossos limites, nossos desejos e nossa sexualidade. É uma leitura agradável, sendo para mim um dos melhores livros do autor. 

"Hoje estou convencida de que ninguém perde ninguém, porque ninguém possui ninguém. Essa é a verdadeira experiência da liberdade: ter a coisa mais importante do mundo, sem possuí-la."

Onze minutos é baseado em fatos reais, sendo considerado não só um conto de fadas moderno, mas também uma grande história sobre a busca por auto-conhecimento e sobre a banalização do sexo e do amor nos dias de hoje. Vale a pena ser lido, especialmente para quem aprecia os títulos "Veronika decide morrer" e "Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei" de Paulo Coelho, pois a escrita se assemelha mais à esses do que a de "o Alquimista" ou "As Valkirias". 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Veronika decide morrer - Paulo Coelho

Tanto o filme, quanto o livro “Veronika decide morrer” apresentam uma grande carga de reflexões sobre a vida. Pertencente a uma saga do autor Paulo Coelho que demonstra como a vida de uma pessoa pode mudar em sete dias a partir de uma nova perspectiva, o livro trata das mudanças e reflexões que a certeza da morte breve pode trazer a alguém.

A história conta a trajetória de Veronika, uma jovem eslovena de boa família, bonita e bem sucedida, mas que ainda assim, não é feliz. Cansada da própria vida e em depressão profunda, Veronika decide se suicidar através de uma overdose de comprimidos.

O que não espera é que ao invés de morrer, ela acaba acordando em uma clínica psiquiátrica, onde recebe a notícia de que tem poucos dias de vida devido aos danos que a sua tentativa de suicídio causou em seu organismo. 

Além disso, é informada de que terá que passar esse tempo restante internada na clínica.Com a certeza da morte iminente, Veronika começa a viver seus dias como se fossem o último, o que a leva a experimentar coisas que sempre quis, enxergar tudo sob uma nova perspectiva e encontrar o amor através de Eduard, um jovem esquizofrênico que não fala com quase ninguém.

Os motivos pelo qual o jovem foi internado diferem: no livro ele era um artista incompreendido por seus pais e abandonado pela namorada. No filme, Eduard estava dirigindo com sua namorada no carro, quando ambos sofreram um acidente que provocou a morte da moça, o que faz com que ele tenha se sentido culpado e acabado por se isolar em um mundo só seu.

Entretanto, as diferenças acabam por aí. O filme é extremamente fiel ao livro, e tratam-se de uma história grandiosa e enriquecedora, com personagens cativantes e um final surpreendente. Paulo Coelho baseou-se em sua experiência quando, aos dezessete anos, foi internado em uma clínica semelhante, motivo pelo qual o livro é muito verossímil.
Veronika emociona a todos com sua vontade de viver recém descoberta e a certeza de que é tarde demais, comprovada pela passagem “Já não tenho medo, nem indiferença, nem nada. Tenho vontade de viver, mas sei que isso não basta, estou conformada com  meu destino” .