A Cabana, de William P. Young é um dos livros mais polêmicos que já li. Falo isso, porque o livro trata de uma questão muito delicada, então é comum que quem leu vá amá-lo ou odiá-lo, mas nunca vá ficar indiferente à história. No meu caso, posso dizer que faço parte do grupo que amou e, para mim, nunca havia encontrado uma teoria que esclarecesse tão bem o meu ponto de vista sobre religião e Deus.
Conhecemos nesse livro a história de Mackenzie Allen Phillips, que após uma infância dolorosa na qual sofria constantes agressões do pai alcoólatra, encontra a paz ao constituir família com a jovem Nan. Juntos, eles tiveram cinco filhos maravilhosos: Jon, Tyler, Josh, Kate e Melissa (carinhosamente chamada de Missy) e formavam uma família unida, religiosa e perfeitamente feliz.
Porém, essa felicidade é destruída abruptamente quando, em uma viagem de férias, a canoa onde Josh e Kate estavam brincando começa a emergir e Mackenzie sai para ajudá-los, descuidando-se por um breve segundo da pequena Missy, que nunca mais aparece.
A dor por ter a filhinha desaparecida aumenta ainda mais quando um broche com marcas características de um serial killer infantil aparece próximo ao local, bem quando surge a pista que Missy foi vista sendo levada em um jipe por um homem desconhecido.
Desolados pela dor, o destino se torna ainda mais cruel quando, dias depois, as roupas que Melissa usava na ocasião são encontradas em uma cabana, sujas de sangue, comprovando a teoria de que a menininha deveria ter sido abusada e assassinada pelo serial killer que tanto temiam.
A partir desse dia, a família começa a emergir cada vez mais num mar de dor, sofrimento e culpa. Josh e Kate se sentem culpados por terem desviado a atenção de Mack que, por sua vez, não se conforma por ter sido tão relapso.
Transtornado, revoltado e triste, Mackenzie então revolta-se contra Deus, afirmando que se Ele realmente existisse, não permitiria que algo tão cruel acontecesse à uma criança tão doce e inocente, bem como não provocaria tamanha dor em uma família que sempre foi religiosa e caridosa.
Mack, que até então referia-se à Deus como "Papai", passa a negar Sua existência, motivo pelo qual se sente desolado quando recebe uma correspondência com o seguinte pedido:
"Mackenzie, já faz um tempo. Senti sua falta. Estarei na cabana no fim de semana que vem, se você quiser me encontrar. – Papai."
Pensando tratar-se de uma piada cruel e de mal gosto, ele fica repleto de raiva e amargura. Quem teria coragem de tamanha atrocidade? Seria para fazê-lo voltar ao lugar que lhe causou tanto sofrimento, revivendo memórias que ainda lhe atormentavam? Mas, ao mesmo tempo, Mack sabia que chamar Deus de "Papai" era uma brincadeira de sua família e soava muito estranho que outra pessoa usasse isso.
Certo de que seria confrontado pelo assassino de Missy ou por alguém que queria causar-lhe dor, Mack aproveita que Nan e seus outros filhos foram passar o final de semana fora e vai até a cabana, levando consigo uma arma e muita sede de vingança. Mas o que ele não podia esperar é que realmente tratava-se de um encontro com Deus, que se dispunha a confortar seu coração e esclarecer seus anseios.
A partir dai o livro se torna polêmico. Imagine que TUDO que você já pode ter ouvido sobre Deus, independentemente de sua crença ou religião, é distorcido. Em "A Cabana", Deus não é um Ser, mas sim três (Santíssima trindade, ou "Pai, Filho e Espírito Santo). Ele difere do que conhecemos em absolutamente tudo: aparência, forma de falar, visão.
Nesse encontro, Mack consegue esclarecer com Papai inúmeras dúvidas sobre o porquê de certas coisas tão injustas acontecerem no mundo, além desse Deus mostrar uma ideia muito "livre" de fé, desapegando-se de coisas como Igrejas e orações prontas e pregando que o mais importante é amar ao próximo, fazer o bem e ser franco.
É um livro que quebra qualquer conceito que conhecemos sobre religião, por isso digo que é fácil amá-lo ou odiá-lo. Já vi pessoas bem religiosas que leram e chegaram a achar ofensivo, bem como muitos acharam surreal demais, mas eu, particularmente, posso dizer que o livro me agradou muito, além de me ajudar a entender certas injustiças que, assim como no caso de Mack, me faziam as vezes pôr a minha fé em dúvida.
Sobretudo, vale a pena ser livro, nem que seja para acalmar o coração daqueles que sofrem pela perda de um ente querido ou por alguma tragédia que passaram.

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