A história deles começa em 1988, quando Dexter Mayhew e Emma Morley passam uma noite juntos logo depois sua festa de formatura da faculdade. Apenas uma noite, regada à bebida, sexo casual e um pouco da empolgação que todo recém formado tem. Nessa noite, eles falaram dos sonhos e planos que cada um tinha para seu futuro, divertiram-se juntos e se despediram, mal sabendo que esse 15 de Julho seria o marco para os próximos vinte anos de suas vidas.
Cada capítulo do livro narra um 15 de Julho dos anos seguintes, tanto para Em, quanto para Dex, que se tornaram grandes amigos, deixando esquecida aquela única noite de paixão e substituindo esse sentimento por algo mais terno, repleto de afeto e cumplicidade.
Isso as vezes é meio frustante, pois, num 15 de Julho está acontecendo algo muito empolgante e, do nada, muda de capítulo e o próximo já está falando da mesma data, mas um ano depois, deixando certos vácuos na história. Entretanto, "Um dia" me fez refletir muito sobre como as vezes desperdiçamos nossa vida inteira correndo atrás de certos sonhos quando, na verdade, o que queríamos estava a um palmo de nosso nariz.
Assim é para Em e Dex. Eles são almas gêmeas. São cúmplices, são melhores amigos e conhecem um ao outro infinitamente. Entretanto, a vida dos dois é tão diferente, e cada um busca seus sonhos de forma tão determinada, que isso só lhes afasta do que realmente importa.
Outro ponto a ressaltar, é que Dex é um tremendo canalha. Em vários momentos ele admite que sabe que ele e Em são o par perfeito, mas chega a acrescentar que o problema é que gosta dela "e de muitas outras". Ele consegue a tão almejada fama e fica cego por ela e pelas muitas mulheres que o sucesso lhe trás. E, com isso, se torna um especialista na arte de magoar e decepcionar sua fiel amiga e companheira Emma.
Você lê "um dia" e, a cada capítulo, a cada ano de decepção por esse quase amor mal resolvido, você torce para que no 15 de Julho seguinte as coisas tenham melhorado e eles finalmente tenham conseguido se acertar e perceber aquilo que para todo mundo, tá na cara: Em e Dex foram feitos um para o outro.
Mas, acima de tudo, "Um dia" me fez refletir sobre a minha vida. Pois vemos também dois jovens que, no primeiro ano narrado, são repletos de sonhos e de amor pela vida, mas esses sonhos acabam lhes tornando pessoas muito diferentes das que esperavam ser e fazendo com que desperdiçassem muitas coisas que poderiam ter.
A cada página, torcia para que Dex fosse menos canalha e para que Em adquirisse um pouquinho mais de auto confiança, pois ela tem a autoestima incrivelmente baixa, enquanto ele se comporta como se fosse o homem mais lindo e desejado do mundo.
O final me surpreendeu muito, me deu uma sensação de vazio, de injustiça e também de medo, pois "um dia" trata de situações reais, de coisas totalmente possíveis e comuns, então é impossível ler sem tomar um pouco dele para si. É a primeira obra de David Nicholls que leio, mas se o autor mantiver esse nível em suas outras obras, com certeza adorarei ler "Nós" e "o substituto" também!


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